O vendaval que atingiu Porto Feliz expôs a fragilidade de uma das operações industriais mais importantes do Brasil. A fábrica de motores da Toyota, responsável pelo abastecimento de veículos produzidos em Sorocaba e Indaiatuba, teve parte da estrutura arrancada pela força dos ventos que chegaram a 90 km/h. Mais de 800 trabalhadores foram diretamente afetados pela paralisação, embora a empresa tenha assegurado a manutenção dos empregos.
A dimensão da destruição impressiona. Telhas metálicas foram arremessadas a quilômetros de distância, enquanto funcionários buscavam refúgio improvisado entre máquinas para escapar dos estilhaços. Ao menos 30 pessoas ficaram feridas, todas sem gravidade. O cenário de calamidade obrigou o município a decretar estado de emergência, reforçando o impacto do fenômeno climático classificado pela Defesa Civil como microexplosão.
O efeito imediato foi a interrupção das linhas de montagem em Sorocaba, que empregam 4,5 mil pessoas e são responsáveis pela produção de veículos vendidos no mercado nacional e em exportações. A dependência direta da fábrica de Porto Feliz deixou a operação sem alternativas locais, levando à suspensão por tempo indeterminado.
Em meio ao impasse, a Toyota iniciou negociações com o sindicato dos metalúrgicos de Itu e Sorocaba. A pauta gira em torno de férias coletivas e suspensão temporária de contratos, medidas vistas como inevitáveis para atravessar os próximos meses. A empresa insiste que a prioridade é a segurança dos trabalhadores e a reconstrução da planta, mas a normalidade só deve ser atingida em 2026.
Ao mesmo tempo, a direção da montadora busca soluções no exterior. Unidades da Toyota em outros países podem fornecer motores, numa tentativa de reduzir o tempo de paralisação em Sorocaba e Indaiatuba. Essa estratégia mostra como a companhia se movimenta para não perder espaço em um mercado cada vez mais competitivo, enquanto rivais mantêm o ritmo de produção.
As imagens captadas de dentro da fábrica mostram corredores devastados e maquinário exposto. Parte dos funcionários se refugiou em áreas industriais, registrando cenas que revelam a vulnerabilidade da estrutura diante de fenômenos extremos. Veículos estacionados nas imediações também ficaram destruídos, reforçando a gravidade do evento.
O episódio levanta questões sobre resiliência da indústria frente às mudanças climáticas. Com ventos capazes de destruir telhados inteiros e comprometer linhas de produção, o setor automotivo brasileiro se vê obrigado a rever estratégias de segurança, proteção de ativos e garantias de continuidade produtiva em situações de risco.
Fonte: G1, Toyotacomunica e Agenciabrasil.