O segmento de subcompactos perdeu relevância nos últimos anos, mas a Renault decidiu prolongar a vida do Kwid com uma reestilização que tenta recuperar espaço junto ao consumidor final. O modelo a combustão, que convive com a versão elétrica já renovada, foi flagrado na Índia revelando traços herdados do Dacia Spring europeu.
As mudanças visuais evidenciam a estratégia: faróis divididos e luzes diurnas em LED que se conectam ao logotipo da marca por uma barra central branca nas versões mais caras. A frente ganhou presença com grade preta mais ampla, enquanto o desenho geral aproxima o Kwid de modelos globais da Renault.
Por dentro, a aposta é na modernização do ambiente de condução. O painel ficou mais próximo ao que se vê no Kardian e o hatch deverá adotar quadro de instrumentos digital de 7 polegadas em todas as configurações. Nas variantes de topo, a central multimídia de 10 polegadas será o destaque, embora o acabamento continue simples, com plásticos rígidos predominando.
As melhorias em equipamentos podem reduzir a distância entre as variantes elétrica e a combustão. Itens como vidros elétricos traseiros e até seis airbags, já presentes no Spring chinês, devem reforçar a lista do Kwid nacional e indiano, atendendo a demandas por mais segurança.
No entanto, a mecânica não sofre alterações. O hatch segue com motor 1.0 de três cilindros. Na Índia, entrega 68 cv e 9,3 kgfm de torque movido a gasolina, enquanto no Brasil a versão flex chega a 71 cv e 10 kgfm com etanol, mantendo sempre o câmbio manual de cinco marchas. A ausência de novidades técnicas contrasta com a tentativa de modernizar o design e o pacote de equipamentos.
Esse segundo facelift do Kwid também reflete uma dificuldade da Renault em equilibrar apelo popular com custos de produção. Hoje, mais de 90% das vendas do modelo no Brasil estão concentradas em vendas diretas, como para locadoras e frotistas, que oferecem menor rentabilidade em comparação às vendas ao consumidor final.
A Renault aposta que o novo visual e os recursos herdados do elétrico possam devolver algum brilho ao subcompacto. Mesmo sem mudanças na dirigibilidade, o Kwid busca transmitir uma sensação de atualização, aproximando-se de rivais mais caros e tentando se manter relevante em um mercado cada vez mais focado em SUVs compactos e veículos eletrificados.
Fonte: UOL e QuatroRodas.