Nürburgring, o templo do automobilismo mundial: tudo sobre a pista de corrida mais famosa do mundo

Nürburgring une passado e presente com Nordschleife e GP-Strecke, mantendo vivo o legado de três pistas históricas em um só complexo.
Publicado por em Destinos e História dia | Atualizado em
Nürburgring, o templo do automobilismo mundial: tudo sobre a pista de corrida mais famosa do mundo

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Localizado na região de Eifel, na Alemanha, o Nürburgring se tornou sinônimo de desafio, tradição e inovação ao longo de quase um século. O complexo reúne diferentes pistas, estruturas modernas e um legado que vai além do esporte, tornando-se parte essencial da cultura automotiva global.

Pontos Principais:

Desde sua inauguração em 1927, o Nürburgring já nasceu grandioso, com traçados que somavam quase 30 km. Ao longo das décadas, transformou-se em palco de duelos históricos, acidentes marcantes e eventos que moldaram a imagem de “Inferno Verde”, apelido dado por Jackie Stewart nos anos 1960 à famosa Nordschleife.

A pista é tão longa que pode chover em uma parte e estar ensolarado em outra, criando condições imprevisíveis durante corridas e testes de veículos.
A pista é tão longa que pode chover em uma parte e estar ensolarado em outra, criando condições imprevisíveis durante corridas e testes de veículos.

Hoje, o complexo convive com o passado e o presente: mantém a Nordschleife quase intocada, mas também abriga a moderna GP-Strecke, que atende aos padrões de segurança internacionais. Entre corridas de resistência, testes de fabricantes e turismo automobilístico, Nürburgring segue vivo e em constante reinvenção.

As origens e a construção de um ícone

O apelido “Inferno Verde” foi dado por Jackie Stewart nos anos 1960, destacando o perigo da pista cercada por florestas densas e curvas cegas.
O apelido “Inferno Verde” foi dado por Jackie Stewart nos anos 1960, destacando o perigo da pista cercada por florestas densas e curvas cegas.

A Alemanha do pós-Primeira Guerra buscava retomar seu protagonismo industrial, e a ideia de erguer um circuito permanente ganhou força nos anos 1920. Até então, as corridas eram disputadas em estradas públicas, inseguras e limitadas. O terreno montanhoso de Eifel oferecia o cenário perfeito para uma pista única no mundo.

Em 1925, começaram as obras e, dois anos depois, o Nürburgring foi inaugurado com 28 km de extensão, divididos entre a Nordschleife, com 22,8 km, e a Südschleife, com 7,7 km. A pista logo ganhou notoriedade por suas curvas cegas, variações de elevação e proximidade da floresta, características que desafiavam até os pilotos mais experientes.

Nos anos 1930, tornou-se palco das disputas entre Mercedes-Benz, Auto Union e Ferrari, com pilotos lendários como Rudolf Caracciola e Bernd Rosemeyer. Essas batalhas ajudaram a consolidar a fama do circuito como o mais exigente do planeta.

A Segunda Guerra interrompeu atividades, mas no pós-guerra o Nürburgring voltou a ser centro do automobilismo europeu, recebendo inclusive a Fórmula 1. A combinação de beleza natural e risco extremo passou a definir sua identidade.

Era de ouro, riscos e a ruptura com a Fórmula 1

A Nordschleife recebeu a Fórmula 1 por décadas, mas sua extensão e perigos colocavam pilotos sob constante ameaça. Sem áreas de escape adequadas e com condições climáticas imprevisíveis, a pista exigia concentração e coragem em cada volta.

O ápice da tensão veio em 1976, no acidente de Niki Lauda. O austríaco, campeão mundial, sofreu queimaduras graves após perder o controle de sua Ferrari. O episódio marcou o fim da categoria no traçado antigo e acelerou as discussões sobre segurança no automobilismo.

Mesmo fora do calendário da F1, o Nürburgring não perdeu relevância. Tornou-se cada vez mais associado às corridas de longa duração e aos testes de fabricantes, que utilizavam suas características extremas para aperfeiçoar veículos de rua e competição.

Os marcos da transformação

O circuito passou por diversas fases que moldaram sua história:

  • 1927: inauguração com Nordschleife e Südschleife
  • 1930-1950: auge das disputas entre montadoras europeias
  • 1976: acidente de Niki Lauda encerra era da F1 no traçado antigo
  • 1984: inauguração da GP-Strecke moderna
  • Hoje: palco de resistência, turismo e testes de montadoras

Esses marcos mostram como Nürburgring soube se adaptar às mudanças do automobilismo, preservando sua essência sem abrir mão da modernização.

Nürburgring e suas três pistas

O complexo de Nürburgring já contou com três pistas principais ao longo da história, mas atualmente apenas duas seguem em uso. Cada uma tem características únicas e importância distinta no automobilismo.

  • Nordschleife: inaugurada em 1927, com 20,8 km, é conhecida como “Inferno Verde” e segue ativa para corridas, testes e turismo.
  • Südschleife: também inaugurada em 1927, tinha 7,7 km, mas caiu em desuso nos anos 1970; parte virou estrada local.
  • GP-Strecke: inaugurada em 1984, com cerca de 5 km, foi construída para atender padrões modernos e receber a Fórmula 1 e outras categorias.

A GP-Strecke e a convivência entre passado e presente

Em 1984, a inauguração da GP-Strecke trouxe um traçado moderno, com pouco mais de 5 km, construído segundo os padrões internacionais de segurança. A novidade devolveu ao Nürburgring o direito de receber grandes eventos, incluindo o GP da Alemanha e o GP da Europa de Fórmula 1.

Enquanto isso, a Nordschleife manteve seu papel como palco de corridas de resistência e local de testes de desempenho. A convivência entre os dois traçados simboliza a dualidade do complexo: tradição e inovação lado a lado.

