A Volkswagen iniciou uma nova etapa no desenvolvimento da picape Tukan ao colocar os primeiros protótipos para rodar fora do ambiente de engenharia. As unidades começaram a sair da fábrica de São José dos Pinhais, no Paraná, ainda em estágio de validação, o que indica que o projeto entrou na fase decisiva antes do lançamento previsto para 2027.
Apesar do avanço, a própria fabricante trata o momento com cautela. Os veículos produzidos agora não representam a versão final que chegará ao mercado. São modelos usados para testes estruturais, ajustes de dirigibilidade e calibração de sistemas, um processo que costuma revelar falhas que não aparecem em simulações ou protótipos iniciais.
A Tukan nasce com uma missão clara, ocupar o espaço entre as picapes compactas e as intermediárias, onde hoje atuam modelos como Fiat Toro e Chevrolet Montana. Ao mesmo tempo, a Volkswagen tenta reorganizar sua própria linha, já que a Saveiro tende a perder relevância com a chegada do novo produto.
O posicionamento escolhido mostra uma mudança de estratégia. Em vez de competir apenas por preço, a marca busca oferecer mais tecnologia, conforto e variedade mecânica, mirando um público que já migrou para picapes mais completas, mas ainda não chega ao nível das médias.
A gama prevista inclui três versões. A configuração de entrada deve manter o motor 1.6 aspirado flex, solução conhecida e de custo mais baixo. Já as versões intermediárias e superiores devem adotar motores turbo da família TSI, como o 1.0 de 128 cv e o 1.4 de 150 cv, ampliando o desempenho e a eficiência.
Há ainda a possibilidade de introdução do motor 1.5 TSI Evo2 com algum nível de eletrificação. Caso se confirme, a Tukan poderá marcar a estreia de um sistema híbrido produzido pela Volkswagen no Brasil, um movimento relevante em um segmento ainda pouco explorado nesse aspecto.
No conjunto estrutural, a picape deve seguir a fórmula tradicional. Suspensão dianteira independente do tipo McPherson e traseira com eixo rígido e feixe de molas, priorizando robustez e capacidade de carga. Os freios a disco nas quatro rodas reforçam a proposta de evolução em relação aos modelos de entrada.
O design acompanha a identidade mais recente da marca, com iluminação em LED e elementos horizontais que ampliam a sensação de largura. No interior, a aposta está na digitalização, com painel configurável e central multimídia com conexão sem fio.
Até a estreia, a Tukan ainda passará por um ciclo intenso de testes. É nesse período que o projeto será refinado e que a Volkswagen definirá se a nova picape terá fôlego para disputar um dos segmentos mais competitivos do mercado brasileiro.