O Fiat Argo X parecia estar a poucas semanas de aparecer nas concessionárias brasileiras quando o plano mudou dentro da Stellantis, a produção que era esperada para setembro em Betim, Minas Gerais, saiu do ritmo previsto e empurrou para o fim de 2026 a chegada de um carro que não será apenas uma nova versão do Argo, mas o começo de uma fase completamente diferente para o hatch da Fiat no Brasil.
A nova previsão coloca o lançamento comercial entre novembro e dezembro de 2026, enquanto os protótipos continuam circulando nos arredores do Polo Automotivo Stellantis de Betim, e esses carros camuflados já começaram a mostrar que a Fiat prepara uma família bastante ampla, porque alguns aparecem sem rack de teto e com rodas simples, sinais de que as versões de entrada terão aparência mais básica e serão responsáveis por abrir a gama.

O plano prevê seis versões, três delas com o conhecido motor 1.0 Firefly aspirado e outras três com o 1.0 Turbo 200 flex acompanhado pelo sistema MHEV de 12 volts, assim o comprador encontrará Drive, Audace e Audace Plus entre as opções aspiradas, enquanto Drive, Audace e Impetus formarão a parte mais cara e potente da família.
Nas versões de entrada, o motor 1.0 de três cilindros terá 71 cv com gasolina e 75 cv com etanol, além de torque de 10 kgfm e 10,7 kgfm respectivamente, sempre ligado ao câmbio manual de cinco marchas, uma solução simples que coloca essas configurações como porta de entrada para quem quer o novo projeto sem pagar pelo conjunto turbo e automático.

A mudança maior aparece quando entra o 1.0 Turbo 200 flex, porque esse motor será combinado ao sistema MHEV de 12 volts e entregará 116 cv com gasolina ou etanol, acompanhado por 20,4 kgfm de torque e transmissão automática CVT com sete marchas simuladas, números menores que os 130 cv já usados pelo mesmo 1.0 turbo em Pulse e Fastback devido à nova calibração adotada pela Stellantis.
Apesar da presença de um sistema elétrico, o Argo X não será capaz de rodar sozinho usando eletricidade, o conjunto MHEV trabalha como apoio ao motor a combustão, recupera energia durante desacelerações e ajuda a diminuir consumo e emissões, portanto trata-se de uma eletrificação mais simples que a encontrada nos híbridos capazes de movimentar o carro apenas com o motor elétrico.

O nome Argo pode dar a impressão de que a Fiat apenas decidiu reformar profundamente o hatch lançado em 2017, mas debaixo da carroceria existe outra história, porque o Argo X nasce diretamente do Grande Panda vendido na Europa e utiliza a arquitetura Smart Car da Stellantis, relacionada à plataforma CMP que já serve de base para outros modelos do grupo.
Essa origem também explica por que o carro visto nas ruas parece tão diferente do Argo atual, as linhas arredondadas dão lugar a uma carroceria mais quadrada, o capô fica quase horizontal, as caixas de roda ganham mais destaque e todo o conjunto tenta passar a impressão de um pequeno SUV, mesmo que a Fiat continue tratando o modelo oficialmente como hatch e o coloque no mesmo campo de Volkswagen Polo, Chevrolet Onix e Hyundai HB20.

As proporções devem ficar perto das encontradas no Grande Panda europeu, com aproximadamente 4 metros de comprimento e 2,54 metros de entre-eixos, medidas que aproximam o novo Fiat de carros como o Citroën C3 e ajudam a explicar por que o Argo X aparenta ser maior e mais alto que o Argo conhecido atualmente pelos brasileiros.
A fábrica de Betim não simplesmente copiará o Grande Panda europeu e trocará o emblema, o carro brasileiro terá diferenças próprias e uma delas estará justamente nas portas, que não receberão o enorme nome Panda estampado diretamente na chapa como acontece na Europa, enquanto a dianteira terá a identificação Fiat centralizada e elementos de grade próprios.
Os faróis continuarão com desenho retangular, porém as versões mais simples devem receber um sistema de iluminação menos sofisticado, enquanto as configurações superiores terão iluminação em LED e rodas de liga leve, criando uma diferença visual clara entre um Argo X básico e uma versão como a Impetus.
A traseira seguirá a mesma ideia de desenho vertical encontrada no projeto europeu, com lanternas posicionadas nas extremidades da carroceria, o nome Fiat ficará no centro da tampa e a identificação Argo X aparecerá em uma posição mais baixa, deixando claro que o hatch brasileiro terá identidade própria apesar da ligação direta com o Grande Panda.
Dentro da cabine, a mudança será igualmente grande porque o painel seguirá parte da arquitetura visual usada pelo carro europeu, mas com cores mais discretas para o mercado brasileiro, o quadro de instrumentos e a central multimídia ficarão próximos e formarão uma longa área horizontal diante dos ocupantes, enquanto os controles físicos do ar-condicionado continuarão presentes.
As versões com motor 1.0 aspirado deverão usar uma solução mais simples para o quadro de instrumentos, com uma pequena tela TFT de 3,5 polegadas entre os mostradores, enquanto as configurações T200 MHEV poderão receber painel totalmente digital de 10 polegadas, criando novamente uma divisão importante entre as duas metades da gama.
A central multimídia também ficará perto das 10 polegadas e deverá oferecer Apple CarPlay e Android Auto sem fio, além dos serviços conectados da Fiat, enquanto o console central aproveitará soluções já conhecidas em outros carros da marca, incluindo elementos próximos aos encontrados no Pulse.
Mas talvez a maior distância entre o Argo atual e o Argo X apareça quando o assunto for segurança, porque a expectativa é de seis airbags desde a versão de entrada, além de controles de estabilidade e tração, assistente de partida em rampa e freios ABS, acompanhados por sistemas de assistência ao motorista que antes estavam muito longe das versões básicas de um hatch compacto.
O pacote previsto inclui frenagem autônoma de emergência capaz de reconhecer veículos, pedestres e ciclistas, alerta e assistente de permanência em faixa e detector de fadiga do motorista, enquanto as configurações superiores poderão acrescentar reconhecimento de placas e troca automática entre farol alto e baixo.
Uma ausência importante ficará no controle de cruzeiro adaptativo, conhecido como ACC, porque nem mesmo a versão Impetus deverá receber o sistema, mantendo um piloto automático convencional apesar da presença de outros recursos eletrônicos de assistência.
Quando finalmente chegar às lojas, o Argo X também não encontrará uma linha de montagem vazia esperando por ele, porque a Fiat decidiu manter o Argo atual em produção enquanto houver procura pelo modelo, deixando o carro lançado em 2017 em uma parte mais simples da gama e abrindo espaço para que o Argo X avance em equipamentos, tecnologia e posicionamento.
A estratégia tem precedente dentro da própria história da Fiat no Brasil, que durante anos vendeu Palio e Palio Fire ao mesmo tempo, manteve Mille ao lado do Novo Uno e colocou gerações diferentes de modelos na mesma concessionária, agora essa lógica volta com um Argo conhecido de um lado e um Argo X completamente novo do outro.
Quando novembro ou dezembro chegar, portanto, o nome Argo poderá aparecer duas vezes na mesma loja representando carros de épocas diferentes, um deles carregando a fórmula conhecida desde 2017 e o outro trazendo plataforma nova, desenho inspirado no Grande Panda, até seis versões, motor aspirado ou turbo eletrificado, telas maiores e sistemas de segurança que mostram o tamanho da mudança preparada pela Fiat para sua nova geração de hatches.
Com informações de Autossegredos.

0 comentários
Deixe um comentário