Emplacamentos de veículos têm melhor resultado desde 2014 com alta puxada por motos
O mercado automotivo brasileiro em 2025 vive o seu melhor momento em mais de uma década. Segundo os números divulgados pela Fenabrave, os emplacamentos acumulam crescimento de 6,6% em relação a 2024, totalizando mais de 3,2 milhões de unidades nos oito primeiros meses do ano. É o resultado mais robusto desde 2014, sinalizando uma retomada consistente, embora marcada por contrastes regionais e por diferentes ritmos de expansão entre segmentos.
Pontos Principais:
- Emplacamentos em 2025 somam 3,2 milhões de unidades, alta de 6,6% sobre 2024.
- Motos puxam o crescimento, com previsão de avanço de 10% até dezembro.
- Híbridos e elétricos registram aumento de até 85% nas vendas anuais.
- Centro-Oeste lidera expansão com 71,4%, enquanto o Sul cresce apenas 5%.
Em agosto, foram emplacados 431 mil veículos, sendo 185 mil motos e 172 mil carros leves, além de caminhões, ônibus e veículos agrícolas. Apesar da queda de 5,9% em relação a julho, efeito direto de dois dias úteis a menos, a média diária de vendas se manteve em alta, passando de 19,9 mil para 20,5 mil unidades. Esse desempenho confirma a força da demanda, especialmente em categorias de maior acesso, como motocicletas.

As motos consolidam o papel de protagonistas em 2025, impulsionadas pelo crescimento de aplicativos de entrega e pela busca por alternativas econômicas em meio ao crédito caro. A previsão é de alta de 10% neste segmento até o fim do ano, contrastando com a retração esperada de 7% para caminhões, impactados pela desaceleração do agronegócio e pelos juros elevados, que dificultam a renovação da frota.
Os veículos leves, que englobam automóveis e utilitários, mantêm expectativa de crescimento em torno de 5%. Já os ônibus devem avançar 6%, refletindo investimentos em transporte coletivo. No entanto, o grande destaque tecnológico está nos híbridos e elétricos, que registram aumentos expressivos: 85% em relação a agosto de 2024 e quase 75% de alta no acumulado do ano. A estimativa é de que os híbridos atinjam 120 mil unidades em 2025 e os elétricos, 45 mil, crescimento de 10% sobre o ano anterior.
No campo agrícola, a realidade é distinta. A queda na comercialização de caminhões contrasta com a expansão de tratores e colheitadeiras. Até agosto, houve crescimento de 19,2% nas vendas de colheitadeiras e 14,7% em tratores. Esse avanço está associado a políticas de incentivo como o Pronaf, que ampliou os recursos para agricultores familiares, além de uma demanda concentrada na região Centro-Oeste.
A geografia do mercado mostra um cenário desigual. O Centro-Oeste, duramente atingido pela seca em 2024, responde em 2025 com um salto de 71,4% nos emplacamentos, puxado pelo agronegócio e pela renovação de frotas agrícolas. No extremo oposto, a região Sul cresceu apenas 5%, enquanto outras partes do país apresentaram retração. O descompasso revela como fatores climáticos e econômicos moldam o comportamento de consumo de veículos no Brasil.
Os desafios seguem no horizonte, especialmente em relação ao custo do crédito. Os juros elevados restringem a compra de veículos pesados e reduzem o ritmo de expansão de automóveis. Ainda assim, a diversidade de segmentos e a força de categorias emergentes como os híbridos sustentam um otimismo moderado para o restante do ano. O setor aposta em encerrar 2025 dentro da projeção de 6,2% de crescimento, consolidando um ciclo de recuperação gradual após anos de instabilidade.
Fonte: Agenciabrasil.


































