Como a manutenção de baterias de carros elétricos no Brasil está evoluindo com novas técnicas e segurança

Montadoras investem em treinamento avançado e segurança na manutenção de baterias de veículos elétricos e híbridos. Aula no Senai Ipiranga mostrou protocolos, diagnósticos e técnicas de reparo.
Publicado por em Mobilidade dia

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A manutenção de veículos elétricos e híbridos exige conhecimento técnico especializado e equipamentos que até pouco tempo não faziam parte das oficinas brasileiras. As montadoras, atentas a esse avanço, têm direcionado recursos para capacitar mecânicos e técnicos, estabelecendo protocolos rigorosos para garantir segurança e eficiência no atendimento.

Pontos Principais:

  • Treinamentos especializados no Senai Ipiranga para manutenção de veículos elétricos e híbridos.
  • Uso de EPIs e protocolos rigorosos para desmontar e diagnosticar baterias de alta capacidade.
  • Política da GWM prevê substituição completa do pacote em caso de falha grave.
  • Diagnósticos avançados simulam colisões e verificam integridade estrutural e elétrica.

No Senai Ipiranga, em São Paulo, a GWM inaugurou um espaço exclusivo de 375 m² para treinamentos sobre eletrificação veicular. Ali, profissionais passam por aulas práticas que abordam desde o desmonte de baterias até diagnósticos avançados de segurança, sempre com uso obrigatório de Equipamentos de Proteção Individual, como luvas isolantes para alta tensão, macacões anti-chamas e viseiras de escurecimento automático.

As montadoras estão acelerando treinamentos para manutenção segura de carros elétricos e híbridos, com foco em baterias e motores, ampliando a rede de profissionais especializados.
As montadoras estão acelerando treinamentos para manutenção segura de carros elétricos e híbridos, com foco em baterias e motores, ampliando a rede de profissionais especializados.

Um dos exercícios acompanhados foi o desmonte da bateria do Ora 03, que possui 63 kWh e é dividida em oito módulos com células de 3,7 volts cada. Antes de abrir o conjunto, os técnicos realizam testes de estanqueidade para detectar vazamentos ou falhas elétricas. Somente após aprovação é possível remover a tampa e desacoplar o barramento que conecta os polos, tornando o sistema seguro para inspeção.

A política da GWM, ao identificar defeitos internos graves, é substituir o pacote completo, sem troca isolada de módulos. O procedimento evita riscos e mantém o padrão de segurança da montadora, embora essa diretriz possa variar entre fabricantes.

Também foi demonstrado o diagnóstico de danos após simulação de colisão. O design da carcaça da bateria inclui camadas de ferro projetadas para absorver impactos e proteger os módulos internos contra esmagamentos e curtos. A inspeção envolve verificar o alinhamento estrutural e a integridade contra infiltração de umidade, que poderia gerar corrosão ou falhas elétricas.

O treinamento se estende ao estudo do sistema híbrido plug-in do Haval H6 PHEV. O conjunto combina motor a combustão, motor elétrico e gerador, todos coordenados por uma unidade de controle eletrônico que decide, em tempo real, o modo de operação mais eficiente. A integração entre regeneração de energia, controle de tração e resposta do acelerador exige leitura precisa de sensores e conhecimento do software do veículo.

Desde sua criação, a GWM Academy já capacitou mais de 640 profissionais. A parceria com o Senai e o Sindirepa-SP pretende abrir turmas para reparadores independentes, ampliando o acesso a esse conhecimento especializado. A meta é preparar a rede de assistência para lidar com o crescimento acelerado da frota eletrificada no Brasil.

Fonte: Abve, AutoEsporte, Mobilidade e QuatroRodas.

Alan Corrêa
Alan Corrêa
Jornalista automotivo (MTB: 0075964/SP) e analista de mercado. Especialista em traduzir a engenharia de lançamentos e monitorar a desvalorização de usados. No Carro.Blog.br, assina testes técnicos e guias de compra com foco em durabilidade e custo-benefício.