Fiat Uno que Ayrton Senna deu a Adriane Galisteu volta à cena e emociona fãs após 30 anos
Entre tantos carros lendários ligados ao nome de Ayrton Senna, há um que foge do padrão das pistas e dos motores turbinados. É um simples Fiat Uno Mille Electronic 1993, presente que o piloto deu a Adriane Galisteu pouco antes do trágico acidente em Ímola. O carro reapareceu agora com a estreia da série documental “Meu Ayrton por Adriane Galisteu”, na HBO Max, e reacendeu lembranças de um tempo em que o amor e a velocidade corriam lado a lado.
O Uno, guardado com zelo quase sagrado, continua nas mãos da apresentadora. É branco, discreto e está exatamente como saiu da concessionária. A cada nova aparição, desperta a curiosidade de fãs e colecionadores. Afinal, não é apenas um carro — é o retrato de um vínculo humano, congelado no tempo, que sobrevive à idolatria e à saudade.
O símbolo de um Brasil que sonhava
Nos anos 1990, o Uno Mille era o sonho de quem queria ter o primeiro carro. Econômico, simples e confiável, representava liberdade e conquista. Para uma jovem modelo de origem modesta, receber aquele presente de um ídolo mundial foi algo que misturava surpresa e gratidão. Galisteu costumava dizer que aquele era “o carro que todas as meninas queriam”.
Enquanto Senna colecionava supermáquinas, escolheu oferecer algo que falasse de afeto, não de status. O gesto revela muito sobre a relação entre os dois — direta, descomplicada, longe do brilho das corridas. É o tipo de detalhe que mostra como grandes histórias às vezes se escondem em gestos pequenos.
Um carro que o tempo não toca
Três décadas depois, o Uno segue intacto. Vive coberto por uma capa, sai raramente da garagem e só dá voltas curtas pelas ruas, conduzido pelo motorista da família. Galisteu o trata como um guardião de memórias. Já recusou ofertas que chegaram a R$ 200 mil, valor muito acima dos cerca de R$ 6 mil que um modelo comum custaria hoje.
Mas o carro deixou de ter preço. Ele carrega um pedaço de história brasileira, de um tempo em que Senna ainda era um herói vivo e o país parava para ver um domingo de corrida. O Uno virou um elo entre passado e presente, entre a vida pública e a intimidade de um casal que o Brasil aprendeu a admirar.
O que o Uno ainda representa
O interesse por esse carro não é apenas nostalgia. Ele desperta uma sensação de proximidade com uma figura que, para muitos, parece distante. É como se aquele veículo popular abrisse uma janela para o lado humano de Senna. Um campeão acostumado à perfeição, mas que sabia valorizar simplicidade e afeto.
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Em um país onde o carro é parte da identidade cultural, o Uno de Galisteu virou um símbolo de memória coletiva. Ele atravessou décadas, modas e tecnologias, e ainda emociona porque carrega algo que os carros modernos perderam: a alma.
Um capítulo que resiste ao esquecimento
Galisteu afirma que só abriria mão do Uno se ele pudesse ser exibido em um museu dedicado a Senna. Não seria uma venda, mas uma entrega com significado — como se o carro pudesse continuar contando a história dos dois para novas gerações.
O Fiat Uno Mille 1993 é mais do que um veículo antigo. É uma cápsula de tempo, um símbolo de amor e de um Brasil que ainda acreditava em heróis. Enquanto o mundo muda e as lembranças se apagam, o pequeno carro branco segue ali, quieto, mas cheio de vida.
Fonte: Uol.


































