Irreconhecível? Novo Honda Fit adota "cara de carro chinês" e divide opiniões
O Honda Fit mudou de rosto na China e, junto com ele, parece ter deixado para trás parte da identidade que o consagrou ao longo de mais de duas décadas. O hatch compacto ganhou um visual completamente diferente, com frente geométrica, faróis afilados e assinatura luminosa dividida, em um movimento claro para se alinhar ao gosto estético do consumidor chinês.
A transformação é imediata ao primeiro olhar. Sai o desenho amigável e arredondado, entra uma dianteira angulosa, com recortes marcados e uma barra horizontal ligando os faróis, solução que lembra diversos modelos elétricos e híbridos locais. As luzes principais ficam em módulos separados, mais baixos, criando um conjunto que muitos já descrevem como “cara de carro chinês”.
Não é uma mudança gratuita. O Fit, que sempre foi reconhecido pelo visual discreto e pela funcionalidade, agora precisa chamar atenção em um mercado saturado de lançamentos visualmente ousados. Na China, design é argumento de venda tão forte quanto preço e tecnologia, e a Honda sabe que não pode parecer conservadora em um ambiente dominado por marcas que apostam em linhas futuristas.
Apesar do choque estético, a base do carro continua a mesma. O modelo mantém proporções compactas, mas agora com cerca de 4,17 metros de comprimento, o que o coloca em um patamar próximo ao de hatches médios de alguns anos atrás. A silhueta ainda é de monovolume urbano, com teto alto e boa área envidraçada, mas a nova frente muda completamente a percepção visual.
Por dentro, o Fit segue fiel à sua essência. O painel é simples, com instrumentos digitais de 7 polegadas e central multimídia de 10,1 polegadas, layout funcional e foco em espaço e ergonomia. A dúvida que fica é se os tradicionais bancos Magic Seats, um dos grandes diferenciais do modelo, continuam presentes nessa configuração chinesa.
O conjunto mecânico também não entrou na onda da eletrificação. O hatch permanece com o motor 1.5 aspirado de cerca de 123 cv, acoplado ao câmbio CVT. É um conjunto conhecido, confiável, mas que contrasta com o visual futurista adotado.
A mudança de estilo, portanto, não é apenas estética, mas simbólica. O Fit, que nasceu com alma japonesa, funcional e quase invisível no trânsito, agora assume uma personalidade moldada pelo maior mercado automotivo do mundo. Para alguns, é uma atualização necessária para sobreviver. Para outros, é a perda de um traço de identidade que fazia do modelo algo único.
O fato é que o novo Fit 2026 deixa claro que, na China, tradição pesa menos que adaptação. E, ao adotar um rosto que poderia estar em qualquer vitrine de Xangai ou Pequim, o hatch mostra que também precisou se reinventar para continuar relevante.
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