Durante anos, a fábrica de Itatiaia simbolizou um projeto ambicioso. Quando foi inaugurada em 2016, a unidade colocou o Brasil em uma posição rara dentro da estratégia global da Jaguar Land Rover. Pela primeira vez, a fabricante britânica produzia veículos fora do Reino Unido. Dez anos depois, esse capítulo parece estar chegando ao fim.
A operação segue funcionando normalmente até o encerramento de junho, mas o futuro da planta já desperta atenção dentro da indústria automotiva. Nos bastidores, cresce a expectativa de que a unidade passe para as mãos da Omoda & Jaecoo, marca chinesa que acelera seus planos de expansão no mercado brasileiro.
O complexo industrial recebeu investimentos superiores a R$ 1 bilhão e nasceu com capacidade para produzir até 24 mil veículos por ano. A estrutura foi planejada para atender o mercado brasileiro e também exportações regionais, tornando-se a única fábrica da Jaguar Land Rover em toda a América Latina.
Questionada sobre o assunto, a empresa confirmou apenas que a produção segue normalmente durante junho, sem divulgar detalhes sobre eventuais mudanças previstas para os próximos meses.
O cenário, porém, acompanha uma transformação global da companhia. Nos últimos anos, a Jaguar Land Rover passou a concentrar esforços em rentabilidade, simplificação operacional e produtos de maior valor agregado.
Os resultados comerciais mostram um mercado bastante restrito para os modelos produzidos localmente.
Mesmo somando possíveis exportações, os volumes ficaram distantes da capacidade instalada da fábrica. Em um setor onde escala costuma determinar a viabilidade das operações, a conta se torna cada vez mais difícil.
Enquanto uma fabricante reduz sua presença industrial, outra busca exatamente o caminho oposto. A Omoda & Jaecoo já havia definido a produção nacional como prioridade estratégica. O ponto que faltava era encontrar uma base industrial pronta para iniciar as operações rapidamente.
A possível aquisição de Itatiaia resolve esse desafio. Executivos da empresa já haviam indicado que diferentes alternativas estavam sendo avaliadas para viabilizar a fabricação local, revelou o UOL.
Caso a transação seja confirmada, os primeiros veículos produzidos devem focar segmentos de grande volume. Entre os candidatos está o futuro Omoda 4, crossover compacto previsto para disputar espaço em uma das categorias mais importantes do mercado brasileiro. O projeto contempla versões com motor 1.0 turboflex e também sistema híbrido HEV.
Em uma segunda etapa, SUVs híbridos e híbridos plug-in da linha Jaecoo também aparecem entre os modelos cotados para ocupar as linhas de montagem. Se isso acontecer, a mesma fábrica que nasceu para produzir SUVs britânicos de luxo poderá iniciar uma nova fase voltada à expansão das marcas chinesas no Brasil já nos próximos meses.