Lourenço Migliorini Fonseca Ribeiro: juiz será investigado após decisão polêmica no caso do 8 de janeiro

A resposta do STF à decisão de um juiz mineiro que autorizou a soltura de um condenado pelos atos de 8 de janeiro incluiu não só a revogação da medida como também a abertura de investigação formal contra o magistrado. Alexandre de Moraes classificou a decisão como ilegal, tomada por autoridade incompetente e sem respaldo da Suprema Corte, ressaltando ainda o não cumprimento do tempo mínimo de pena. O Tribunal de Justiça de Minas Gerais também abriu apuração interna sobre o caso.
Publicado por em Brasil dia

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O caso envolvendo a soltura do condenado Antônio Cláudio Alves Ferreira, responsável por destruir um relógio histórico durante os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, voltou a repercutir após decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. O ministro revogou a medida que havia autorizado a progressão de regime do condenado e determinou que ele retorne ao regime fechado. Além disso, Moraes mandou apurar a conduta do juiz responsável pela decisão.

Pontos Principais:

  • STF determina investigação de juiz que soltou condenado do 8 de janeiro.
  • Homem havia sido filmado destruindo relógio histórico no Palácio do Planalto.
  • Moraes afirmou que juiz não tinha competência legal para decidir no caso.
  • Tribunal de Justiça de MG também abriu apuração interna contra o magistrado.

A medida foi tomada após o juiz Lourenço Migliorini Fonseca Ribeiro, da Vara de Execuções Penais de Uberlândia (MG), autorizar o cumprimento da pena de Ferreira em regime semiaberto. A decisão foi classificada por Moraes como tomada por autoridade sem competência legal, e contrária à legislação específica sobre o tema. O episódio levantou questionamentos sobre os limites da atuação da Justiça estadual em processos originários do STF.

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais abriu apuração sobre o juiz, que havia autorizado a saída sem respaldo legal e fora de sua jurisdição - Reprodução/YouTube @correioonline - 25.abr.2015
O Tribunal de Justiça de Minas Gerais abriu apuração sobre o juiz, que havia autorizado a saída sem respaldo legal e fora de sua jurisdição – Reprodução/YouTube @correioonline – 25.abr.2015

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais também instaurou procedimento interno para apurar a conduta do juiz. A Corregedoria do tribunal afirma que os fatos serão investigados e que mantém compromisso com a legalidade e com as determinações dos tribunais superiores. Ferreira, que estava detido desde 2023, chegou a deixar o presídio sem tornozeleira eletrônica, o que aumentou a controvérsia.

Decisão fora da competência e resposta do STF

Alexandre de Moraes enfatizou que nenhum juízo local possui autorização do Supremo para tomar decisões relacionadas à execução de penas de envolvidos nos atos de 8 de janeiro. Segundo ele, o juiz mineiro desrespeitou essa diretriz ao conceder a progressão de regime a um condenado por crimes cometidos com violência e grave ameaça.

O ministro argumentou que a decisão também contrariou a Lei de Execuções Penais, que estabelece o cumprimento mínimo de 25% da pena em regime fechado para casos que envolvem grave ameaça. No caso de Ferreira, esse percentual não havia sido atingido, já que ele cumprira apenas 16% da pena até o momento da decisão.

Além de mandar que o condenado retorne à prisão, Moraes determinou que a conduta do juiz Lourenço Ribeiro seja investigada pela autoridade policial no âmbito do próprio STF. Segundo o ministro, essa apuração se justifica diante da gravidade do descumprimento da norma legal e da competência jurisdicional.

Histórico do juiz e reações institucionais

O juiz Lourenço Migliorini Fonseca Ribeiro atua desde 2013 na Vara de Execuções Penais de Uberlândia. Graduado pelo Centro Universitário do Triângulo, é especialista em direito civil e mestre em direito das relações econômicas e sociais. Atuou como professor e assessor jurídico em diferentes comarcas de Minas Gerais e já participou de debates sobre reformas na Lei de Execuções Penais.

