Volkswagen Taos 2026 assume novo visual, vem do México, mas ainda se recusa a ser híbrido

Em novembro, o Taos 2026 chega ao Brasil com produção vinda do México, visual atualizado, interior mais refinado e motor 1.4 TSI mantido — promessa de evolução que esbarra na falta de eletrificação.
Publicado por em Volkswagen dia
Volkswagen Taos 2026 assume novo visual, vem do México, mas ainda se recusa a ser híbrido

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O Volkswagen Taos 2026 é a tentativa mais recente da marca alemã de provar que ainda entende o que o consumidor brasileiro espera de um SUV médio. Só que, em 2025, o jogo mudou. Os rivais diretos — Jeep Compass, Toyota Corolla Cross e os híbridos chineses que se multiplicam nas ruas — redefiniram o que significa ser um utilitário moderno. O novo Taos chega tentando recuperar terreno com um pacote visual mais sofisticado e um interior que finalmente parece ter sido projetado para o presente. Mas, no fim das contas, a pergunta permanece: será que isso é suficiente?

Pontos Principais:

  • Produção deslocada da Argentina para o México, buscando padronização global da marca.
  • Design completamente revisitado: dianteira redesenhada, faróis full-LED matriciais, traseira com faixa iluminada e emblema VW aceso.
  • Interior atualizado com novos materiais, central multimídia de 10,1″ com internet 4G, botões físicos no volante e iluminação ambiente.
  • Motorização inalterada: motor 1.4 TSI flex de 150 cv, câmbio automático de oito marchas, sem versão híbrida ou plug-in.
  • Precificação ainda não definida, o que torna o posicionamento competitivo frente a híbridos chineses e rivais estabelecidos incerto.

A primeira mudança é estratégica. O VW Taos 2026 deixa de vir da Argentina e passa a ser importado do México, o que não é mero detalhe logístico — é uma decisão de sobrevivência. A produção em Puebla aproxima o SUV da matriz e dos padrões de qualidade globais da Volkswagen, que vinha sendo cobrada pela diferença de acabamento em relação aos modelos europeus. O novo Taos assume traços inspirados no Tera, no Nivus e no T-Cross, e o resultado é um carro mais alinhado à linguagem global da marca. Menos cromados gratuitos, mais luz. Literalmente.

O Volkswagen Taos 2026 chega ao Brasil vindo do México, deixando a Argentina para trás. O SUV médio aposta em design renovado, mais sofisticação e acabamento digno do padrão global da marca.
O Volkswagen Taos 2026 chega ao Brasil vindo do México, deixando a Argentina para trás. O SUV médio aposta em design renovado, mais sofisticação e acabamento digno do padrão global da marca.

A dianteira, por exemplo, abandona a velha grade de barras horizontais e adota um visual mais limpo e tecnológico. Os faróis IQ.Light matriciais de LED agora são padrão em todas as versões — algo raro em SUVs médios. A assinatura em forma de “H” é o tipo de detalhe que só faz sentido quando você o vê refletido nas vitrines da cidade à noite. É design pensado para o Instagram, mas sem deixar de ter função: o sistema ajusta automaticamente o facho para evitar ofuscamento e ilumina curvas de forma inteligente.

O novo visual traz faróis full-LED matriciais IQ.Light e uma traseira redesenhada com barra luminosa e o logotipo da VW iluminado, criando uma assinatura inédita e mais tecnológica.
O novo visual traz faróis full-LED matriciais IQ.Light e uma traseira redesenhada com barra luminosa e o logotipo da VW iluminado, criando uma assinatura inédita e mais tecnológica.

Atrás, a Volkswagen aposta em um novo detalhe: o logotipo iluminado. O emblema da marca, em vermelho, brilha no centro da barra de LED que conecta as lanternas. É um toque ousado para um carro tradicionalmente conservador, e a VW parece saber disso. O efeito é curioso: dá a impressão de que o carro ficou mais baixo, mais esportivo, ainda que o Taos continue sendo o mesmo SUV de sempre, com proporções conhecidas e porta-malas de 498 litros.

Por dentro, o Taos 2026 ganha materiais de melhor qualidade, iluminação ambiente configurável e a central multimídia VW Play Connect com internet 4G e tela de 10,1 polegadas em HD+.
Por dentro, o Taos 2026 ganha materiais de melhor qualidade, iluminação ambiente configurável e a central multimídia VW Play Connect com internet 4G e tela de 10,1 polegadas em HD+.

Por dentro, a história é de redenção — ou tentativa de. O interior ganhou materiais mais agradáveis e uma dose de iluminação ambiente digna de carro premium. Mas não é revolução: o painel ainda traz muito plástico rígido, e o vinil com costura aparente é mais uma maquiagem do que uma transformação estrutural. O toque realmente novo está no volante: a Volkswagen desistiu dos comandos sensíveis ao toque e trouxe de volta os botões físicos. Um reconhecimento explícito de que, às vezes, o “inovador” só atrapalha.

