Xi Jinping alerta para risco de colapso na indústria de carros elétricos após queda histórica nos preços

Concorrência extrema derrubou preços de carros elétricos na China, levando Xi Jinping a propor medidas para evitar prejuízos e fechamentos de fabricantes.
Publicado por em Negócios dia

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A China, líder mundial na produção e venda de carros elétricos, enfrenta um cenário inusitado. O excesso de concorrência e a entrada constante de novas marcas reduziram os preços a patamares mínimos, comprometendo a rentabilidade das fabricantes e gerando preocupação no governo.

Pontos Principais:

  • Concorrência intensa derruba preços de carros elétricos na China.
  • Xi Jinping alerta para risco de colapso na indústria automotiva.
  • Margens de lucro mínimas afetam até grandes fabricantes como a BYD.
  • Governo estuda preço mínimo e prioridade para mercado interno.

O presidente Xi Jinping demonstrou inquietação com a situação e defendeu a adoção de medidas para preservar a saúde financeira do setor. A avaliação é de que a “guerra de preços” ameaça a sustentabilidade das empresas, que já operam com margens de lucro muito estreitas e, em alguns casos, inexistentes.

A China lidera o mercado global de carros elétricos, mas enfrenta queda histórica de preços devido à intensa concorrência interna e ao surgimento constante de novas marcas.
A China lidera o mercado global de carros elétricos, mas enfrenta queda histórica de preços devido à intensa concorrência interna e ao surgimento constante de novas marcas.

Dados apontam que, em 2025, os preços caíram em média 17% em relação ao ano anterior, que já havia registrado queda de 8% frente a 2023. A sequência de reduções, embora positiva para o consumidor, pressiona os cofres das montadoras e pode levar ao fechamento de empresas em poucos meses.

Entre os exemplos citados está a BYD, que comercializa o modelo Seagull por 55.800 yuans (cerca de 6.700 euros), valor significativamente inferior ao praticado em mercados como o europeu. Apesar da percepção de alta lucratividade, quase 50 fabricantes reportam lucros nulos, o que indica fragilidade generalizada.

O excesso de produção também é um fator crítico. Segundo a Bloomberg, algumas fábricas operam com apenas 2% de utilização de capacidade, resultado de investimentos superiores à demanda interna. Esse cenário gera desperdícios e eleva o risco de prejuízos em larga escala.

Diante desse panorama, o governo chinês avalia medidas como a criação de um preço mínimo de venda e a definição de margens de lucro obrigatórias. Outra possibilidade seria priorizar o mercado interno, reduzindo o foco nas exportações para equilibrar oferta e demanda.

A análise oficial considera que a continuidade da atual política de preços pode provocar uma regressão tecnológica e industrial, freando o avanço conquistado nos últimos anos. As discussões seguem em curso e novas determinações podem ser anunciadas nas próximas semanas.

Fonte: UOL e QuatroRodas.

Alan Corrêa
Alan Corrêa
Jornalista automotivo (MTB: 0075964/SP) e analista de mercado. Especialista em traduzir a engenharia de lançamentos e monitorar a desvalorização de usados. No Carro.Blog.br, assina testes técnicos e guias de compra com foco em durabilidade e custo-benefício.