México eleva imposto para carros chineses e pressiona BYD e Chery no mercado local

O México elevou de 20% para 50% as tarifas sobre carros chineses, afetando marcas como BYD e Chery. Medida busca proteger empregos, rever o T-MEC e restringir importações de mais de 1.400 produtos.
Publicado por em Mundo e Negócios dia
México eleva imposto para carros chineses e pressiona BYD e Chery no mercado local

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O governo mexicano anunciou uma mudança radical em sua política tarifária ao aumentar para 50% os impostos sobre veículos vindos da China. A decisão, já aprovada de forma prévia pelo Congresso, representa uma tentativa de frear a expansão de marcas asiáticas que ganharam força nos últimos anos no país. Antes dessa alteração, a alíquota variava entre 15% e 20%.

Pontos Principais:

  • México aumenta impostos para carros chineses de 20% para 50%.
  • Medida atinge marcas como BYD e Chery, que cresciam no país.
  • Setor automotivo emprega 5 milhões de pessoas, em queda recente.
  • Mais de 1.400 produtos, incluindo peças e baterias, também serão taxados.
  • Objetivo é proteger empregos e renegociar regras do T-MEC.

Mesmo com um parque automotivo robusto, formado por empresas globais como Nissan, Volkswagen, Ford e Stellantis, o México viu crescer a presença de carros chineses no mercado doméstico. Modelos mais acessíveis, de marcas como BYD e Chery, começaram a competir diretamente com as montadoras tradicionais, atraindo consumidores pelo custo reduzido e pelo avanço em eletrificação e conectividade.

Os novos impostos elevam a tarifa de importação de veículos chineses de até 20% para 50%, medida que busca proteger empregos e reequilibrar a competitividade do setor automotivo.
Os novos impostos elevam a tarifa de importação de veículos chineses de até 20% para 50%, medida que busca proteger empregos e reequilibrar a competitividade do setor automotivo.

O impacto sobre o mercado de trabalho também foi apontado como justificativa. O setor automotivo mexicano emprega cerca de 5 milhões de pessoas e vinha registrando retração no número de postos pela primeira vez em uma década. O governo argumenta que as novas barreiras são essenciais para preservar empregos e estimular a produção local, que estava sendo deslocada por importações de entrada mais barata.

Outro ponto central da medida é a tentativa de renegociar aspectos do T-MEC, acordo que regula as relações comerciais entre México, Estados Unidos e Canadá. A proposta busca reforçar as regras de localização industrial, exigindo maior participação de peças e insumos nacionais nos veículos produzidos, de modo a proteger cadeias locais de fornecimento.

As tarifas não se restringem apenas a automóveis. O pacote inclui mais de 1.400 categorias de produtos que também serão taxadas, como componentes automotivos, baterias, eletrônicos e até itens de consumo popular como brinquedos e motocicletas. O objetivo é frear a dependência de importados e garantir espaço competitivo para a indústria doméstica.

O movimento ocorre após um período de crescimento acelerado das importações chinesas. Nos últimos anos, marcas como BYD, que recentemente expôs no Brasil o SUV Song Pro 2026, e Chery, com modelos como o Tiggo 7, consolidaram presença em diversos mercados latino-americanos. Submarcas de gigantes globais, como a Baojun da General Motors, também foram usadas como porta de entrada de modelos fabricados na Ásia.

Com essa decisão, o México sinaliza ao mesmo tempo uma defesa de seu mercado interno e uma estratégia política para reposicionar sua indústria diante das mudanças globais no setor automotivo. O efeito imediato deve ser o encarecimento dos carros chineses, mas a longo prazo o país aposta em recuperar a competitividade e fortalecer a produção nacional como resposta à ofensiva das montadoras asiáticas.

Fonte: Poder360, CNN e R7.

Alan Corrêa
Alan Corrêa
Jornalista automotivo (MTB: 0075964/SP) e analista de mercado. Especialista em traduzir a engenharia de lançamentos e monitorar a desvalorização de usados. No Carro.Blog.br, assina testes técnicos e guias de compra com foco em durabilidade e custo-benefício.