Carvão que acende sozinho: gaúcho resolveu problema antigo do churrasco; veja como um saco de carvão virou empresa de R$ 1 milhão
Acender o carvão da churrasqueira costuma ser um pequeno ritual de paciência. Soprar, abanar papelão, improvisar com álcool ou líquidos inflamáveis faz parte da rotina de muita gente nos fins de semana. Foi justamente essa dificuldade cotidiana que acabou se transformando em oportunidade de negócio para um empreendedor do interior do Rio Grande do Sul.
Morador de Pareci Novo, cidade da região metropolitana de Porto Alegre, Wilian Biolo observava desde cedo o desafio de iniciar o fogo da churrasqueira. A relação com o tema começou ainda jovem, ajudando a família em uma churrascaria da cidade, onde o preparo do fogo era parte essencial do trabalho.
A experiência prática acabou ganhando um complemento improvável anos depois. Paralelamente à rotina profissional, Biolo também atuou por mais de duas décadas como bombeiro voluntário, convivendo com situações que exigiam atenção constante à segurança, controle de chamas e prevenção de acidentes envolvendo fogo.
Foi a junção dessas duas vivências que ajudou a moldar a ideia que mais tarde viraria produto. Observando a forma como as pessoas lidavam com o carvão e as dificuldades para iniciar a brasa, o empreendedor passou a pensar em uma solução que tornasse o processo mais simples.
Uma ideia simples que levou anos de testes
O projeto ganhou força durante um evento voltado a startups, quando Biolo percebeu que poderia transformar aquela observação cotidiana em um produto com potencial comercial. A partir daí, começou um período longo de testes até chegar ao modelo final.
Foram quase dois anos de desenvolvimento e mais de 200 protótipos até atingir o formato atual do produto. A proposta era criar um saco de carvão que já trouxesse um sistema interno capaz de facilitar o acendimento da churrasqueira.
O funcionamento é direto. O consumidor rasga duas partes da embalagem, acende o dispositivo interno e coloca o pacote em pé dentro da churrasqueira. A estrutura interna foi projetada para permitir circulação de ar suficiente para iniciar a combustão do carvão.
A ideia nasceu da observação de um hábito comum nos churrascos e evoluiu após centenas de testes até chegar ao modelo comercial atual.
Produto patenteado e expansão da produção
O carvão desenvolvido por Biolo utiliza embalagem de papel kraft natural, tintas à base de água e cola vegetal. A estrutura interna é feita de madeira e inclui o acendedor integrado.
Segundo o empreendedor, o objetivo era resolver três pontos que costumam aparecer no preparo da churrasqueira.
- facilitar o acendimento do carvão
- aumentar a segurança no processo
- reduzir sujeira durante o preparo do fogo
O produto recebeu patente no Brasil e também no exterior, o que garante exclusividade à empresa na fabricação e comercialização da tecnologia.
A operação atual funciona em um galpão com quatro funcionários. A produção mensal chega a cerca de cinco mil pacotes de carvão, vendidos em embalagens de três e quatro quilos.
| Produção mensal | até 5 mil pacotes |
| Peso das embalagens | 3 kg e 4 kg |
| Preço médio | R$ 32 |
| Funcionários | 4 |
Do primeiro faturamento ao milhão
Os números mostram a evolução do negócio desde o início da comercialização. Em 2021, primeiro ano de vendas do produto, o faturamento registrado foi de R$ 62 mil.
Quatro anos depois, em 2025, o faturamento anual alcançou R$ 1 milhão.
Segundo o G1, a distribuição do carvão já chega a diferentes estados brasileiros, incluindo Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. O produto também começou a entrar em grandes redes varejistas com milhares de pontos de venda.
O crescimento da operação ainda acontece em escala relativamente pequena, mas o produto passou a circular em churrascos de várias regiões do país, um mercado que movimenta bilhões por ano no Brasil e continua dominado por soluções tradicionais de carvão.
Enquanto a produção segue aumentando gradualmente, o desafio agora é ampliar a distribuição nacional sem perder a estrutura enxuta que marcou os primeiros anos do negócio. A empresa continua operando no mesmo galpão no interior do Rio Grande do Sul, onde novos lotes do carvão começam a sair para abastecer mercados de outros estados.





