Chery articula três fábricas no Brasil e redefine estratégia automotiva nacional até 2026 para Omoda, Jaecoo e Jetour
Em uma movimentação ambiciosa e estratégica, o Grupo Chery avança para consolidar no Brasil um polo automotivo com até três fábricas dedicadas às marcas Omoda, Jaecoo e Jetour. Em evento recente, Hu Peng, country manager da operação local, revelou que a matriz chinesa estuda reativar unidades existentes e adquirir instalações já prontas — entre elas, Jacareí (SP), Anápolis (GO) e Itatiaia (RJ).
Pontos Principais:
- Chery planeja até três fábricas no Brasil para Omoda, Jaecoo e Jetour.
- Estrutura será compartilhada, mas operações manterão identidade própria.
- Locais estudados: Jacareí (SP), Anápolis (GO) e Itatiaia (RJ).
- Produção local visará aproveitar incentivos fiscais como IPI Verde.
- Previsão de início: 2026, com impacto no mercado importado e licitações.
O plano não é simplesmente replicar produção à brasileira: as fábricas podem ser compartilhadas entre as marcas, porém cada uma atuará com redes comerciais, equipes e identidade própria. A proposta é semelhante ao modelo da Stellantis, mas com autonomia total para definição de comunicação, posicionamento e estratégias regionais. Ainda segundo Hu, a urgência da implantação interfere diretamente nos valores das negociações — o custo elevado de instalações prontas pode pesar no lançamento.

A lógica por trás dessa estratégia visa reduzir dependência de importações, viabilizar o uso de incentivos como o IPI Verde e tornar os modelos híbridos e elétricos mais competitivos. Para 2026, a previsão é de que a produção já esteja em curso, potencializando a entrada desses veículos no mercado local com vantagem fiscal e escala reduzida.
Do ponto de vista industrial, a escolha de locais é estratégica. A unidade de Jacareí, antiga base da Chery, surge como opção natural para reativação; Anápolis abriga hoje operações da CAOA Chery e pode receber expansão; já Itatiaia, com produção reduzida da Jaguar Land Rover, oferece estrutura ociosa que pode ser aproveitada. As negociações ainda não estão finalizadas, e Hu Peng evita confirmar nomes e prazos, citando que valores pedidos por propriedades atuais continuam elevados.
No plano prático, essa movimentação poderá reconfigurar o mercado automotivo nacional. Marcas importadas perdem terreno frente a montadoras que investem localmente, enquanto políticas públicas de incentivo ganham protagonismo. Ainda, com produção local, o Grupo Chery poderá atender exigências de conteúdo nacional para vendas governamentais e frotistas — uma meta recorrente em licitações públicas.
Se o cronograma for cumprido, 2026 marca o início da transformação: o país deixa de ser apenas mercado consumidor e passa a compor parte ativa da cadeia automotiva mundial para essas marcas chinesas. Essa virada representa mais do que estratégia comercial — é um movimento com potencial para alterar paradigmas da indústria nacional.
Fonte: UOL.


































