IPCA fevereiro 2026 sobe 0,70%: o que explica a alta da inflação e quais preços mais pesaram no bolso dos brasileiros

O IPCA subiu 0,70% em fevereiro e veio acima das projeções do mercado. Educação liderou a alta e respondeu por quase metade da inflação do mês.
Publicado por em Economia dia
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O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação no Brasil, registrou alta de 0,70% em fevereiro, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado veio ligeiramente acima das previsões do mercado financeiro, que projetavam avanço próximo de 0,6% no período.

Com o novo dado, a inflação acumulada em 12 meses ficou em 3,81%. O índice permanece dentro do intervalo de tolerância da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional, que estabelece objetivo de 3% com limite máximo de 4,5%.

Na prática, isso significa que a inflação segue sob controle estatístico, embora alguns itens específicos tenham exercido pressão relevante sobre o orçamento das famílias.

Educação concentra quase metade da inflação do mês

O principal motor da inflação em fevereiro foi o grupo Educação, que registrou aumento de 5,21% no período. O impacto foi tão significativo que respondeu por cerca de 44% da inflação mensal.

Segundo o IBGE, o avanço ocorre tradicionalmente no início do ano, quando instituições de ensino aplicam reajustes de mensalidades.

Os maiores aumentos ocorreram em cursos regulares.

  • Ensino médio: alta de 8,19%
  • Ensino fundamental: aumento de 8,11%
  • Pré-escola: avanço de 7,48%

Os cursos regulares, no conjunto, registraram aumento médio de 6,2%.

De acordo com o IBGE, sem o impacto das mensalidades escolares o IPCA de fevereiro teria ficado próximo de 0,41%, o que mostra o peso específico desse grupo na composição da inflação.

Transportes aparecem logo atrás

Depois da educação, o segundo maior impacto veio do grupo Transportes, que registrou alta de 0,74% no mês.

Um dos fatores mais relevantes foi o aumento nas passagens aéreas, que subiram 11,4% no período.

Outros itens ligados ao deslocamento e manutenção de veículos também apresentaram aumento.

  • Seguro voluntário de automóveis: alta de 5,62%
  • Conserto de veículos: aumento de 1,22%
  • Ônibus urbano: alta de 1,14%

Diversas capitais aplicaram reajustes nas tarifas de transporte público no início do ano, o que contribuiu para pressionar os índices.

Entre as cidades com aumento estão Fortaleza, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo, Vitória, Recife e Porto Alegre.

Em sentido contrário, algumas capitais registraram redução de tarifas em determinadas condições, como gratuidade em domingos e feriados.

Essas políticas levaram a quedas pontuais no índice em cidades como Brasília e Curitiba.

Combustíveis tiveram leve queda

Apesar da pressão em outros itens ligados à mobilidade, os combustíveis apresentaram leve recuo no mês.

A gasolina caiu 0,61%, enquanto o gás veicular recuou 3,10%.

O movimento ocorreu após redução de cerca de 5,2% no preço repassado pelas refinarias às distribuidoras no fim de janeiro.

Nem todos os combustíveis acompanharam a queda.

  • Etanol: alta de 0,55%
  • Óleo diesel: aumento de 0,23%

Alimentos tiveram alta moderada

O grupo Alimentação e bebidas avançou 0,26% em fevereiro, ligeiramente acima dos 0,23% registrados em janeiro.

Alguns produtos apresentaram forte aumento de preço.

  • Açaí: alta de 25,29%
  • Feijão-carioca: aumento de 11,73%
  • Ovo de galinha: alta de 4,55%
  • Carnes: avanço de 0,58%

Outros itens ajudaram a conter a inflação no setor.

  • Frutas: queda de 2,78%
  • Óleo de soja: recuo de 2,62%
  • Arroz: queda de 2,36%
  • Café moído: redução de 1,20%

Economistas veem inflação pressionada por fatores específicos

Analistas apontam que parte da alta registrada em fevereiro foi causada por movimentos pontuais.

Entre os itens que influenciaram o índice estão reajustes educacionais, passagens aéreas e custos relacionados a serviços.

Segundo avaliações do mercado financeiro, o resultado do mês não altera de forma relevante as projeções para a inflação anual nem as expectativas sobre a política de juros.

A leitura predominante é que a desaceleração observada nos últimos meses permanece em curso.

Mesmo assim, economistas alertam que fatores externos podem alterar esse cenário.

Entre os riscos monitorados estão tensões geopolíticas e possíveis impactos sobre preços internacionais de energia, que podem influenciar a inflação global e, consequentemente, os custos no Brasil nos próximos meses.

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Alan Corrêa
Alan Correa
Jornalista multimídia e analista de tendências (MTB: 0075964/SP). Com olhar versátil que transita entre o setor automotivo, economia e cultura pop, é especialista em traduzir dinâmicas complexas do mercado e do comportamento do consumidor. No Carro Das Notícias e portais parceiros, assina de testes técnicos e guias de compra a análises de engajamento e entretenimento, sempre com foco em dados e interesse do público.