Carro Voador Brasileiro: Empresa desenvolve eVTOL que cabe em vaga de carro e mira operação a partir de 2030

Projeto da Xmobots aposta em mobilidade regional autônoma com custo menor que helicópteros.
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Carro Voador Brasileiro: Empresa desenvolve eVTOL que cabe em vaga de carro e mira operação a partir de 2030
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Uma empresa sediada em São Carlos, no interior de São Paulo, tenta entrar em um dos mercados mais disputados da aviação atual, o dos chamados carros voadores. O projeto, batizado de Vision, ainda está em desenvolvimento, sem protótipo funcional, mas já traz uma proposta clara, reduzir custo e simplificar a operação.

Na prática, o modelo segue o conceito de eVTOL, aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical. A promessa é operar principalmente em trajetos regionais, conectando cidades e áreas afastadas, onde o transporte tradicional costuma ser mais lento ou caro.

Cabe na vaga de um carro e voa baixo

O desenho do Vision parte de uma ideia direta, eliminar a necessidade de infraestrutura dedicada. No solo, o veículo foi projetado para ocupar o espaço de uma vaga comum de carro, dispensando o uso de vertiportos.

Durante o voo, a aeronave deve operar entre 100 e 120 metros de altitude, faixa considerada segura para não interferir com o tráfego de aviões comerciais. A capacidade prevista é de até dois passageiros, sem piloto a bordo.

Transição entre helicóptero e avião

O funcionamento combina dois modos distintos. Na decolagem, o veículo sobe verticalmente, como um helicóptero, utilizando oito motores. Após cerca de 30 segundos, atinge a altura de transição, momento em que abre as asas e passa a operar como avião.

A propulsão horizontal é assumida por dois motores traseiros. No pouso, o processo se inverte, com recolhimento das asas e retorno ao modo vertical. Toda a transição leva cerca de 45 segundos.

Energia híbrida para ganhar autonomia

Apesar de utilizar motores elétricos, o Vision não depende apenas de baterias. A energia é gerada por um sistema a combustível, que pode usar gasolina ou etanol, estratégia pensada para garantir maior autonomia sem aumentar o peso.

Em caso de falha, a aeronave pode planar, comportamento típico de aviões. A empresa também estuda a adoção de paraquedas balísticos como medida adicional de segurança.

Conta fecha entre Uber e helicóptero

O projeto aposta em custo como diferencial. A meta é atingir cerca de US$ 0,84 por passageiro por quilômetro, valor intermediário entre uma corrida de aplicativo, estimada em US$ 0,28, e o helicóptero, que pode chegar a US$ 5 por quilômetro.

A ideia não é vender o veículo inicialmente, mas operar a frota de forma centralizada, com chamadas feitas por aplicativo. O sistema identifica a aeronave mais próxima, realiza o trajeto e libera o equipamento para novos voos.

Rota mais curta, menos etapas

Em simulações da empresa, uma viagem entre São Carlos e Brasília, que hoje exige carro até aeroporto, voo comercial e novo deslocamento terrestre, poderia ser substituída por trajetos diretos com escalas.

O tempo total cairia para cerca de cinco horas, com custo estimado inferior ao modelo tradicional. Ainda assim, o percurso exigiria paradas intermediárias, devido à autonomia limitada.

Projeto depende de escala e regulação

Para viabilizar o modelo econômico, a empresa estima a necessidade de produzir 500 unidades por ano. O projeto já recebeu cerca de R$ 120 milhões em financiamento público, além de aportes privados próximos de R$ 90 milhões.

O desenvolvimento começou em 2019 e avançou para a fase de revisão crítica do projeto em 2026, etapa que antecede a produção.

Previsão ainda é longa

A expectativa é iniciar voos de carga por volta de 2030. O transporte de passageiros dependerá de certificação e deve ocorrer apenas a partir de 2034.

Antes disso, o foco inicial deve ser aplicações militares e operações específicas, como atendimento a regiões isoladas e uso por órgãos públicos.

O projeto ainda está distante da operação comercial, mas indica um caminho que começa a ganhar forma, o de uma aviação mais próxima do uso cotidiano, sem depender da estrutura tradicional dos aeroportos.

Alan Corrêa
Alan Correa
Jornalista multimídia e analista de tendências (MTB: 0075964/SP). Com olhar versátil que transita entre o setor automotivo, economia e cultura pop, é especialista em traduzir dinâmicas complexas do mercado e do comportamento do consumidor. No Carro Das Notícias e portais parceiros, assina de testes técnicos e guias de compra a análises de engajamento e entretenimento, sempre com foco em dados e interesse do público.