A BYD está preparando para o Brasil um SUV de quase quatro toneladas, capaz de flutuar na água, girar no próprio eixo e acelerar como um superesportivo, mas o detalhe que mais impressiona nessa história é que ele será vendido ao lado de um cupê elétrico de mais de 1.300 cv, numa nova marca de luxo que estreia no país em 2027.
A fabricante chinesa já vende carros elétricos e híbridos no mercado brasileiro, mas agora pretende disputar clientes acostumados a marcas como Bentley, Rolls-Royce, Aston Martin e McLaren, com a chegada da Yangwang, divisão de superluxo posicionada acima da Denza e com concessionárias próprias, sem dividir espaço com os modelos da outra marca.

A estreia terá dois protagonistas, o Yangwang U8 e o Yangwang U9, que já apareceram no Brasil em eventos de divulgação, mas agora fazem parte de um plano comercial para 2027, com preços que ainda não foram anunciados e expectativa de ultrapassar R$ 1 milhão, enquanto os modelos da Denza são vendidos atualmente entre R$ 400 mil e R$ 750 mil.
O U8 parece ter saído de uma garagem onde alguém resolveu construir um veículo sem se preocupar com tamanho ou peso, pois são 5,32 metros de comprimento, mais de dois metros de largura, 3,05 metros de distância entre os eixos e aproximadamente 3.500 kg, medidas que colocam o SUV entre os automóveis de maior porte previstos para o mercado brasileiro.

Debaixo dessa carroceria enorme existe uma combinação pouco comum, formada por quatro motores elétricos, um para cada roda, e um motor 2.0 turbo a gasolina que trabalha como gerador de energia, entregando 1.197 cv e 130 kgfm de torque, números suficientes para levar um veículo desse tamanho de 0 a 100 km/h em apenas 3,6 segundos.

O motorista também consegue fazer o U8 girar praticamente parado, porque cada roda recebe força de maneira independente, recurso que parece truque de cinema quando um automóvel com mais de cinco metros começa a mudar de direção sem precisar percorrer uma curva convencional.

Mas o recurso que tornou o U8 conhecido fora da China aparece quando o asfalto desaparece debaixo da água, pois o SUV consegue flutuar por cerca de 30 minutos em uma situação de emergência, usando seus motores para se movimentar enquanto tenta atravessar um trecho alagado, embora essa capacidade não transforme o automóvel em uma embarcação para passeios.
A chegada desse gigante também dependia de uma mudança na legislação brasileira, já que o peso bruto total do U8 se aproxima de 4.000 kg e ultrapassava o antigo limite de 3.500 kg permitido para motoristas com CNH de categoria B, o que exigiria uma habilitação de categoria C para conduzi-lo.

Com a ampliação do limite de peso bruto total para 4.250 kg nos veículos elétricos e híbridos plug-in abrangidos pela nova regra, a fabricante passou a ter condições de vender o modelo sem exigir que seus futuros compradores mudem de categoria de habilitação apenas por causa do peso do automóvel.
Enquanto o U8 aposta no tamanho e em recursos que parecem impossíveis para um SUV, o U9 segue outro caminho, com carroceria baixa, dois lugares e quatro motores elétricos que somam 1.306 cv e 160 kgfm de torque, permitindo acelerar de 0 a 100 km/h em 2,4 segundos e ultrapassar os 300 km/h.

O esportivo também utiliza a suspensão ativa DiSus-X, capaz de controlar os movimentos da carroceria de maneira independente e executar demonstrações pouco comuns, como levantar as rodas do chão em um salto e continuar se movimentando com apenas três pneus tocando o piso.
A BYD pretende manter o nome Yangwang mesmo fora da China, apesar da dificuldade de pronúncia para parte dos consumidores brasileiros, pois a palavra significa “olhar para cima” em mandarim e foi escolhida para representar a ambição da divisão de luxo, diferente da estratégia adotada com a Fangchengbao, cujos produtos passaram a usar a marca Denza em outros mercados.

O plano de abrir concessionárias exclusivas em 2027 mostra que a fabricante não pretende apenas colocar dois automóveis caros em seu catálogo, mas criar uma operação para compradores que já conhecem carros milionários e esperam atendimento próprio, acabamento sofisticado e tecnologias que não encontram nos modelos convencionais.
Resta saber como o público brasileiro vai receber uma marca chinesa que pretende cobrar mais de R$ 1 milhão por automóveis capazes de acelerar como carros de corrida, girar parados, saltar e até flutuar, especialmente quando os nomes Bentley, Rolls-Royce e McLaren já ocupam há décadas as garagens de quem pode pagar por esse nível de luxo.


