Vale a pena comprar um Duster usado? SUV enfrenta críticas de donos e expõe falhas que desafiam sua fama de robustez
O Renault Duster sempre foi sinônimo de resistência e custo-benefício entre os SUVs nacionais. Fabricado em São José dos Pinhais (PR), o modelo conquistou motoristas que buscam espaço, simplicidade e manutenção acessível. O design robusto, o porte avantajado e o porta-malas de 475 litros ainda chamam atenção no mercado de usados, superando até rivais médios em capacidade. Porém, por trás da reputação sólida, começam a surgir sinais de desgaste na confiança de seus donos.
Pontos Principais:
- Renault Duster mantém boa procura entre usados pelo espaço e robustez.
- Proprietários relatam desgaste precoce nas borrachas de vedação do rack.
- Transmissão CVT tem histórico de falhas, trancos e infiltração de água.
- Amortecedores dianteiros apresentam vazamento antes da quilometragem esperada.
- Modelo segue popular, mas exige atenção em revisões e peças específicas.
Entre os mais procurados nas concessionárias de seminovos, a versão Intense, com motor 1.6 flex de 120 cv e câmbio manual, tornou-se símbolo de equilíbrio entre desempenho e economia. No entanto, relatos de proprietários nas plataformas de defesa do consumidor mostram que nem tudo é confiável sob a carroceria robusta. Donos apontam falhas que vão desde o ressecamento das borrachas de vedação até defeitos na transmissão automática CVT, que podem comprometer a experiência de uso e o bolso do comprador.

As reclamações sobre as borrachas de vedação se repetem em diversas gerações. Motoristas relatam que o material das portas e do rack de teto se deteriora em poucos anos, provocando infiltrações e ruídos. A frustração aumenta ao descobrir que a Renault não comercializa as borrachas separadamente — o que obriga o cliente a adquirir o rack completo. A própria marca reconhece que o conjunto é usinado de forma integrada, o que impede o encaixe de peças avulsas.
Outro ponto sensível é o câmbio automático CVT. Proprietários relatam trancos, ruídos e até falhas graves de funcionamento, como demora ao engatar ré e entrada em modo de emergência. Em casos mais extremos, houve infiltração de água no sistema, transformando o fluido da transmissão em uma substância pastosa, o que levou à necessidade de substituição completa da caixa — um reparo que, em alguns casos, ultrapassa o valor do próprio veículo.
A Renault costuma recomendar que o diagnóstico seja feito em concessionárias autorizadas, mas os relatos de falhas precoces em carros com revisões em dia levantam questionamentos sobre a durabilidade do conjunto CVT. Ainda assim, alguns consumidores afirmam que o atendimento foi resolutivo, com substituições feitas dentro do prazo de garantia, o que mostra uma tentativa da marca em preservar a imagem do SUV no mercado.
Os amortecedores também aparecem no centro das críticas. Proprietários de unidades recentes — incluindo modelos 2023 e 2024 — relataram vazamentos e falhas antes dos 30 mil km, bem abaixo do prazo de 80 mil km informado pela montadora. Em muitos casos, as peças foram substituídas após análise técnica, mas a frequência das ocorrências sugere que a suspensão do Duster pode não resistir tão bem ao uso urbano e ao solo irregular brasileiro quanto promete.
Apesar dos contratempos, o Duster segue firme entre os SUVs usados mais negociados. Sua robustez visual e a posição de condução elevada ainda pesam na escolha dos motoristas, especialmente aqueles que priorizam espaço e praticidade. Mas os relatos de problemas técnicos servem de alerta para quem busca um exemplar de segunda mão: antes de fechar negócio, é essencial avaliar o estado do câmbio, das borrachas de vedação e da suspensão — itens que podem transformar um bom negócio em uma dor de cabeça prolongada.
Fonte: Mobiauto, QuatroRodas, AutoEsporte e Autoo.


































