Kia Tasman chegou antes na Argentina e revelou o que o Brasil deve encarar: preços altos, visual polêmico e uma aposta ousada
A Kia Tasman abriu sua primeira porta na América do Sul pela Argentina e colocou a marca coreana em um território onde novidade sozinha não costuma resolver muita coisa. A picape é a primeira do gênero na história da Kia, será importada da Coreia do Sul e tem chegada prevista ao Brasil no segundo semestre, com a tarefa de disputar atenção em um segmento acostumado a nomes fortes, uso pesado e compradores que raramente decidem apenas pelo desenho ou pela lista de equipamentos.
A estreia no país vizinho funciona como uma prévia do que será observado por aqui. A Tasman não aparece como uma picape simples, nem como uma tentativa de disputar mercado pelo caminho mais barato. Ela chega com tração 4×4, marcha reduzida, bloqueio do diferencial traseiro, motores fortes e um visual que já virou tema de debate em outros mercados. Antes mesmo de desembarcar no Brasil, a picape já carrega uma pergunta difícil: a Kia conseguirá transformar curiosidade em confiança?
Argentina mostra a primeira configuração da aposta sul-coreana

Na Argentina, a linha foi aberta com três versões. A tabela concentra os valores divulgados na pré-venda e evita uma leitura espalhada do mesmo dado ao longo da matéria.
| Versão | Motor | Valor divulgado |
|---|---|---|
| EX | 2.5 turbo a gasolina | US$ 57.500, equivalente a R$ 291.887,25 |
| EX | 2.2 turbodiesel | US$ 58.500, cerca de R$ 296.964,00 |
| X-Pro | 2.5 turbo a gasolina | US$ 79.000, equivalente a R$ 401.028,00 |
O posicionamento é influenciado pela importação, já que incide sobre o veículo uma tarifa de 35%. Isso ajuda a explicar por que a Tasman não deve chegar à região com proposta de grande volume. A leitura comercial é outra: colocar a Kia em uma faixa de imagem mais alta, onde exclusividade, tecnologia, força mecânica e diferenciação pesam na decisão.
Motor diesel conversa com tradição; gasolina aposta em desempenho

A Tasman terá duas opções de motorização no mercado argentino. O 2.2 turbodiesel entrega 202 cv e 44,9 kgfm de torque, combinação mais próxima do uso clássico de uma picape média, com foco em força e eficiência. Já o 2.5 turbo a gasolina entrega 281 cv e 42,9 kgfm, o que dá ao modelo uma proposta mais voltada ao desempenho.
Nos dois casos, o câmbio é automático de oito marchas. A tração 4×4 selecionável vem acompanhada de marcha reduzida e bloqueio do diferencial traseiro, conjunto que coloca a Tasman em uma posição tecnicamente compatível com a disputa entre picapes médias de uso misto. A Kia sabe que não basta entregar aparência robusta. Nesse segmento, o comprador quer enxergar capacidade real, mesmo quando usa a picape mais na cidade do que na terra.
O desafio não está só na ficha técnica

A Tasman terá pela frente Toyota Hilux, Ford Ranger e Volkswagen Amarok, mas a própria estratégia de lançamento indica que a Kia não pretende bater de frente em volume. O desafio é mais sutil. A marca precisa convencer um público acostumado a tradição, rede, pós-venda e reputação de longo prazo a considerar uma estreante em um dos segmentos mais conservadores do mercado automotivo.
Picape média não é comprada apenas como transporte. Para muita gente, ela representa trabalho, lazer, status, segurança em estrada ruim e liberdade de deslocamento. É nesse imaginário que a Tasman tenta entrar. A força do motor ajuda, os equipamentos ajudam, mas a marca ainda precisa construir uma história que rivais tradicionais já contam há anos.
A Tasman chega com conteúdo técnico consistente, mas seu maior teste será conquistar confiança em um segmento onde tradição costuma pesar tanto quanto potência.
Visual virou assunto antes da estreia brasileira
O desenho da Tasman é um dos pontos que mais chamam atenção desde a apresentação global do modelo. A frente alta, as linhas pouco convencionais e a tentativa de criar uma identidade própria afastam a picape do padrão mais previsível do segmento. Essa escolha deu personalidade ao projeto, mas também trouxe resistência.
Na Austrália, onde a Tasman já circula, as vendas ficaram abaixo do esperado. A Kia chegou a cortar valores para tentar aquecer o mercado local, sinal de que a reação inicial não foi exatamente a desejada. O caso australiano importa porque mostra que a novidade provocou curiosidade, mas também encontrou barreiras no primeiro contato com o consumidor.
Roland Rivero, gerente geral de planejamento de produto da Kia Austrália, admitiu publicamente que a empresa estuda mudanças. Ele indicou que a marca tem ideias em análise, incluindo possíveis novas motorizações e melhorias de design. Ao mesmo tempo, deixou claro que nenhum facelift foi antecipado e que o ciclo de vida do produto seguirá seu curso.
Weekender indica o caminho mais provável

A solução mais próxima não parece ser uma mudança profunda na estrutura da picape. A Kia deve trabalhar com acessórios, versões especiais e detalhes capazes de mudar a percepção visual sem alterar o projeto de base. Uma pista apareceu no Salão de Seul de 2025, com o conceito Tasman Weekender.
O protótipo mostrou a picape com kit de carroceria redesenhado, grade mais discreta, para-lamas na cor da carroceria e um rack de teto futurista que se estende até a caçamba. O resultado sugeriu uma Tasman menos bruta no olhar inicial e mais próxima de um produto de estilo, algo que pode ajudar em mercados onde a aparência original dividiu opiniões.
- A Tasman é a primeira picape média da história da Kia.
- O modelo iniciou pré-venda na Argentina antes da chegada brasileira.
- A importação da Coreia do Sul influencia diretamente o posicionamento regional.
- A linha combina câmbio automático de oito marchas e tração 4×4 selecionável.
- A estreia no Brasil está prevista para o segundo semestre.
Pré-venda tenta criar sensação de lançamento exclusivo
Na Argentina, a Kia acompanha a abertura das reservas com benefícios para os primeiros compradores. O pacote inclui frete e documentação gratuitos, 160 litros de combustível para resgate na rede Puma Pris e acesso a eventos exclusivos da marca.
Esses itens não mudam a natureza do produto, mas ajudam a construir uma experiência de lançamento. Para uma picape estreante, especialmente vinda de uma marca sem histórico nesse segmento, a primeira leva de compradores tem importância simbólica. São eles que colocam o modelo na rua, geram as primeiras impressões e ajudam a definir se a Tasman será vista como curiosidade passageira ou como alternativa real.

O interior também faz parte dessa tentativa de reposicionamento. A Kia destaca cluster digital, lista ampla de equipamentos de série, capacidade para cinco ocupantes e saídas de ar no banco traseiro. A mensagem é clara: a Tasman quer atender quem precisa de robustez, mas também quem usa picape como veículo de família, viagem e presença urbana.
O Brasil será a próxima etapa dessa história. A Kia já tem a Tasman confirmada para o segundo semestre, depois da abertura da pré-venda argentina, e a chegada ao mercado brasileiro deverá mostrar se a primeira picape média da marca conseguirá ir além da curiosidade criada por sua estreia sul-americana.


































