Daniel Vorcaro: Banqueiro tinha grupo secreto para vigiar jornalistas e autoridades: PF revela estrutura chamada A Turma no caso Banco Master

Quem são os quatro nomes por trás do escândalo do Banco Master? Investigação revela rede que monitorava desafetos do banqueiro
Publicado por em Brasil dia | Atualizado em | Página 3/7
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A Polícia Federal identificou a existência de um grupo organizado ligado ao Banco Master que teria atuado na obtenção de informações sigilosas, monitoramento de adversários e estruturação de operações financeiras investigadas no âmbito da Operação Compliance Zero.

A apuração levou à prisão preventiva de quatro pessoas consideradas centrais para o funcionamento do esquema investigado. Segundo decisão judicial que autorizou a operação, o grupo possuía diferentes núcleos responsáveis por atividades financeiras, institucionais e operacionais.

Quatro núcleos de atuação identificados na investigação

De acordo com documentos da investigação, a estrutura investigada teria sido organizada em quatro frentes distintas.

  • Núcleo financeiro responsável por supostas fraudes no sistema financeiro
  • Núcleo de corrupção institucional voltado à cooptação de servidores públicos
  • Núcleo de ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro
  • Núcleo de intimidação e obstrução de justiça

Segundo a Polícia Federal, o grupo mantinha um sistema de obtenção de dados sensíveis e monitoramento de pessoas consideradas adversárias do banqueiro Daniel Vorcaro.

A investigação descreve esse conjunto de pessoas como A Turma, estrutura que teria atuado de forma coordenada para proteger interesses ligados ao conglomerado financeiro.

Quem são os integrantes apontados pela investigação

Quatro pessoas foram identificadas como integrantes centrais da estrutura investigada.

  • Daniel Vorcaro
  • Fabiano Zettel
  • Luiz Phillipe Mourão
  • Marilson Roseno

Segundo os investigadores, Vorcaro atuaria como líder do grupo e teria papel direto nas decisões estratégicas relacionadas ao Banco Master.

Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro, foi apontado como responsável pela operacionalização financeira das atividades do grupo e pela intermediação de pagamentos.

Marilson Roseno, policial federal aposentado, teria atuado no núcleo responsável por coleta de informações e monitoramento de pessoas consideradas críticas às atividades do banco.

Papel do operador apelidado de sicário

Outro personagem central da investigação é Luiz Phillipe Mourão, descrito pela apuração como responsável por coordenar operações de monitoramento e obtenção de dados.

Nas mensagens analisadas pelos investigadores, Mourão aparece como operador que mantinha contato direto com Vorcaro e teria participado da execução de atividades relacionadas à coleta de informações.

Segundo a investigação, ele teria acessado ou tentado acessar sistemas ligados a diferentes instituições para obter dados sensíveis.

Entre as estruturas citadas nos documentos da apuração aparecem bases de dados associadas à Polícia Federal, ao Ministério Público Federal e a organismos internacionais de investigação.

Os investigadores apontam ainda que Mourão teria sido responsável por organizar atividades de vigilância contra pessoas que mantinham relação com investigações envolvendo o banco ou que criticavam o conglomerado financeiro.

Mensagens interceptadas mostram discussões sobre agressões

Conversas analisadas pela Polícia Federal também indicam discussões sobre ações de intimidação contra pessoas consideradas adversárias.

Em uma das mensagens citadas na investigação, Vorcaro menciona a intenção de mandar agredir o jornalista Lauro Jardim, colunista do jornal O Globo.

Em outro trecho, o banqueiro afirma que pretendia moer uma funcionária.

Os investigadores apontam que Mourão teria recebido pagamentos vinculados a essas atividades por meio de uma empresa denominada King Empreendimentos Imobiliários e Participações.

Segundo a apuração, os valores repassados ao operador teriam alcançado R$ 1 milhão.

Investigação também aponta tentativa de influenciar opinião pública

A investigação indica ainda que a estrutura teria atuado para tentar influenciar o debate público sobre o Banco Master durante momentos críticos para o conglomerado.

Segundo os investigadores, influenciadores teriam sido contratados para publicar conteúdos críticos ao Banco Central em meio a discussões sobre a liquidação da instituição financeira.

Esse conjunto de ações teria sido descrito internamente como Projeto DV.

Nome Papel apontado pela investigação
Daniel Vorcaro Liderança estratégica do grupo
Fabiano Zettel Operação financeira e intermediação de pagamentos
Luiz Phillipe Mourão Monitoramento e obtenção de dados
Marilson Roseno Coleta e compartilhamento de informações

A investigação sobre o Banco Master começou após o Banco Central identificar indícios de irregularidades financeiras e uma grave crise de liquidez que levou à liquidação extrajudicial da instituição em novembro.

As apurações também incluem a atuação da gestora Reag e outras empresas ligadas ao conglomerado financeiro, além de possíveis conexões entre servidores públicos e integrantes do grupo investigado.

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Alan Corrêa
Alan Correa
Jornalista multimídia e analista de tendências (MTB: 0075964/SP). Com olhar versátil que transita entre o setor automotivo, economia e cultura pop, é especialista em traduzir dinâmicas complexas do mercado e do comportamento do consumidor. No Carro Das Notícias e portais parceiros, assina de testes técnicos e guias de compra a análises de engajamento e entretenimento, sempre com foco em dados e interesse do público.