Brasil já importa mais carros da China que da Argentina e mercado vive transição histórica
Pela primeira vez, o Brasil importou mais automóveis da China do que da Argentina, revelando uma mudança de eixo no comércio automotivo da região. O dado, registrado em agosto, surpreendeu parte do setor pela inversão do histórico protagonismo argentino, ainda maior parceiro nas exportações de veículos brasileiros. A China, por outro lado, não recebe carros do Brasil, reforçando a relação unilateral.
Pontos Principais:
- Brasil importou mais carros da China do que da Argentina em agosto.
- Produção local de GWM, BYD e GM deve reduzir peso das importações.
- Mercado interno cresceu apenas 2,8% nos oito primeiros meses de 2025.
- Elétricos ainda têm baixa aceitação, mas produção nacional pode mudar cenário.
Esse novo quadro, no entanto, tende a ser temporário. A partir dos próximos meses, a instalação de fábricas da Great Wall Motors (GWM) e da BYD no território nacional, além da reativação de uma linha da GM no Ceará com a Comexport, deve reequilibrar o fluxo. A produção local começará pelo sistema SKD, em que os veículos chegam semidesmontados e são apenas montados no país. Inicialmente, o índice de nacionalização será baixo, mas crescerá gradualmente.

Enquanto a pauta comercial sofre mudanças, o mercado interno de veículos também enfrenta suas próprias oscilações. Nos oito primeiros meses do ano, foram emplacados 1,668 milhão de unidades, número apenas 2,8% superior ao do mesmo período do ano passado. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) atribui o ritmo moderado às taxas de juros elevadas, que encarecem o crédito e reduzem o apetite por financiamentos.
Apesar da lentidão, a entidade mantém a projeção de crescimento de 5% nas vendas para 2025 em relação a 2024. O otimismo se ancora na tradição do segundo semestre, período em que o setor costuma registrar melhores resultados. Mesmo assim, o segmento de caminhões já apresenta retração, enquanto o programa “Carro Sustentável” tem sustentado parte da demanda, especialmente para modelos populares com maior apelo ambiental.
Os carros habilitados no programa registraram crescimento de 26% nas vendas em comparação ao ano anterior. Porém, são modelos de baixa margem de lucro para as montadoras, o que limita o entusiasmo da indústria. A iniciativa tem prazo de validade: terminará em 2026, quando começará a reforma tributária com a extinção do IPI.
Do ponto de vista da matriz energética dos veículos vendidos, os dados reforçam a predominância do flex, responsável por 74,8% das vendas de automóveis e comerciais leves. Gasolina, híbridos, híbridos plug-in e elétricos seguem com participação tímida. Os elétricos, em especial, passaram de 2,5% para apenas 2,9% do mercado, mesmo beneficiados por subsídios indiretos via isenção de imposto de importação.
A expectativa é de que a nacionalização da produção, sobretudo de marcas chinesas, possa impulsionar a aceitação de elétricos e híbridos no país. A BYD, por exemplo, já se consolidou como líder entre as fabricantes chinesas no Brasil. A combinação de investimento em fábricas locais e maior escala de vendas pode abrir espaço para preços mais competitivos e, consequentemente, maior penetração no mercado.
Fonte: Terra, Agenciabrasil e Webmotors.


































