SUV da Honda é revendido até R$ 16 mil mais caro em lojas multimarcas

Lojas independentes vendem o WR-V até R$ 16 mil acima da tabela após fila de espera e oferta lenta, enquanto o SUV cresce no segmento, traz motor 1.5, consumo definido e pacote robusto.
Publicado por em Mercado Automotivo dia

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O novo Honda WR-V mal chegou às concessionárias e já aparece inflacionado no mercado paralelo, fenômeno que expõe a combinação de fila de espera, oferta limitada e demanda aquecida no segmento de SUVs compactos. Algumas lojas independentes pedem até R$ 165.990 por uma unidade, valor mais de R$ 16 mil acima da tabela oficial. A prática ganhou força porque o modelo, lançado em novembro, ainda chega em ritmo gradual à rede da Honda, o que abriu espaço para revendedores que colocam preço acima da tabela.

Pontos Principais:

  • WR-V é lançado no país e já aparece com ágio de até R$ 16 mil nas lojas independentes.
  • Oferta limitada e fila de espera de até 60 dias elevam a busca imediata pelo SUV.
  • Modelo usa motor 1.5 flex de 126 cv, com 8,2 km/l a 12,8 km/l nas medições oficiais.
  • Versões EX e EXL entregam pacote amplo, espaço interno destacado e porta malas de 458 litros.
WR-V chega às lojas com oferta curta, ágio de até R$ 16 mil e consumo definido, reforçando disputa no segmento enquanto versões EX e EXL avançam com pacote amplo e motor 1.5.
WR-V chega às lojas com oferta curta, ágio de até R$ 16 mil e consumo definido, reforçando disputa no segmento enquanto versões EX e EXL avançam com pacote amplo e motor 1.5.

O movimento fica evidente ao comparar o comportamento dentro e fora da rede autorizada. Concessionárias mantêm valores próximos ao sugerido, cobrando apenas o adicional da pintura metálica. Revendas multimarcas, sem compromisso com a política comercial da fabricante, ofertam o SUV por cifras muito mais altas, revelou a AutoEsporte. A consequência é imediata, consumidores enfrentam espera de até 60 dias ou pagam mais para levar o carro na hora, realidade comum em lançamentos com procura elevada.

O posicionamento do WR-V ajuda a explicar o cenário. Produzido em Itirapina, o SUV concorre com Renault Kardian, Volkswagen Tera e o recém lançado Nissan Kait, todos na faixa dos R$ 150 mil, e chega para preencher a lacuna entre modelos urbanos e SUVs maiores da Honda. O carro deixou de ser derivado do Fit e passou a ter proporções definidas de SUV, com 4,31 m de comprimento e porta malas de 458 litros, números que superam inclusive o HR-V e o ZR-V.

A estrutura foi revisada para o mercado brasileiro. O WR-V usa plataforma compartilhada com o City, recebeu subchassi reforçado, isolamento acústico aprimorado e novos componentes de suspensão. O conjunto mecânico segue a lógica da marca, motor 1.5 flex de 126 cv e câmbio CVT com sete marchas simuladas, o mesmo de City e HR-V EX e EXL. No consumo, as medições do Inmetro registram 8,2 km/l na cidade e 8,9 km/l na estrada com etanol e 12 km/l no ciclo urbano e 12,8 km/l no rodoviário com gasolina.

O pacote de equipamentos ajuda a consolidar o posicionamento. A versão EX traz seis airbags, controles de estabilidade e tração, frenagem autônoma, central multimídia de 10”, painel digital de 7”, ar condicionado automático e rodas de 17”. A EXL adiciona revestimentos de couro, barras de teto, carregador por indução e o aplicativo myHonda Connect, ampliando a percepção de valor.

À medida que a produção ganhar ritmo, a tendência é que o mercado se reorganize. Por enquanto, o WR-V ocupa o típico limbo de um SUV recém lançado com procura alta, preço competitivo e estoques curtos, combinação que alimenta a revenda acima da tabela e explica por que o modelo já figura entre os mais disputados do país.

Alan Corrêa
Alan Corrêa
Jornalista automotivo (MTB: 0075964/SP) e analista de mercado. Especialista em traduzir a engenharia de lançamentos e monitorar a desvalorização de usados. No Carro.Blog.br, assina testes técnicos e guias de compra com foco em durabilidade e custo-benefício.