IPCA surpreende economistas e levanta alerta: inflação resiste e pode mudar rumo da Selic na próxima reunião do Banco Central
A inflação oficial do Brasil avançou em fevereiro e voltou a chamar a atenção de economistas e investidores. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo registrou alta de 0,70% no mês, depois de subir 0,33% em janeiro, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
O resultado ficou acima das projeções de parte do mercado e reforçou a avaliação de que o Banco Central deve conduzir com cautela o início de um ciclo de redução da taxa básica de juros. O Comitê de Política Monetária se reúne nos dias 17 e 18 de março para definir o novo nível da Selic.
Apesar da aceleração mensal, o índice acumulado mostra algum alívio no horizonte mais longo. A inflação soma 1,03% em 2026 e 3,81% em 12 meses, abaixo dos 4,44% observados no período imediatamente anterior.
Ainda assim, economistas destacam que a composição do índice mostra sinais de pressão persistente, sobretudo em serviços.
Serviços pressionam inflação
Para analistas do mercado financeiro, a principal preocupação não está apenas no número final do índice, mas nos itens que explicam sua alta.
O economista Gabriel Pestana, da Genial Investimentos, afirma que o dado superou a estimativa da instituição e trouxe uma deterioração qualitativa no indicador.
A pressão ficou concentrada principalmente em serviços e nos núcleos da inflação
Segundo ele, itens ligados ao cotidiano da economia doméstica tiveram impacto relevante no resultado.
- Serviços bancários
- Conserto de automóveis
- Serviços diversos ligados ao consumo urbano
Esse tipo de inflação costuma reagir mais lentamente às políticas monetárias e é observado com atenção pelo Banco Central.
Mercado revisa expectativas para a Selic
Com a inflação mostrando resistência em alguns segmentos, parte do mercado financeiro passou a projetar um ritmo mais lento de redução dos juros.
A expectativa predominante entre economistas é que o Banco Central inicie o ciclo de cortes com redução menor do que se discutia anteriormente.
- Corte de 0,25 ponto percentual na Selic
- Possível taxa de 14,75% após a reunião
- Reduções graduais ao longo do ano
Esse cenário ganhou força após a divulgação do IPCA de fevereiro, considerado mais pressionado do que o esperado por diversas instituições financeiras.
Pressões externas também entram no radar
Além da inflação doméstica, fatores internacionais também passaram a influenciar as projeções para os preços no Brasil.
Economistas citam o avanço recente do petróleo no mercado internacional, impulsionado por tensões geopolíticas no Oriente Médio e problemas no transporte marítimo de energia.
Mesmo com a redução dos preços dos combustíveis nas refinarias brasileiras no início do ano, analistas avaliam que parte do impacto das commodities ainda não apareceu completamente no índice de inflação.
Outro ponto observado é o mercado de trabalho aquecido, que pode sustentar pressões em serviços e salários.
| Indicador | Resultado |
|---|---|
| IPCA fevereiro | 0,70% |
| IPCA em 2026 | 1,03% |
| IPCA em 12 meses | 3,81% |
Economistas também mencionam que a desaceleração do índice anual ocorre em parte por efeito estatístico, já que uma alta mais forte registrada em fevereiro de 2025 saiu da base de comparação.
Mesmo com essa desaceleração, os núcleos de inflação seguem em patamar elevado, próximos de 5,5% até fevereiro.
Esse comportamento ajuda a explicar por que a convergência da inflação para a meta ainda é vista como um desafio para a política monetária.
Enquanto analistas revisam cenários para juros e inflação, o foco do mercado se volta agora para a próxima reunião do Comitê de Política Monetária, quando o Banco Central decidirá o ritmo inicial de redução da Selic em meio a pressões internas e riscos externos que ainda permanecem no radar.
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- Dados do IBGE mostram inflação de 3,81% em 12 meses. Reajustes escolares e custos de transporte explicam boa parte da pressão recente.
- O IPCA avançou 0,70% em fevereiro e ficou acima do resultado de janeiro. Educação liderou a pressão nos preços, enquanto transportes também influenciaram o índice, que acumula 3,81% em 12 meses.














