Harley-Davidson aposta em motos baratas para tentar recuperar mercado global

A Harley-Davidson enfrenta queda nas vendas e aposta em uma nova moto compacta e barata chamada Sprint, prevista para 2026. O modelo deve custar cerca de US$ 6 mil (R$ 32,5 mil) e mira novos públicos.
Publicado por em Harley-Davidson e Negócios dia | Atualizado em

Siga o Carro.blog.br no Google e receba notícias automotivas exclusivas!

A Harley-Davidson atravessa um momento delicado em sua trajetória. Tradicionalmente conhecida por motocicletas de grande porte e preços elevados, a marca americana reconhece que essa estratégia comercial a levou a um impasse. Com queda de volume de vendas, a fabricante decidiu apostar em uma solução que parecia distante de seu DNA: motos pequenas e acessíveis.

Pontos Principais:

  • A Harley-Davidson enfrenta queda nas vendas ao focar apenas em modelos caros.
  • A nova moto Sprint terá preço estimado de US$ 6 mil, cerca de R$ 32,5 mil.
  • O modelo resgata um nome dos anos 60, mas é totalmente novo.
  • A produção deve seguir o exemplo das X350 e X500, fora dos EUA.

O projeto que simboliza essa guinada é a Sprint, programada para estrear em 2026. O preço estimado é de US$ 6 mil, equivalente a cerca de R$ 32,5 mil, valor que a coloca em um patamar próximo de algumas das motocicletas mais populares no Brasil. Com esse lançamento, a marca busca dialogar com um público que antes não tinha acesso às motos pesadas de Milwaukee.

A Harley-Davidson enfrenta queda nas vendas e aposta em um novo caminho: lançar motos pequenas e baratas para recuperar espaço perdido.
A Harley-Davidson enfrenta queda nas vendas e aposta em um novo caminho: lançar motos pequenas e baratas para recuperar espaço perdido.

A decisão não é isolada. Kolja Rebstock, vice-presidente de mercados internacionais da Harley-Davidson, foi direto ao afirmar que a empresa perdeu mercado quando descontinuou a linha Sportster. O novo desafio é criar um produto que ofereça benefícios sem abrir mão da identidade da marca, mas que ao mesmo tempo atraia novos motociclistas em escala global.

A Sprint não será uma simples reedição de projetos do passado, como a Street 750 — fracasso comercial de uma década atrás. Em vez disso, resgata o nome de um modelo da década de 1960, desenvolvido em parceria com a italiana Aermacchi. Naquela época, as motos Sprint marcaram presença em pistas de terra, e agora a expectativa é que conquistem espaço nas concessionárias ao redor do mundo.

Apesar da expectativa, a empresa ainda não divulgou dados técnicos nem confirmou o local de fabricação. A estratégia, contudo, deve repetir o caminho adotado em outras linhas recentes, como as X350 e X500: produção fora dos Estados Unidos, possivelmente na Tailândia, ou até mesmo em colaboração com uma parceira chinesa. Essa descentralização industrial já se tornou parte do modelo de negócios da Harley para mercados emergentes.

O lançamento da Sprint, no entanto, não significa apenas uma aposta no preço. Representa também uma tentativa de recuperar a imagem de marca democrática, acessível e próxima dos novos motociclistas. Ao abrir mão de parte do elitismo que cultivou com seus modelos de alta cilindrada, a Harley busca se reinventar em um mercado competitivo dominado por fabricantes japonesas e, cada vez mais, por chinesas.

Com a chegada prevista para 2026, a Sprint simboliza o esforço de reaproximação com as massas, algo que pode redefinir a Harley-Davidson nos próximos anos. Mais do que uma motocicleta, ela representa um teste para o futuro da companhia, que precisa equilibrar tradição e adaptação a novos tempos.

Fonte: Terra e Motociclismoonline.

Alan Corrêa
Alan Corrêa
Jornalista automotivo (MTB: 0075964/SP) e analista de mercado. Especialista em traduzir a engenharia de lançamentos e monitorar a desvalorização de usados. No Carro.Blog.br, assina testes técnicos e guias de compra com foco em durabilidade e custo-benefício.