Volkswagen redefine o futuro do carro no Brasil com aposta em híbridos, não elétricos
O discurso de Thomas Schäfer, CEO global da Volkswagen, traduz o reposicionamento de uma das marcas mais influentes do planeta diante de um dilema que desafia toda a indústria automotiva: o equilíbrio entre inovação e realidade regional. A entrevista exclusiva à Autoesporte revela uma visão pragmática — no Brasil, o futuro imediato não é elétrico, é híbrido.
Pontos Principais:
- Volkswagen confirma que o futuro da marca no Brasil será híbrido, não elétrico.
- Investimento de R$ 20 bilhões até 2028 prioriza motores híbridos flex nacionais.
- Plataforma MQB Evo e motor 1.5 TSI híbrido marcam nova fase tecnológica.
- Sucessora da Saveiro terá foco duplo: trabalho e estilo de vida.
- Equipe de design brasileira é elogiada por inovação e pragmatismo global.
- Marcas históricas como Polo e Golf voltam à linha elétrica ID da VW.
Enquanto a Europa se esforça para corrigir os tropeços de sua primeira geração de elétricos, Schäfer aposta na força das raízes locais. O executivo entende que o mercado brasileiro responde de forma distinta às tendências globais. Aqui, a eletrificação total esbarra em custos, infraestrutura e hábitos culturais. Por isso, os R$ 20 bilhões investidos até 2028 concentram-se em motores híbridos flex, uma solução de transição que concilia eficiência e acessibilidade.

O sucesso do Volkswagen Tera simboliza essa estratégia. Desenvolvido para a América do Sul, o SUV superou expectativas e mostrou que o design e a engenharia brasileiros são capazes de gerar produtos de relevância global. Schäfer reconhece o talento do time local e o chama de um dos mais criativos da empresa. Não à toa, parte das futuras plataformas híbridas — como a MQB Evo — nascerá aqui, adaptada às exigências de consumo e combustível da região.
Essa flexibilidade será crucial para a chegada de uma nova geração de veículos híbridos, liderados por modelos como o T-Roc HEV e futuros SUVs nacionais. A Volkswagen quer manter viva sua herança mecânica, mas em sintonia com as novas exigências ambientais. O motor flex, símbolo de independência energética brasileira, continua no centro dessa narrativa.
Além dos SUVs, as picapes entram na rota estratégica. A sucessora da Saveiro, concebida no Brasil, terá vocação dupla: atender ao trabalho e ao lazer. Schäfer identifica no “lifestyle truck” um fenômeno tipicamente brasileiro — a picape que carrega ferramentas durante a semana e bicicletas no fim de semana. Essa leitura sociocultural reforça o conceito de “engenharia emocional” que tem guiado os novos projetos.
A entrevista também revela um reposicionamento simbólico: o retorno dos nomes icônicos. Em vez de criar siglas impessoais, a Volkswagen decidiu que os elétricos também serão Polos, Crosses e Golfs. Para Schäfer, nomes familiares fortalecem o vínculo com o público e recuperam a identidade perdida durante a transição tecnológica. É um movimento de branding com peso emocional e histórico.
Enquanto isso, a eletrificação plena continua sendo uma ambição de longo prazo. O CEO admite que os híbridos plug-in só virão se houver demanda real. Em vez de imposição tecnológica, a Volkswagen pretende seguir o pulso do mercado. No Brasil, isso significa manter motores a combustão relevantes por mais tempo, mas em versões cada vez mais limpas e inteligentes.
A mensagem final de Schäfer ecoa o pragmatismo alemão aliado à intuição tropical: inovar sem romper com o que funciona. Para o executivo, o caminho da mobilidade sustentável passa pela hibridização flex, pela valorização do design brasileiro e pela reconexão com a história da marca. É menos sobre carros elétricos e mais sobre construir um futuro que o consumidor realmente possa dirigir.
Fonte: QuatroRodas e AutoEsporte.


































