IPCA acumulado 12 meses: Inflação acumulada em 12 meses recua para 3,81% e se aproxima da meta do Banco Central

O IPCA avançou 0,70% em fevereiro e ficou acima do resultado de janeiro. Educação liderou a pressão nos preços, enquanto transportes também influenciaram o índice, que acumula 3,81% em 12 meses.
Publicado por em Economia dia | Página 2/3
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A inflação oficial do Brasil voltou a mostrar sinal de desaceleração no acumulado anual. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) soma alta de 3,81% nos últimos 12 meses, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número representa uma redução em relação ao índice anterior de 4,44% e aproxima o indicador do centro da meta de inflação definida para o país.

O resultado ocorre em um momento em que a política monetária ainda opera sob efeito do ciclo de juros elevados aplicado nos últimos anos para conter a alta de preços. A meta de inflação vigente é de 3%, com intervalo de tolerância que vai até 4,5%.

Dentro desse limite, o resultado acumulado reforça a leitura predominante no mercado financeiro de que a inflação brasileira, embora ainda pressionada em alguns setores, segue trajetória mais moderada do que em períodos recentes.

Inflação desacelera no acumulado anual

O recuo do índice anual ocorre mesmo após a aceleração registrada no mês de fevereiro, quando o IPCA subiu 0,70%. O movimento mensal foi influenciado principalmente por reajustes em mensalidades escolares e por custos relacionados ao transporte.

Ainda assim, quando analisado em horizonte mais longo, o comportamento da inflação mostra ritmo mais contido.

  • IPCA de fevereiro: 0,70%
  • IPCA de janeiro: 0,33%
  • Inflação acumulada em 12 meses: 3,81%
  • Inflação acumulada anterior: 4,44%

Essa desaceleração anual indica que parte das pressões inflacionárias observadas em anos anteriores vem perdendo intensidade, especialmente em bens industriais e alguns serviços.

Educação e transportes tiveram maior impacto recente

Apesar da desaceleração no acumulado anual, alguns grupos continuam exercendo influência relevante sobre a inflação no curto prazo.

O grupo Educação registrou a maior variação mensal em fevereiro, com alta de 5,21%, impulsionada pelos reajustes aplicados no início do ano letivo.

  • Ensino médio: alta de 8,19%
  • Ensino fundamental: aumento de 8,11%
  • Pré-escola: avanço de 7,48%

Esse movimento respondeu por cerca de 44% da inflação registrada no mês.

Logo atrás aparece o grupo Transportes, que avançou 0,74% em fevereiro e teve influência direta no índice geral. Entre os itens que pressionaram os preços estão as passagens aéreas, que subiram 11,40%, além do seguro voluntário de automóveis e dos custos de manutenção de veículos.

Combustíveis e alimentos ajudam a conter pressão

Alguns itens ajudaram a limitar o avanço da inflação no período recente.

Os combustíveis registraram queda média de 0,47% em fevereiro, com recuo no preço da gasolina e do gás veicular. O movimento ocorreu após redução no valor repassado pelas refinarias às distribuidoras no fim de janeiro.

No grupo Alimentação e bebidas, a variação foi de 0,26%, com altas em alguns produtos e queda em outros.

Entre os aumentos mais expressivos aparecem o açaí, o feijão-carioca e os ovos. Em sentido oposto, itens como frutas, óleo de soja, arroz e café moído registraram redução de preços.

Esse comportamento misto ajuda a explicar por que a inflação anual segue desacelerando, mesmo com oscilações pontuais em determinados setores.

Mercado monitora inflação e trajetória dos juros

Para analistas econômicos, o recuo do IPCA acumulado em 12 meses reforça a avaliação de que a inflação brasileira permanece dentro de um intervalo considerado administrável.

Ao mesmo tempo, economistas observam que o comportamento de serviços e alguns custos específicos ainda exige cautela.

A leitura predominante no mercado financeiro é que o resultado recente não altera de forma significativa as expectativas para a política monetária no curto prazo.

Entre os fatores monitorados para os próximos meses estão o comportamento dos preços internacionais de energia, o cenário geopolítico e possíveis impactos sobre combustíveis e transporte, variáveis que continuam no radar de economistas e autoridades monetárias.

Variação do IPCA por grupo em janeiro e fevereiro

Grupo Variação Janeiro (%) Variação Fevereiro (%) Impacto Janeiro (p.p.) Impacto Fevereiro (p.p.)
Índice Geral 0,33 0,70 0,33 0,70
Alimentação e bebidas 0,23 0,26 0,05 0,06
Habitação -0,11 0,30 -0,02 0,05
Artigos de residência 0,20 0,13 0,01 0,00
Vestuário -0,25 0,16 -0,01 0,01
Transportes 0,60 0,74 0,12 0,15
Saúde e cuidados pessoais 0,70 0,59 0,10 0,08
Despesas pessoais 0,41 0,33 0,04 0,03
Educação 0,02 5,21 0,00 0,31
Comunicação 0,82 0,15 0,04 0,01

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Alan Corrêa
Alan Correa
Jornalista multimídia e analista de tendências (MTB: 0075964/SP). Com olhar versátil que transita entre o setor automotivo, economia e cultura pop, é especialista em traduzir dinâmicas complexas do mercado e do comportamento do consumidor. No Carro Das Notícias e portais parceiros, assina de testes técnicos e guias de compra a análises de engajamento e entretenimento, sempre com foco em dados e interesse do público.