A Volkswagen ouviu críticas e abandonou os comandos sensíveis ao toque no volante. Os botões físicos voltam para melhorar a ergonomia e o conforto ao dirigir no dia a dia.
A Volkswagen ouviu críticas e abandonou os comandos sensíveis ao toque no volante. Os botões físicos voltam para melhorar a ergonomia e o conforto ao dirigir no dia a dia.

A central multimídia VW Play Connect agora tem conexão 4G e tela de 10,1 polegadas em resolução HD+, com Apple CarPlay sem fio e Android Auto via cabo. É um sistema mais fluido e completo, mas ainda aquém do que marcas chinesas oferecem em termos de integração e fluidez. O pacote de conectividade evoluiu, mas segue preso à filosofia alemã de controle: tudo precisa passar pela lógica corporativa do “Meu VW”.

As versões seguem a lógica conhecida: Comfortline e Highline, ambas equipadas com o motor 1.4 TSI de 150 cv e 25,5 kgfm, acoplado ao câmbio automático de oito marchas. A Volkswagen não ousou — o conjunto mecânico é confiável, eficiente e já consolidado. O problema é que, em 2025, esse conjunto soa datado frente aos rivais híbridos. A ausência total de qualquer tipo de eletrificação é o grande ponto cego do Taos 2026. O modelo mantém consumo médio de 7,7 km/l (etanol) e 11,1 km/l (gasolina) na cidade, números que hoje são vistos como medianos.

O desempenho, por outro lado, continua respeitável. O Taos acelera de 0 a 100 km/h em 9,1 segundos e atinge 194 km/h de máxima. São números que o colocam entre os SUVs mais equilibrados do segmento em termos de resposta e conforto, mesmo sem o empurrão elétrico que virou moda entre os concorrentes. A suspensão multilink traseira segue sendo uma das melhores do segmento, garantindo estabilidade exemplar em curvas — o que o Compass, por exemplo, ainda luta para igualar.

Mas, ao lado dos rivais, o novo Taos joga com cartas conhecidas. O Toyota Corolla Cross híbrido já tem o peso simbólico da eficiência, enquanto o Haval H6 e o BYD Song Plus empilham números de potência e autonomia elétrica. O VW, por sua vez, tenta vender a ideia de solidez. É o SUV de quem quer um carro com alma de Golf — confortável, previsível e com construção sólida. Só que o público do segmento hoje parece querer algo mais: economia, tecnologia e um pouco de espetáculo.

Sob o capô, o motor 1.4 TSI flex de 150 cv e 25,5 kgfm permanece. O câmbio automático de oito marchas garante desempenho estável, mas a falta de eletrificação o torna menos competitivo.
Sob o capô, o motor 1.4 TSI flex de 150 cv e 25,5 kgfm permanece. O câmbio automático de oito marchas garante desempenho estável, mas a falta de eletrificação o torna menos competitivo.

Na versão Comfortline, o Taos traz seis airbags, controle de cruzeiro adaptativo com função Stop & Go, frenagem autônoma de emergência, alerta de fadiga e detector de pedestres. O pacote é robusto, mas já não impressiona. O Highline adiciona Travel Assist e Lane Assist, com centralização ativa em faixa, além de bancos parcialmente em couro, teto solar panorâmico e som premium. São mimos esperados, não luxos. E, no mercado de 2025, esperados não bastam.

A Volkswagen ainda não revelou o preço do modelo, mas ele será o fator decisivo. Hoje, o Taos 2025 parte de R$ 206.990 e chega a R$ 231.990. Se o novo modelo mantiver essa faixa, terá dificuldade de justificar a falta de hibridização. Se vier mais barato, pode se tornar a opção racional entre SUVs médios: o carro que entrega mais por menos, sem invocar modismos tecnológicos.

Há uma ironia nisso tudo. O Taos nasceu para ser o SUV global da Volkswagen, mas acabou sendo um carro de transição — o símbolo de uma marca que ainda tenta decidir se quer liderar a eletrificação ou continuar apostando naquilo que sempre soube fazer bem: carros a combustão, com bom comportamento dinâmico e aparência sóbria. O Taos 2026 tenta equilibrar essas duas identidades. O resultado é um SUV que amadureceu, mas que ainda não encontrou seu lugar num mercado em metamorfose.

O carro é bonito, refinado e sólido. Mas, no fundo, ainda carrega o dilema da Volkswagen atual: a dificuldade de ser inovadora sem parecer desesperada. E enquanto os concorrentes eletrificados avançam, o Taos 2026 se firma como o último suspiro elegante de uma era que está prestes a acabar.

Fonte: Vwnews, QuatroRodas, AutoEsporte e UOL.

Alan Corrêa
Alan Corrêa
Jornalista automotivo (MTB: 0075964/SP) e analista de mercado. Especialista em traduzir a engenharia de lançamentos e monitorar a desvalorização de usados. No Carro.Blog.br, assina testes técnicos e guias de compra com foco em durabilidade e custo-benefício.