Eventos como as 24 Horas de Nürburgring, que combinam parte da GP-Strecke com a Nordschleife, reforçaram a vocação do espaço para o automobilismo de resistência. A corrida, disputada desde 1970, reúne equipes profissionais, amadores e marcas de ponta, em batalhas que atravessam dia e noite, com clima imprevisível.

Fabricantes como Porsche, BMW, Mercedes-AMG e Audi transformaram a pista em laboratório, usando cada curva e subida para calibrar suspensões, freios e motores. Tornou-se comum lançar novos modelos com tempos de volta registrados na Nordschleife, criando uma espécie de selo de performance.

O Nürburgring na cultura automotiva e o que esperar do futuro

Nürburgring é um circuito de corrida na Alemanha, com quase 20 km e 73 curvas. Conhecido como "Inferno Verde", é um dos percursos mais desafiadores e usados para testar carros esportivos.
Nürburgring é um circuito de corrida na Alemanha, com quase 20 km e 73 curvas. Conhecido como “Inferno Verde”, é um dos percursos mais desafiadores e usados para testar carros esportivos.

Além das corridas, o Nürburgring consolidou-se como destino turístico. O programa Touristenfahrten permite que qualquer pessoa, mediante o pagamento de uma taxa, rode com seu próprio carro ou moto na Nordschleife. Essa abertura ao público ajudou a criar uma relação única entre o circuito e os entusiastas.

O complexo também se expandiu para além das pistas, com museus, hotéis e centros de convenções. Tornou-se um polo de entretenimento e negócios, mantendo o automobilismo como núcleo, mas abraçando diferentes formas de cultura e turismo.

O futuro do Nürburgring aponta para a continuidade dessa dualidade. De um lado, a preservação da Nordschleife como símbolo histórico e desafiador. De outro, o fortalecimento da GP-Strecke e da infraestrutura moderna para atender às exigências de segurança e às novas categorias, inclusive as que exploram a eletrificação.

O “Inferno Verde” segue, portanto, como referência mundial, guardando sua aura mítica e, ao mesmo tempo, abrindo espaço para novas gerações de pilotos, engenheiros e apaixonados por automobilismo. Um legado que une passado, presente e futuro em um mesmo traçado.

Quanto tempo dura uma volta em Nürburgring?

No traçado Nordschleife, o tempo de volta varia bastante. Carros de competição, como os da categoria GT3, conseguem completar o circuito em menos de 7 minutos.

Já esportivos de rua muito potentes ficam na faixa de 7 a 8 minutos, dependendo das condições da pista e da habilidade do piloto.

Em voltas turísticas, com carros comuns e velocidade controlada, o tempo costuma ser superior a 9 minutos, chegando facilmente a 10 ou 11 minutos.

Quanto custa para dar uma volta em Nürburgring?

O ingresso para dar uma volta turística no Nordschleife custa em média 30 euros nos dias de semana e 35 euros em fins de semana e feriados.

Esse valor é válido para quem entra com seu próprio carro ou moto, sendo cobrado por volta realizada no circuito.

Já pacotes com aluguel de carros preparados podem custar centenas de euros, ultrapassando facilmente os 500 euros dependendo do modelo escolhido.

Em que cidade fica o Nürburgring?

O circuito de Nürburgring está localizado em Nürburg, pequena cidade da Renânia-Palatinado, no oeste da Alemanha.

A região é marcada por vilarejos e pelo famoso castelo medieval de Nürburg, que pode ser visto de vários trechos da pista.

Colônia e Bonn são as cidades grandes mais próximas, situadas a cerca de 70 a 90 quilômetros do autódromo.

Qual é o maior autódromo do mundo?

O Nordschleife de Nürburgring é considerado o circuito mais longo ainda em atividade, com aproximadamente 20,8 quilômetros por volta.

Seu traçado inclui 73 curvas, trechos de alta velocidade e grandes variações de relevo, o que o torna um desafio único.

Apesar disso, a definição de “maior autódromo do mundo” pode variar, já que outros complexos têm áreas totais mais extensas, mas não contam com um traçado tão longo em uso.

Porque Nürburgring saiu da F1?

O Nordschleife deixou de receber a Fórmula 1 por razões de segurança, já que seu traçado longo e perigoso se tornou inadequado às exigências modernas.

Além disso, os custos elevados para adaptar a pista e manter contratos com a categoria dificultaram a permanência da prova no calendário.

Com isso, a F1 passou a usar o traçado “GP-Strecke”, inaugurado em 1984, mais curto e adequado às regras atuais.

Quantos carros correm em Nürburgring?

As corridas de endurance em Nürburgring, como as 24 Horas, reúnem grids superiores a 100 carros inscritos.

Em algumas edições, o número de veículos ultrapassa 140, misturando categorias diferentes no mesmo evento.

Essa variedade aumenta a dificuldade, já que pilotos de GT3 dividem pista com carros menos potentes, exigindo atenção redobrada.

Quem é o dono do Nürburgring?

Após enfrentar problemas financeiros, o Nürburgring foi vendido em 2014 para a empresa Capricorn Development GmbH.

O controle do circuito também tem ligação com investidores internacionais, como o empresário russo Viktor Kharitonin.

Hoje, a gestão busca equilibrar corridas de alto nível com atividades turísticas, mantendo o autódromo ativo e acessível ao público.

Fonte: Wikipedia e Nuerburgring.

Alan Corrêa
Alan Corrêa
Jornalista automotivo (MTB: 0075964/SP) e analista de mercado. Especialista em traduzir a engenharia de lançamentos e monitorar a desvalorização de usados. No Carro.Blog.br, assina testes técnicos e guias de compra com foco em durabilidade e custo-benefício.