O Volkswagen Voyage 4 portas enfrentou um problema que pouco tinha a ver com motor, preço ou acabamento, quando chegou às lojas em 1983, boa parte dos brasileiros ainda preferia carros com duas portas, mesmo que isso dificultasse o acesso ao banco traseiro.
A carroceria atendia melhor quem levava crianças, idosos ou passageiros com frequência, mas essa vantagem não mudou o comportamento do mercado, a Volkswagen manteve a configuração por apenas dois anos e encerrou sua primeira passagem pelo país em 1985.
O Voyage havia sido lançado em 1981 como o sedan derivado do Gol, a versão com quatro portas ampliou a facilidade de uso sem alterar a distância entre os eixos, por isso o espaço interno continuava limitado diante de modelos maiores, como o Passat.
A primeira linha tinha acabamentos S, LS e GLS, com motor 1.6 a gasolina ou etanol, o câmbio manual de quatro marchas também podia receber relações mais longas na versão LS, solução usada para diminuir o consumo durante viagens e deslocamentos urbanos.
Com 910 kg, o Voyage 1.6 chegava aos 100 km/h em 14 segundos, fazia 10,2 km/l na cidade e 12,2 km/l na estrada, a velocidade máxima ficava em 156 km/h, limitada também pelo desenho pouco eficiente contra o vento.
Enquanto perdia espaço no Brasil, a carroceria de quatro portas avançava em outros mercados, na Argentina recebeu o nome Gacel, em países latino-americanos foi vendida como Amazon e nos Estados Unidos virou Volkswagen Fox, com milhares de alterações para atender às regras locais.
A preferência brasileira começou a mudar no fim da década, quando modelos familiares com quatro portas ganharam presença nas ruas, a Volkswagen então retomou a produção do Voyage nessa configuração em 1990, desta vez com mudanças visuais e motor AP 1.8.
O modelo voltou sem os quebra-ventos dianteiros e passou a oferecer desempenho mais forte, a versão 1.8 chegou a 95 cv em parte da linha, enquanto o Voyage GL 1992 das medições publicadas tinha 88 cv, câmbio manual de cinco marchas e peso de 996 kg.
Esse Voyage acelerava de 0 a 100 km/h em 11,84 segundos e alcançava 161,9 km/h, o porta-malas levava apenas 219 litros porque o estepe ocupava parte do compartimento, detalhe que reduzia a capacidade para malas mesmo em um sedan familiar.
A produção brasileira do Voyage 4 portas terminou em 1992, depois disso as unidades passaram a vir da Argentina até 1995, a direção hidráulica foi uma das últimas novidades antes da retirada do modelo, que só voltaria ao país em 2008, novamente sem opção de duas portas, segundo a QuatroRodas.
| Versão | Período | Motor | Potência e torque | Câmbio | Desempenho e diferenças |
|---|---|---|---|---|---|
| Voyage S 1.6 | 1983 a 1985 | MD-270 1.6 | 72 cv a gasolina ou 81 cv a etanol | Manual de 4 marchas | Versão de entrada, com acabamento mais simples e menor quantidade de equipamentos |
| Voyage LS 1.6 | 1983 a 1985 | MD-270 1.6 | 72 cv a gasolina ou 81 cv a etanol | Manual de 4 marchas ou 3+E | Acabamento intermediário e opção de câmbio 3+E, com última marcha mais longa para reduzir o consumo |
| Voyage GLS 1.6 | 1983 a 1985 | MD-270 1.6 | 72 cv a gasolina ou 81 cv a etanol | Manual de 4 marchas | Versão mais equipada da primeira fase do Voyage 4 portas, com acabamento interno superior |
| Voyage Sport 1.8S | 1991 a 1994 | AP 1.8S a etanol | 105 cv e 15,3 kgfm | Manual de 5 marchas | Configuração esportiva com motor derivado do Gol GTS, rodas de liga leve, ar-condicionado, console e estofamento exclusivos |
| Voyage GL 1.8 | 1992 | AP 1.8 com carburador de corpo duplo | 88 cv e 14,7 kgfm | Manual de 5 marchas | Aceleração de 0 a 100 km/h em 11,84 segundos, velocidade máxima de 161,9 km/h e porta-malas de 219 litros |