Quem comprar um Volkswagen Tera 2027 encontrará três configurações mecânicas diferentes nas concessionárias. A Volkswagen decidiu reservar o motor mais potente e o novo câmbio automático de oito marchas para as versões Comfort e High, enquanto as opções mais baratas continuam com os conjuntos anteriores. É uma diferença importante em um carro que está apenas na segunda linha de produção de sua história.
A mudança também cria uma divisão entre os Tera 2026 e 2027. Quem comprou o SUV automático no lançamento levou para casa o motor 170 TSI, de até 116 cv, associado ao câmbio de seis marchas. Agora, essa combinação deixa de equipar as versões automáticas, substituída pelo motor 200 TSI de até 128 cv e transmissão de oito velocidades.
O novo motor entrega 20,4 kgfm de torque com etanol, combustível que também permite alcançar os 128 cv. Com gasolina, a potência fica em 116 cv. O ganho de força é acompanhado pela nova transmissão, já adotada pela Volkswagen em outros modelos de sua linha brasileira.
Na prática, o novo conjunto apresenta respostas mais rápidas ao acelerador e trocas de marcha suaves, embora o câmbio mantenha o motor em rotações mais elevadas durante determinadas acelerações. O resultado inicial indica um Tera mais disposto, mas ainda faltam medições completas para estabelecer quanto ele efetivamente melhorou em aceleração e consumo.
Essa última informação é especialmente importante porque o Tera anterior registrou 17,3 km/l em um teste urbano com gasolina e ar-condicionado ligado. A Volkswagen espera ganhos de eficiência com a nova transmissão, mas ainda não há um resultado equivalente que permita comparar as duas configurações nas mesmas condições.
A diferença de preço entre as linhas também merece atenção. As versões MPI e 170 TSI manual permanecem sem reajuste, enquanto Comfort e High ficaram R$ 1.000 mais caras. A Comfort passa a custar aproximadamente R$ 134 mil, enquanto a High chega à faixa de R$ 147 mil. Assim, o comprador das versões automáticas recebe duas alterações mecânicas importantes mediante um aumento relativamente pequeno no preço anunciado.
Nas configurações de entrada, nada muda. A MPI conserva o motor 1.0 aspirado de três cilindros, com até 84 cv. A 170 TSI continua com até 116 cv e câmbio manual de cinco marchas. Isso significa que o Tera 2027 mantém alternativas para compradores com prioridades diferentes, mas concentra a atualização mecânica nas versões mais caras.
Fora do conjunto de motor e câmbio, o SUV permanece praticamente intocado. São 4,15 metros de comprimento, 2,57 metros de entre-eixos e porta-malas de 350 litros. O desenho da carroceria, os faróis de LED e a disposição interna também seguem o padrão apresentado no lançamento.
Na Comfort, o pacote inclui controle de cruzeiro adaptativo, ar-condicionado digital, carregador de celular por indução e central multimídia de 10,1 polegadas, com Android Auto e Apple CarPlay sem fio. O volante tem revestimento de couro, mas o freio de estacionamento continua sendo acionado por alavanca convencional.
O interior conserva algumas limitações que a atualização mecânica não resolveu. O espaço traseiro é apertado para adultos altos, especialmente com o banco dianteiro ajustado para um motorista de aproximadamente 1,87 metro. Há duas conexões USB-C para os passageiros de trás, mas não existem saídas de ar-condicionado naquela região.
O acabamento também permanece com bastante plástico rígido, embora parte do painel tenha revestimento de tecido. A suspensão mantém um acerto firme, perceptível sobre asfalto irregular, e o formato do banco do motorista pode dificultar a acomodação de pessoas mais altas.
Para o mercado de usados, a mudança cria uma particularidade. Em pouco tempo, haverá unidades visualmente iguais do Tera Comfort e High, mas com motores e transmissões diferentes. A identificação correta do ano-modelo e da configuração mecânica será necessária para distinguir os carros, especialmente porque a atualização não trouxe alterações externas relevantes.
Ainda não existe histórico suficiente para comparar a durabilidade ou os custos de manutenção dos dois conjuntos no Tera. Também seria precipitado afirmar que o câmbio de oito marchas terá maior vida útil ou exigirá reparos mais caros. Essas respostas dependerão do comportamento dos veículos após anos de utilização.
A Volkswagen conseguiu aumentar a potência e acrescentar duas marchas às versões automáticas sem promover uma reformulação completa do produto. Para quem pretende comprar um Tera, a questão agora vai além da diferença de R$ 1.000 na tabela: o SUV de 2027 já não tem exatamente a mesma mecânica daquele apresentado em 2026, embora os dois continuem praticamente idênticos por fora.
Com informações da Vwnews.