Tiggo 5x é beberrão: por que ele gasta mais que o HR-V e a culpa não é do motor?
O consumo elevado do Chery Tiggo 5x Sport deixou de ser um detalhe técnico e virou um incômodo real para quem convive diariamente com o SUV.
A reclamação surge no uso cotidiano, no trânsito pesado, nas subidas urbanas e nas viagens longas, quando o ponteiro do combustível desce mais rápido do que o esperado para um carro dessa categoria. É nesse cenário que muitos proprietários começam a questionar se o problema foi resolvido ou se vale a pena trocar de carro.
O Tiggo 5x Sport segue à venda com o mesmo conjunto mecânico que o consagrou em preço e equipamentos, mas que também expôs seu principal ponto fraco. O motor 1.5 turbo trabalha com injeção multiponto, uma solução já superada por boa parte dos concorrentes diretos. Na prática, isso se traduz em uma queima menos eficiente e maior consumo, especialmente em uso urbano.
Os dados oficiais reforçam o que o motorista percebe ao volante. Pelo Inmetro, o Tiggo 5x Sport faz 10 km/l na cidade e 12,1 km/l na estrada, sempre com gasolina. Não são números ruins de forma isolada, mas ficam abaixo de rivais com proposta semelhante.
Quando o comparativo inclui o Honda HR-V 1.5 turbo, a diferença técnica aparece com clareza. Mesmo usando câmbio CVT e motor turbo, o SUV da Honda entrega médias melhores graças à injeção direta, que melhora o controle da combustão e reduz desperdícios. É um detalhe invisível para o consumidor, mas decisivo no consumo final.
Essa limitação do Tiggo 5x ajuda a explicar por que muitos donos elogiam conforto, espaço e equipamentos, mas criticam o gasto no posto. Não se trata de erro de medição ou expectativa irreal. O carro, de fato, consome mais do que poderia.

A boa notícia é que a solução já está no radar da CAOA Chery, mas não passa por ajustes pontuais no motor atual. A marca optou por uma mudança mais profunda, que envolve eletrificação de verdade.
A partir do terceiro trimestre de 2026, o Tiggo 5x deve ganhar uma versão híbrida plena, já como linha 2027. Diferente do sistema micro-híbrido usado hoje no Tiggo 5x Pro Hybrid, essa nova configuração permite que o carro rode em modo elétrico em várias situações, reduzindo de forma concreta a dependência do motor a combustão.
Na China, onde esse conjunto já está em uso, o Tiggo 5x híbrido utiliza um motor 1.5 aspirado de ciclo Atkinson, focado em eficiência. Ele trabalha em conjunto com dois motores elétricos e uma transmissão híbrida dedicada, capaz de alternar entre funcionamento em série e paralelo conforme a situação.
O resultado não é apenas economia, mas também desempenho consistente. O sistema entrega potência combinada de 201 cv e torque de 31,6 kgfm, números que colocam o SUV em outro patamar frente à versão atual. Mais importante para o bolso, o consumo médio divulgado no mercado chinês chega a cerca de 18,5 km/l com gasolina.
Outro ponto relevante é que o modelo híbrido será produzido no Brasil, em Anápolis, Goiás. Isso tende a facilitar a adaptação às condições locais e reduzir custos logísticos, embora o preço final fique acima do Tiggo 5x Sport, hoje tabelado em R$ 129.990.
Para quem roda muito, a matemática começa a fazer sentido. A economia diária de combustível, especialmente no uso urbano, pode compensar o investimento extra ao longo do tempo.
Para o proprietário que hoje se incomoda com o consumo do Tiggo 5x Sport, a resposta não está em trocar por outro carro igual, mas em esperar uma mudança estrutural. E dessa vez, ela parece estar realmente a caminho.


































