Novas regras para carregadores de carros elétricos em prédios criam debate sobre custos e segurança
O Conselho Nacional de Comandantes-Gerais dos Corpos de Bombeiros Militares publicou um conjunto de normas que promete mudar a forma como prédios residenciais e comerciais do Brasil lidam com a instalação de carregadores para veículos elétricos. As diretrizes, que entram em vigor em 180 dias, buscam aumentar a segurança contra incêndios, mas já despertam resistência do setor automotivo e de entidades ligadas ao mercado imobiliário.
Pontos Principais:
- Novas normas para instalação de carregadores de carros elétricos em prédios entram em vigor em 180 dias.
- Prédios novos terão de adotar sprinklers, detecção de incêndio e ventilação mecânica.
- Edificações existentes precisarão instalar chuveiros automáticos e sistemas de detecção.
- A ABVE critica os custos elevados e a falta de referências internacionais nas exigências.
Entre os pontos centrais está a obrigatoriedade de prever pontos de desligamento manual próximos às vagas e entradas da garagem. Cada estação de recarga também deve ter seu próprio ponto de corte, com disjuntores dedicados para isolar a energia entre os módulos e a rede elétrica. Além disso, a sinalização tanto do carregador quanto do interruptor de desligamento passa a ser exigência formal.

As novas construções terão regras ainda mais rígidas. Projetos aprovados a partir da vigência precisarão incorporar sistemas de detecção de incêndio, chuveiros automáticos, ventilação mecânica e estruturas com resistência mínima de duas horas ao fogo. Essas medidas, segundo os bombeiros, são baseadas em experiências técnicas internacionais, ensaios experimentais e registros de ocorrências em diferentes estados brasileiros.
Já os prédios mais antigos terão de se adaptar, com exigência de sprinklers interligados à rede de hidrantes, detecção automática e gerenciamento de riscos elétricos de acordo com normas como a NBR 5410 e a NBR IEC 61851-1. O prazo para adequação, porém, gera dúvidas, já que a exigência de instalações complexas em condomínios antigos pode significar investimentos altos e difíceis de absorver.
Em garagens externas, a regulação é menos severa. A obrigatoriedade de sprinklers, por exemplo, não se aplica, o que reflete uma tentativa de balancear custo e risco em áreas abertas. Ainda assim, o documento orienta a instalação de sistemas básicos de segurança, como alarmes e disjuntores manuais, reforçando a necessidade de planejamento mesmo fora de edificações fechadas.
A Associação Brasileira do Veículo Elétrico, no entanto, critica duramente a medida. Para a entidade, há excesso de rigor, com exigências que punem justamente quem adota equipamentos modernos de recarga. A ABVE também questiona a ausência de referências internacionais para a obrigatoriedade de sprinklers atrelada à presença de carregadores, além de destacar que veículos a combustão continuam sendo responsáveis pela maioria dos incêndios em garagens brasileiras.
Outro ponto polêmico está nos prazos de adequação. Enquanto a parte elétrica deverá ser ajustada imediatamente ao fim do prazo de 180 dias, sistemas como sprinklers e detecção de incêndio ainda dependerão de regulamentação por parte de cada estado. Para condomínios, shoppings e aeroportos, essa indefinição torna o cenário ainda mais complexo, elevando os riscos de insegurança jurídica e custos desproporcionais.
Fonte: UOL e AutoEsporte.


































