O governo mexicano anunciou uma mudança radical em sua política tarifária ao aumentar para 50% os impostos sobre veículos vindos da China. A decisão, já aprovada de forma prévia pelo Congresso, representa uma tentativa de frear a expansão de marcas asiáticas que ganharam força nos últimos anos no país. Antes dessa alteração, a alíquota variava entre 15% e 20%.
Mesmo com um parque automotivo robusto, formado por empresas globais como Nissan, Volkswagen, Ford e Stellantis, o México viu crescer a presença de carros chineses no mercado doméstico. Modelos mais acessíveis, de marcas como BYD e Chery, começaram a competir diretamente com as montadoras tradicionais, atraindo consumidores pelo custo reduzido e pelo avanço em eletrificação e conectividade.
O impacto sobre o mercado de trabalho também foi apontado como justificativa. O setor automotivo mexicano emprega cerca de 5 milhões de pessoas e vinha registrando retração no número de postos pela primeira vez em uma década. O governo argumenta que as novas barreiras são essenciais para preservar empregos e estimular a produção local, que estava sendo deslocada por importações de entrada mais barata.
Outro ponto central da medida é a tentativa de renegociar aspectos do T-MEC, acordo que regula as relações comerciais entre México, Estados Unidos e Canadá. A proposta busca reforçar as regras de localização industrial, exigindo maior participação de peças e insumos nacionais nos veículos produzidos, de modo a proteger cadeias locais de fornecimento.
As tarifas não se restringem apenas a automóveis. O pacote inclui mais de 1.400 categorias de produtos que também serão taxadas, como componentes automotivos, baterias, eletrônicos e até itens de consumo popular como brinquedos e motocicletas. O objetivo é frear a dependência de importados e garantir espaço competitivo para a indústria doméstica.
O movimento ocorre após um período de crescimento acelerado das importações chinesas. Nos últimos anos, marcas como BYD, que recentemente expôs no Brasil o SUV Song Pro 2026, e Chery, com modelos como o Tiggo 7, consolidaram presença em diversos mercados latino-americanos. Submarcas de gigantes globais, como a Baojun da General Motors, também foram usadas como porta de entrada de modelos fabricados na Ásia.
Com essa decisão, o México sinaliza ao mesmo tempo uma defesa de seu mercado interno e uma estratégia política para reposicionar sua indústria diante das mudanças globais no setor automotivo. O efeito imediato deve ser o encarecimento dos carros chineses, mas a longo prazo o país aposta em recuperar a competitividade e fortalecer a produção nacional como resposta à ofensiva das montadoras asiáticas.