Qual desses clássicos da literatura mundial a ditadura militar argentina proibiu?
A edição deste domingo do quadro Quem Quer Ser Um Milionário, exibido no Domingão com Huck, terminou com uma virada brusca no valor do prêmio de um dos participantes. Luiz Cordovil, engenheiro de 34 anos do município de Tefé, no Amazonas, chegou à pergunta que valia R$ 500 mil, mas acabou errando e deixou o programa com R$ 150 mil.
Especializado em inteligência artificial, Cordovil enfrentou a sequência de perguntas do jogo até alcançar a etapa decisiva do quadro. O objetivo era ambicioso e bastante concreto: ele precisava de R$ 300 mil para realizar uma cirurgia reparadora após perder cerca de 50 quilos depois de uma cirurgia bariátrica, além de quitar o apartamento onde vive com o irmão.
O momento de tensão veio com uma pergunta relacionada à história política da América do Sul e à censura cultural durante regimes autoritários.
A pergunta que valia meio milhão
A questão apresentada ao participante foi direta:
Qual destes clássicos da literatura mundial a ditadura militar argentina proibiu?
Mesmo após utilizar recursos do jogo para eliminar duas alternativas, Cordovil optou pela resposta Guerra e Paz, romance do escritor russo Liev Tolstói. A escolha, no entanto, não era a correta.
A resposta considerada certa pelo programa era O Pequeno Príncipe, livro do escritor francês Antoine de Saint-Exupéry.
Durante o período da ditadura militar argentina, que teve início em 1976, o regime comandado pelo general Rafael Videla impôs forte controle sobre produções culturais. Obras literárias, músicas e publicações consideradas politicamente sensíveis ou interpretadas como críticas indiretas ao poder eram alvo de censura.
Por que O Pequeno Príncipe foi proibido
O Pequeno Príncipe, publicado originalmente em 1943, tornou-se um dos livros mais conhecidos da literatura mundial, traduzido para dezenas de idiomas e frequentemente associado à literatura infantil. Ainda assim, em determinados contextos políticos, sua mensagem simbólica e crítica social foi vista como problemática por regimes autoritários.
Autoridades argentinas da época classificaram o conteúdo da obra como portador de ideias subversivas. A narrativa, marcada por reflexões sobre poder, responsabilidade e relações humanas, acabou sendo interpretada por censores do regime como potencialmente crítica à estrutura política vigente.
Esse tipo de interpretação não era incomum durante o período. Diversos livros, filmes e músicas sofreram restrições semelhantes na América Latina durante as décadas de regimes militares.
Participante saiu com R$ 150 mil
Apesar de não alcançar o prêmio máximo da rodada, Luiz Cordovil deixou o programa com R$ 150 mil. O valor representa metade da quantia que ele buscava para resolver os objetivos pessoais mencionados durante a participação no quadro.
- Participante: Luiz Cordovil
- Idade: 34 anos
- Cidade: Tefé, Amazonas
- Profissão: engenheiro especializado em inteligência artificial
- Prêmio final: R$ 150 mil
- Pergunta decisiva: censura de livro durante ditadura argentina
O quadro Quem Quer Ser Um Milionário segue como um dos segmentos de maior audiência do Domingão com Huck, frequentemente marcado por perguntas de conhecimento geral que misturam cultura, história e curiosidades da literatura mundial. No caso deste domingo, bastou uma escolha equivocada para transformar um prêmio potencial de meio milhão em um retorno bem mais modesto, embora ainda significativo para o participante amazonense.













