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Depois de transformar o EX2 em seu principal elétrico no Brasil e liderar vendas na China, Geely testa um novo hatch menor que pode levar a disputa com o BYD Dolphin Mini para uma faixa ainda mais barata

Novo Geely E211 será um hatch elétrico menor que o EX2 e pode disputar espaço com o BYD Dolphin Mini, com projeto urbano, possível tração traseira e estreia

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A Geely mal colocou o EX2 entre os elétricos mais vendidos quando decidiu abrir outra frente contra a BYD, só que desta vez em um degrau ainda mais barato, porque enquanto o Dolphin Mini cresce para tentar ocupar o espaço do EX2, a marca chinesa prepara um hatch menor, mais simples e feito para entrar exatamente onde hoje o pequeno BYD encontra boa parte de seus compradores.

O carro ainda atende pelo código E211 e apareceu rodando em testes na China coberto por camuflagem, mas a forma da carroceria já entrega parte da ideia, com teto alto, capô curto, para-brisa bem inclinado, linhas arredondadas e rodas pequenas, quase como se a Geely tivesse pegado o Xingyuan, vendido no Brasil como EX2, e reduzido suas medidas para criar um elétrico urbano de entrada.

Geely testa um novo elétrico abaixo do EX2 para disputar espaço com o BYD Dolphin Mini, numa faixa de entrada que pode ficar ainda mais concorrida entre as marcas chinesas.

Essa movimentação acontece porque a BYD também está mexendo suas peças, a próxima geração do Dolphin Mini deve crescer bastante na China, onde será chamada de Great Seagull, chegando a 4,20 metros de comprimento, 1,81 metro de largura, 1,57 metro de altura e 2,65 metros de entre-eixos, números que deixam o carro muito mais perto do Geely EX2, que mede 4,13 metros e também tem 2,65 metros entre os eixos.

Na prática, o novo BYD ficará 42,5 centímetros maior que o Dolphin Mini atual e receberá motor elétrico dianteiro de 95 kW, cerca de 129 cv, além de baterias LFP de 30 kWh ou 39,2 kWh, com autonomia anunciada entre 320 km e 420 km no ciclo chinês CLTC, enquanto a chegada dessa nova geração ao Brasil é esperada por volta de 2028, convivendo no começo com o Dolphin Mini atual fabricado em Camaçari, na Bahia.

A resposta da Geely segue o caminho contrário, porque em vez de aumentar seu elétrico pequeno, a marca quer criar um modelo abaixo do EX2 e próximo da faixa ocupada pelo Dolphin Mini atual, colocando o E211 entre o pequeno Geely Panda e o Xingyuan na linha chinesa, em uma área do mercado formada por carros elétricos muito compactos e voltados principalmente para trajetos urbanos.

O E211 apareceu camuflado na China e terá porte menor que o EX2, com carroceria alta, capô curto, teto quase reto e proposta voltada ao trânsito urbano e ao baixo custo.

Mesmo coberto, o protótipo mostra faróis colocados nas extremidades da dianteira e aparentes projetores, embora ainda não seja possível saber se o conjunto final terá LED ou lâmpadas halógenas, enquanto atrás aparecem vidro grande e lanternas colocadas em posição intermediária, deixando uma área envidraçada ampla que pode ajudar na visão de quem estiver dirigindo.

Por dentro, a Geely parece ter escolhido um caminho mais simples do que o EX2, mas não totalmente básico, porque as imagens mostram bancos em dois tons, branco e preto, além de um console central com botões físicos, uma escolha que chama atenção em uma época em que várias marcas escondem quase todos os comandos dentro da tela multimídia.

No interior, o Geely E211 mostra bancos em dois tons e botões físicos no console, uma escolha simples e prática num segmento que costuma levar quase tudo para a tela.

Os bancos dianteiros também abriram espaço para outra dúvida, já que o formato visto no protótipo fez surgir a possibilidade de ventilação para motorista e passageiro, mas esse equipamento ainda não foi confirmado e pode nem chegar às versões mais baratas caso realmente seja oferecido.

O ponto mais curioso aparece embaixo do carro, porque informações divulgadas na China apontam para tração traseira e suspensão independente atrás, duas soluções que colocariam o pequeno Geely em uma configuração mais sofisticada que a do atual Dolphin Mini, que usa motor dianteiro e eixo de torção na traseira.

Esse desenho também deixaria o E211 mais próximo do EX2, que já trabalha com motor elétrico traseiro e suspensão multilink, mas a Geely ainda não revelou oficialmente a plataforma do novo carro e não confirmou potência, tamanho da bateria, autonomia, medidas finais ou preço.

O EX2 chinês ajuda a entender até onde a Geely pode ir, porque usa baterias LFP entre 30,1 kWh e 47,1 kWh e pode alcançar até 480 km no ciclo CLTC, enquanto o E211, por ser menor e ocupar uma posição mais barata, pode receber um conjunto mais simples, pensado para reduzir preço e gasto de energia em deslocamentos urbanos.

A estratégia nasce em um momento importante para a Geely, já que o Xingyuan terminou 2025 como o carro mais vendido da China e passou à frente de modelos de Volkswagen, Tesla e da própria BYD, enquanto no primeiro semestre de 2026 manteve a liderança acumulada com cerca de 244 mil unidades, mesmo tendo sido superado pelo Tesla Model Y em alguns meses.

Em julho, o compacto voltou ao primeiro lugar no mercado chinês e reforçou o peso dos elétricos e híbridos nas vendas locais, enquanto no Brasil o EX2 também ganhou espaço rapidamente, com preço inicial de R$ 123.800 e participação importante para a Geely passar de 10 mil veículos vendidos no país em menos de um ano.

Só em abril, o EX2 registrou 3.602 emplacamentos no Brasil e virou o principal produto da marca por aqui, um resultado que ajuda a explicar por que um elétrico ainda menor pode entrar naturalmente nas conversas sobre uma futura ampliação da linha brasileira.

Chamado Great Seagull na China, o novo Dolphin Mini terá motor dianteiro de 95 kW, cerca de 129 cv, e baterias LFP de 30 kWh ou 39,2 kWh, dependendo da versão.

Por enquanto, porém, o E211 continua sendo um projeto sem nome comercial confirmado, sem data oficial de estreia e sem lista fechada de países onde será vendido, com expectativa de apresentação na China até o fim de 2026 e posição abaixo do Xingyuan e do EX2.

Na Malásia, o projeto já é citado como possível futuro Proton eMas 3, nome registrado pela Proton em 2024, marca controlada pela Geely e que já comercializa versões locais de outros carros chineses do grupo, um sinal de que o E211 pode ter vida fora da China, embora isso ainda não confirme exportação para o Brasil ou qualquer outro mercado.

O Brasil também segue sem anúncio oficial, mas a lógica da disputa já está montada, de um lado a BYD prepara um Dolphin Mini maior para chegar perto do EX2, do outro a Geely prepara um carro menor que o EX2 para entrar justamente no espaço ocupado pelo Dolphin Mini atual, transformando uma briga entre dois modelos em uma disputa por duas faixas diferentes do mercado de elétricos pequenos.

Jornalista automotivo (MTB: 0075964/SP) e analista de mercado. Especialista em traduzir a engenharia de lançamentos e monitorar a desvalorização de usados. No Carro.Blog.br, assina testes técnicos e guias de compra com foco em durabilidade e custo-benefício.

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