Mamonas Assassinas: acidente de avião marcou a história do Brasil; veja em detalhes como foi

Entenda o acidente aéreo que matou os Mamonas Assassinas em 1996. Investigação apontou fatores como exaustão do piloto, erro de procedimento e baixa visibilidade.
Publicado por em Brasil dia
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A morte dos integrantes da banda Mamonas Assassinas em março de 1996 permanece como uma das tragédias mais marcantes da música brasileira. O acidente ocorreu quando o avião que trazia o grupo de volta a São Paulo se chocou contra a Serra da Cantareira durante a tentativa de pouso no Aeroporto Internacional de Guarulhos.

O Learjet 25D, prefixo PT-LSD, operado pela empresa Madri Táxi Aéreo, transportava os cinco músicos da banda e outros integrantes da equipe. A colisão ocorreu às 23h16 do dia 2 de março de 1996 e matou todos que estavam a bordo.

Quem estava no avião

Além dos cinco integrantes da banda, outras pessoas faziam parte da tripulação e da equipe que acompanhava o grupo naquela viagem.

  • Dinho, vocalista
  • Bento Hinoto, guitarrista
  • Samuel Reoli, baixista
  • Júlio Rasec, tecladista
  • Sérgio Reoli, baterista
  • Isaac Souto, secretário da banda
  • Sérgio Porto, segurança
  • Jorge Martins, piloto
  • Alberto Takeda, copiloto

Nenhuma das pessoas a bordo sobreviveu ao impacto.

Como foi o voo no dia do acidente

A viagem começou ainda em 1º de março. A aeronave havia partido de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, realizando escalas ao longo do trajeto. Uma das paradas ocorreu em Piracicaba antes de o avião seguir para outros compromissos da banda.

No dia seguinte, 2 de março, o grupo embarcou novamente. À tarde, o avião decolou em direção a Brasília. Após compromissos na capital federal, a tripulação iniciou o retorno para São Paulo às 21h58.

O destino final era o Aeroporto Internacional de Guarulhos. A aeronave, porém, nunca completou a viagem.

O momento da arremetida

Durante a aproximação para pouso, o piloto teve dificuldades para alinhar a aeronave com a pista. Diante da situação, decidiu realizar uma arremetida, procedimento comum na aviação quando o pouso não pode ser concluído com segurança.

A manobra exige que o piloto volte a ganhar altitude para tentar nova aproximação. Em muitos aeroportos, o padrão operacional indica virar para a esquerda. Em Guarulhos, entretanto, por causa do relevo da Serra da Cantareira, o procedimento recomendado era virar para a direita.

Segundo as investigações posteriores, o piloto seguiu a orientação convencional e não a específica para o aeroporto paulista. A decisão colocou o avião diretamente na rota das montanhas que cercam a região.

A arremetida é um procedimento comum na aviação, mas em Guarulhos exige mudança no padrão de direção por causa do relevo ao redor do aeroporto.

Pouco depois da manobra, o Learjet colidiu com um dos morros da Serra da Cantareira, a mais de mil metros de altitude.

O que disseram as investigações

As investigações foram conduzidas por autoridades da aviação civil e pelo órgão responsável pela análise de acidentes aeronáuticos no país. O relatório final apontou uma combinação de fatores que contribuíram para a tragédia.

Entre os principais pontos citados estavam:

  • Exaustão do piloto após muitas horas de voo
  • Baixa visibilidade durante a noite
  • Comunicação confusa com o controle de tráfego aéreo
  • Procedimento de arremetida executado em direção incorreta
  • Experiência limitada do copiloto

Também foram mencionadas dificuldades de iluminação na área e perda de contato com a torre principal de controle.

Resgate e localização da aeronave

Após o desaparecimento do avião dos radares, pilotos que voavam na região relataram sinais de fumaça na Serra da Cantareira. Um comandante de outra aeronave identificou uma nuvem densa na área poucos minutos após a perda de contato.

As equipes de resgate chegaram ao local horas depois. A área montanhosa, de acesso difícil, atrasou o trabalho das equipes que buscavam sobreviventes.

Quando os primeiros socorristas alcançaram os destroços, ninguém havia sobrevivido ao impacto. A tragédia encerrou de forma abrupta a trajetória de um dos fenômenos mais populares da música brasileira dos anos 1990, e o caso ainda é lembrado sempre que novas investigações sobre segurança de voo e procedimentos de aproximação em aeroportos cercados por relevo voltam ao debate na aviação brasileira.

Alan Corrêa
Alan Correa
Jornalista multimídia e analista de tendências (MTB: 0075964/SP). Com olhar versátil que transita entre o setor automotivo, economia e cultura pop, é especialista em traduzir dinâmicas complexas do mercado e do comportamento do consumidor. No Carro Das Notícias e portais parceiros, assina de testes técnicos e guias de compra a análises de engajamento e entretenimento, sempre com foco em dados e interesse do público.