CEO Santander Brasil deixa o cargo; Gilson Finkelsztain será novo líder
A troca de comando no Santander Brasil foi anunciada em um momento de reorganização interna e reposicionamento estratégico do grupo espanhol, com a saída de Mario Leão e a chegada de Gilson Finkelsztain, atual presidente da B3, a Bolsa brasileira.
A mudança não ocorre de forma abrupta, ao menos oficialmente. O banco informou que o processo foi planejado com antecedência, com comunicação interna feita ainda no início do ano, permitindo uma transição considerada organizada até julho.
Troca envolve dois dos principais nomes do sistema financeiro
A movimentação coloca frente a frente dois executivos que comandaram estruturas centrais do mercado financeiro brasileiro nos últimos anos.
- Mario Leão deixa o Santander após onze anos no grupo
- Gilson Finkelsztain lidera a B3 desde 2017
- Transição será concluída até o meio de 2026
Leão seguirá no comando do banco até a conclusão do processo, participando diretamente da passagem de bastão. Já Finkelsztain permanecerá na B3 durante esse período, em um arranjo que tenta evitar rupturas operacionais.
Decisão ocorre após ciclo considerado bem-sucedido
O Santander classificou a gestão de Leão como parte de um ciclo estratégico relevante, com avanços na transformação operacional e foco crescente em rentabilidade.
No último trimestre de 2025, o banco registrou lucro líquido gerencial de R$ 4,08 bilhões, alta de 6% na comparação anual e o melhor resultado em quatro anos nesse indicador.
Mesmo assim, o movimento de troca indica que o grupo busca algo além de continuidade. Há um esforço claro de reposicionamento global, com maior centralização das decisões na matriz e foco em operações ligadas a moedas fortes.
O banco vem se reorganizando para atuar menos como um conjunto de operações locais e mais como um grupo integrado, com decisões concentradas fora do Brasil
Escolha de Finkelsztain reforça perfil de mercado e dados
A chegada de Finkelsztain traz um executivo com histórico ligado à infraestrutura do mercado financeiro e à diversificação de receitas.
Na B3, ele liderou mudanças relevantes no modelo de negócios, incluindo aquisições e expansão para áreas de tecnologia e dados, reduzindo a dependência direta do volume de negociações na Bolsa.
- Passagens por J.P. Morgan e Citibank
- Experiência prévia no próprio Santander entre 2011 e 2013
- Atuação focada em diversificação e tecnologia na B3
Esse perfil indica uma possível mudança de prioridade dentro do banco, com maior ênfase em eficiência operacional, novos produtos e monetização de dados.
Mercado acompanha em meio a saídas e reorganização interna
A troca de CEO acontece em um contexto mais amplo de mudanças dentro do Santander, incluindo saídas recentes de executivos da alta cúpula, como responsáveis por risco, finanças e banco de investimentos.
Esse ambiente adiciona pressão à nova gestão, que assume com a tarefa de manter resultados e ao mesmo tempo reposicionar o banco em um cenário competitivo mais complexo.
No mercado, as ações da B3 fecharam o dia em queda de 1,17%, cotadas a R$ 16,92, enquanto os papéis do Santander subiram 1,15%, a R$ 29,99, ainda acumulando desvalorização no ano.
A definição do substituto de Finkelsztain na B3 ainda não foi anunciada, e o processo segue em curso, com a companhia informando que divulgará o nome apenas após a conclusão da transição.














