Itau demissão hoje: entenda o que levou o banco a fazer demissão em massa; ação levanta debate sobre cultura e produtividade

O Itaú promoveu demissões em massa alegando baixa produtividade e falhas de aderência cultural. Sindicato estima mil cortes e critica a decisão, destacando lucros bilionários do banco.
Publicado por em Trabalho dia

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O Itaú, maior banco privado do país, iniciou nesta segunda-feira uma série de desligamentos que rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais. A instituição justificou os cortes citando falhas de aderência cultural e problemas de produtividade, em especial relacionados ao regime remoto. Embora o número oficial não tenha sido divulgado, estimativas sindicais apontam que quase mil trabalhadores podem ter sido atingidos.

Pontos Principais:

  • Itaú promoveu demissões alegando baixa produtividade e falhas de aderência cultural.
  • Sindicato estima que quase mil trabalhadores foram afetados e criticou duramente a medida.
  • Banco tem 95 mil funcionários, com 60% em regime híbrido de trabalho.
  • Decisão reacende debate sobre produtividade, cultura organizacional e responsabilidade social.

Segundo comunicado do banco, a medida decorre de avaliações internas que consideram desempenho e conduta no ambiente de trabalho. Funcionários foram desligados por apresentarem padrões de atuação considerados incompatíveis com os valores de confiança e eficiência defendidos pela instituição. Para o Itaú, as ações representam uma forma de alinhar a força de trabalho às necessidades atuais do negócio, que conta com aproximadamente 95 mil colaboradores, dos quais mais de 85 mil estão no Brasil.

O Itaú iniciou uma onda de demissões nesta segunda-feira, apontando problemas de produtividade e cultura como justificativa. O número de atingidos não foi confirmado, mas o sindicato fala em quase mil.
O Itaú iniciou uma onda de demissões nesta segunda-feira, apontando problemas de produtividade e cultura como justificativa. O número de atingidos não foi confirmado, mas o sindicato fala em quase mil.

A gestão de jornada e a frequência no modelo híbrido foram apontadas como pontos centrais da decisão. Atualmente, cerca de 60% do quadro atua em regime híbrido, que exige presença física em oito dias por mês. O banco afirma que identificou casos de trabalhadores que acessavam os sistemas remotamente, mas não mantinham ritmo de atividades considerado adequado. Essa narrativa ecoou em publicações de funcionários e ex-funcionários nas redes sociais, que relataram situações semelhantes.

Enquanto o banco defende a medida como necessária para preservar sua cultura organizacional, o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região repudiou publicamente as demissões. Em nota, a entidade classificou como inaceitável que uma instituição que figura entre as mais lucrativas do país utilize critérios de “produtividade” para cortar empregos. Para o sindicato, os ganhos decorrentes da digitalização poderiam ser direcionados para melhorar condições de trabalho em vez de justificar dispensas em larga escala.

A crítica sindical também aponta a ausência de diálogo prévio. Segundo a entidade, não houve qualquer tentativa de negociação para recolocar funcionários em outras áreas ou funções. Com o fim da obrigatoriedade de homologação sindical, a categoria diz depender de relatos individuais para estimar a dimensão do impacto, o que reforça a dificuldade de monitorar os desligamentos em tempo real.

Além da tensão trabalhista, o episódio abre discussão sobre o papel da produtividade no contexto do trabalho remoto. O Itaú, que lucra bilhões e disputa liderança com Banco do Brasil e Bradesco, se coloca em rota de colisão com parte da sociedade ao adotar critérios de controle rígidos. A decisão expõe o dilema de equilibrar inovação digital, eficiência operacional e responsabilidade social diante de um mercado cada vez mais automatizado e competitivo.

O impacto social e reputacional ainda deve ser avaliado nos próximos meses. A pressão sindical tende a aumentar, com promessas de intensificação dos protestos contra a política de desligamentos. Ao mesmo tempo, o movimento sinaliza para todo o setor financeiro uma guinada no tratamento da relação entre modelo híbrido, confiança e controle, em um cenário onde a cultura corporativa passa a ser fator determinante para permanência no emprego.

Fonte: Valor e Metropoles.

Alan Corrêa
Alan Corrêa
Jornalista automotivo (MTB: 0075964/SP) e analista de mercado. Especialista em traduzir a engenharia de lançamentos e monitorar a desvalorização de usados. No Carro.Blog.br, assina testes técnicos e guias de compra com foco em durabilidade e custo-benefício.