Em manifestações anteriores, Ribeiro criticou propostas legislativas que buscavam a ampliação de benefícios prisionais como solução para a superlotação carcerária. Segundo ele, a aplicação indiscriminada de progressões poderia comprometer a segurança pública. Em artigos e entrevistas, defendeu o uso de tornozeleiras eletrônicas como alternativa ao encarceramento.

O episódio atual contrasta com esse histórico, principalmente pelo fato de a liberação de Ferreira ter ocorrido sem uso de monitoramento eletrônico. A Secretaria de Justiça de Minas afirmou que o estado possui cerca de 4 mil tornozeleiras disponíveis, contrariando a justificativa usada pelo juiz.

Condenação de Ferreira e implicações legais

Antônio Cláudio Alves Ferreira foi condenado pelo STF em junho de 2024 a 17 anos de prisão. As acusações incluem associação criminosa armada, tentativa de golpe de Estado e destruição de patrimônio público com uso de substância inflamável. Ele foi filmado destruindo um relógio francês do século XVII, presenteado a Dom João VI e integrante do acervo da Presidência da República.

A peça histórica foi restaurada na Suíça e retornou ao Palácio do Planalto no início de 2025. Durante o processo, Ferreira também admitiu ter lançado um extintor de incêndio contra uma câmera de segurança durante a invasão. O episódio contribuiu para a definição da pena severa imposta pela Suprema Corte.

Especialistas em direito penal consideram que, pela gravidade dos crimes e pelo regime de julgamento em instância superior, a execução da pena deveria permanecer sob controle do STF. A decisão de Moraes de reverter a soltura e mandar investigar o magistrado visa preservar a uniformidade da jurisprudência e o respeito ao princípio da legalidade.

Desdobramentos e posição das instituições

O caso provocou reações em diversas esferas do Judiciário. O Tribunal de Justiça de Minas Gerais divulgou nota reafirmando respeito às decisões do STF e informou que a Corregedoria acompanha o caso. Até o momento, o juiz investigado e sua defesa não se pronunciaram publicamente sobre a decisão de Moraes ou sobre o procedimento disciplinar aberto pelo TJ-MG.

Organizações como a Associação dos Magistrados Mineiros (Amagis) e a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) foram consultadas por veículos de imprensa, mas optaram por não comentar o episódio. A Procuradoria-Geral da República não se manifestou oficialmente até agora sobre os desdobramentos.

Ferreira está novamente sob ordem de prisão e, segundo o STF, deve permanecer em regime fechado enquanto a Corte decide sobre sua situação. A decisão do ministro relator reforça o entendimento de que condenações relacionadas ao 8 de janeiro devem ter tratamento específico e centralizado na jurisdição do Supremo Tribunal Federal.

Repercussões jurídicas e debate sobre competências

A situação expôs divergências sobre a aplicação da Lei de Execuções Penais em casos de competência originária do STF. Especialistas ouvidos por veículos de imprensa destacaram que, embora a lei defina critérios para progressão, ela não se sobrepõe às regras regimentais da Corte. Nesse contexto, decisões sobre pena cabem ao próprio Supremo ou a juízos delegados formalmente.

Para juristas, a decisão de Moraes não apenas reafirma a autoridade do Supremo em processos relacionados ao 8 de janeiro, como também envia um recado institucional sobre a importância de observância rigorosa das competências. O caso também reacendeu discussões sobre o equilíbrio entre garantias individuais e segurança pública no contexto de crimes políticos.

O debate agora se concentra nos limites da autonomia dos juízes locais na aplicação de penas originárias do STF. A eventual responsabilização do juiz mineiro poderá abrir precedentes sobre a atuação de magistrados em execuções penais de casos julgados por instâncias superiores.

Fonte: Metropoles e Poder360.

Alan Corrêa
Alan Corrêa
Jornalista automotivo (MTB: 0075964/SP) e analista de mercado. Especialista em traduzir a engenharia de lançamentos e monitorar a desvalorização de usados. No Carro.Blog.br, assina testes técnicos e guias de compra com foco em durabilidade e custo-benefício.