Mino Carta e a sua revolução automotivo na Quatro Rodas; jornalismo morreu hoje aos 91 anos

Aos 91 anos, Mino Carta deixa um legado que vai além da política e da cultura. Como fundador da Quatro Rodas, transformou a forma de falar de carros no Brasil e abriu caminho para uma imprensa mais crítica e moderna.
Publicado por em Negócios dia | Atualizado em

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Quando a editora Abril decidiu lançar uma revista voltada para o universo automotivo em 1960, foi Mino Carta o escolhido para assumir a direção. Jovem, recém-chegado da Itália, ele trouxe para a Quatro Rodas uma visão inédita: transformar o carro em pauta de jornalismo sério, com testes, análises e reportagens investigativas, em vez de simples catálogos de lançamentos.

Pontos Principais:

  • Mino Carta dirigiu a Quatro Rodas e criou testes comparativos inéditos no Brasil.
  • O trabalho ajudou a profissionalizar a indústria automotiva e informar consumidores.
  • Foi responsável pela criação de Veja, IstoÉ, CartaCapital e Jornal da Tarde.
  • Recebeu reconhecimento nacional e internacional por sua contribuição à imprensa.

Sob sua liderança, a Quatro Rodas inaugurou os primeiros testes comparativos do país, analisando desempenho, consumo e conforto de diferentes modelos, algo até então inédito. Esse padrão elevou o nível de informação disponível ao consumidor e obrigou montadoras a oferecerem mais transparência e qualidade em seus produtos. O leitor passou a enxergar o automóvel como investimento e estilo de vida, não apenas como máquina.

Na Quatro Rodas, Mino Carta foi o primeiro diretor de redação, escolhido por Victor Civita para comandar a revista em 1960, quando tinha apenas 27 anos.
Na Quatro Rodas, Mino Carta foi o primeiro diretor de redação, escolhido por Victor Civita para comandar a revista em 1960, quando tinha apenas 27 anos.

O impacto foi imediato no mercado. Fabricantes, importadores e concessionárias passaram a entender que seus produtos seriam avaliados com rigor e que o consumidor teria acesso a informações confiáveis antes da compra. Essa mudança ajudou a profissionalizar a indústria automotiva nacional, incentivando concorrência e inovação, num momento em que o Brasil vivia a expansão da produção local de veículos.

Após consolidar a Quatro Rodas como referência, Mino Carta expandiu sua atuação para outros segmentos da imprensa. Participou da criação do Jornal da Tarde, em 1966, e esteve no lançamento de revistas que se tornariam pilares do jornalismo brasileiro, como a Veja em 1968, a IstoÉ em 1976 e, finalmente, a CartaCapital em 1994, que dirigiu até o fim da vida.

Sua carreira foi marcada pela ousadia de lançar publicações inovadoras e de formar equipes de talentos que transformaram a narrativa jornalística no país. Mesmo sem ter concluído curso superior, foi reconhecido com o título de doutor honoris causa pela Faculdade Cásper Líbero e recebeu prêmios importantes, como o de Jornalista Brasileiro de Maior Destaque da ACIE em 2006.

A morte de Mino Carta, aos 91 anos, encerra um ciclo que começa na redação de uma revista de carros e atravessa seis décadas de história da imprensa brasileira. Sua contribuição para o jornalismo automotivo foi a base para que o setor se tornasse mais transparente, competitivo e próximo do público, provando que o automóvel também podia ser tema de jornalismo de alta qualidade.

Fonte: Oglobo, Fusne e CNN.

Alan Corrêa
Alan Corrêa
Jornalista automotivo (MTB: 0075964/SP) e analista de mercado. Especialista em traduzir a engenharia de lançamentos e monitorar a desvalorização de usados. No Carro.Blog.br, assina testes técnicos e guias de compra com foco em durabilidade e custo-benefício.