A semana começou com um sinal claro de alerta para a Tesla. Nesta segunda-feira, 8 de setembro de 2025, a montadora norte-americana sofreu queda após a divulgação de um relatório que expôs a retração de sua participação no mercado de veículos elétricos dos Estados Unidos. Pela primeira vez desde 2017, o índice ficou abaixo dos 40%, encerrando agosto em 38%.
Esse dado chama a atenção porque, mesmo com um aumento de 3% em suas vendas no período, a Tesla não acompanhou o ritmo do setor. O mercado de elétricos norte-americano como um todo cresceu 14%, o que evidencia que a empresa de Elon Musk perdeu terreno em relação aos rivais. Essa diferença de desempenho reforça a percepção de que a marca, que já foi sinônimo de liderança incontestável, começa a ceder espaço diante de uma concorrência cada vez mais agressiva.
Fabricantes como Hyundai, Honda, Kia, Toyota e Volkswagen ampliaram sua presença de forma expressiva. Eles apostaram em campanhas de marketing fortes e, sobretudo, em estímulos financeiros que atraíram novos clientes. Entre os incentivos oferecidos estão financiamentos sem juros e pacotes de carregamento gratuito, que têm grande peso na decisão de compra de consumidores ainda desconfiados em migrar para um veículo elétrico.
Enquanto isso, a Tesla enfrenta críticas por não ter apresentado modelos acessíveis que possam competir em escala mais ampla. Os últimos movimentos da companhia mostram que Elon Musk decidiu priorizar projetos futuristas, como robotáxis e robôs humanoides, em detrimento de lançamentos populares capazes de sustentar a participação de mercado no curto prazo. Essa escolha estratégica abre espaço para que concorrentes mais tradicionais ocupem lacunas deixadas pela empresa.
O impacto também se reflete no mercado financeiro. Embora os números exatos da desvalorização não tenham sido detalhados, as ações da Tesla reagiram negativamente, refletindo a apreensão dos investidores. Para muitos analistas, a dificuldade da marca em sustentar seu ritmo de crescimento gera dúvidas sobre sua capacidade de manter a liderança em um setor que já não depende mais de um único nome.
Além da perda de espaço, cresce a pressão para que a Tesla reveja sua estratégia. O avanço da concorrência não ocorre apenas em preço, mas também em variedade de modelos, tecnologias embarcadas e integração de soluções de recarga. Montadoras rivais aproveitam essa lacuna para posicionar seus produtos como alternativas viáveis e atraentes para diferentes perfis de clientes.
A fotografia do mercado em 2025 mostra um cenário diferente daquele de anos anteriores, em que a Tesla liderava de forma isolada. Agora, a empresa precisa equilibrar a inovação de longo prazo com a necessidade de não perder terreno imediato. Se, por um lado, robotáxis e robôs humanoides projetam uma visão de futuro, por outro, a realidade presente mostra que o consumidor busca opções concretas, acessíveis e competitivas hoje.