Banco Master, Daniel Vorcaro e a investigação federal: entenda o que aconteceu nos bastidores da negociação
A investigação conduzida pela Polícia Federal sobre o Banco Master revelou trocas de mensagens do fundador da instituição, Daniel Vorcaro, que descrevem um ambiente de tensão durante as tentativas de negociar a venda do banco antes de sua liquidação pelo Banco Central.
Nos diálogos, obtidos pelos investigadores, o banqueiro relata dificuldades nas tratativas com outras instituições financeiras e menciona pressões no processo que envolvia a possível venda do controle do banco ao BRB, instituição controlada pelo governo do Distrito Federal.
Crise de liquidez levou à liquidação da instituição
O Banco Central decretou a liquidação do Banco Master em novembro do ano passado após identificar uma grave crise de liquidez. Segundo o órgão regulador, a instituição não possuía recursos suficientes para cumprir compromissos financeiros de curto prazo.
Além do problema de liquidez, o banco também passou a ser investigado por operações envolvendo a venda de carteiras de crédito ao BRB que teriam sido apontadas como falsas, o que gerou prejuízo à instituição pública do Distrito Federal.
A apuração também examina a relação entre o Banco Master e a gestora Reag, que igualmente acabou sendo liquidada. De acordo com as investigações, ativos teriam sido inflados artificialmente.
Mensagens mostram clima de tensão nas negociações
Em conversas com sua namorada, Martha Graeff, Vorcaro descreve o ambiente de negociação como hostil e afirma que enfrentava resistência de outras instituições financeiras.
“Esse negócio de banco sempre falei que é igual máfia. Não dá pra sair. Ninguém sai. Bem não sai. Só sai mal.”
A mensagem foi enviada em abril do ano passado, período em que o banco buscava alternativas para resolver sua situação financeira.
Em outro trecho, o banqueiro afirma que teria surgido um problema inesperado durante as tratativas para resolver a crise.
“Foi para um caminho muito louco. Criaram um problema que não existia. Mas agora não adianta eu reclamar. Tenho que resolver.”
Encontro com André Esteves aparece nas mensagens
As conversas também citam um encontro entre Vorcaro e o banqueiro André Esteves, ligado ao BTG Pactual. Segundo o relato registrado nas mensagens, a reunião teria ocorrido após orientação do próprio Banco Central.
Vorcaro afirma que ouviu uma proposta durante o encontro e diz ter sido aconselhado a abandonar a tentativa de venda do banco ao BRB.
“André disse que era o maior banqueiro do mundo. E ele era Deus que apareceu na nossa vida. Que tínhamos que agradecer a Deus a proposta dele. E esquecer o BRB.”
Nas mensagens, o fundador do Banco Master afirma ainda que o banqueiro teria influência sobre integrantes do Banco Central.
O BTG Pactual informou, em nota, que nunca teve interesse na aquisição do Banco Master. Segundo o banco, a atuação ocorreu apenas na compra de ativos específicos considerados saudáveis, com o objetivo de fornecer liquidez em momentos pontuais.
Tentativa de venda ao BRB acabou vetada
Durante o agravamento da crise, o Banco Master iniciou negociações para vender parte ou o controle da instituição ao BRB. As conversas avançaram ao longo de 2024 e chegaram a ser divulgadas publicamente.
A operação, porém, acabou barrada pelo Banco Central, responsável por autorizar esse tipo de transação no sistema financeiro.
- Março de 2024: negociações entre Banco Master e BRB ganham tração
- Abril de 2024: encontros com banqueiros e autoridades são mencionados nas mensagens
- Setembro de 2024: Banco Central veta a operação
- Novembro de 2024: instituição é liquidada por crise de liquidez
Em outras mensagens analisadas pela Polícia Federal, Vorcaro menciona que bancos concorrentes teriam tentado influenciar autoridades e plantar notícias para dificultar a aprovação da operação.
A investigação também aponta que o banqueiro citou reuniões realizadas em Brasília com representantes do Banco Central e de outras instituições financeiras, além de conversas por telefone ao longo do processo de negociação.
Vorcaro e o Banco Central não se manifestaram publicamente sobre o conteúdo das mensagens divulgadas na investigação. Um interlocutor ouvido no processo afirmou que, quando um banco enfrenta problemas de liquidez, é comum que o Banco Central oriente a instituição a conversar com possíveis compradores de ativos.
As apurações sobre o caso seguem em andamento e envolvem diferentes frentes, incluindo as negociações para venda do banco, a relação com outras instituições financeiras e as operações que levaram ao agravamento da crise que culminou na liquidação da instituição.
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