O Hyundai i20 mal começou a ganhar espaço nas ruas brasileiras e já se prepara para atacar uma faixa de preço que, até aqui, era território conhecido do HB20. As novas versões Sense e Action apareceram no Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular do Inmetro e ampliam a linha por baixo, justamente onde a distância entre os dois carros fica menor.
A Sense será a opção mais simples. Ela usa o motor 1.0 Kappa aspirado de três cilindros, com até 80 cv, ligado ao câmbio manual de cinco marchas. A expectativa é que custe perto de R$ 95 mil, valor ainda não confirmado pela Hyundai, mas suficiente para colocá-la praticamente lado a lado com as versões mais baratas do HB20.
Logo acima virá a Action, com uma receita mais interessante para quem procura câmbio automático. O motor é o 1.0 TGDI turbo flex de 115 cv e 17,5 kgfm de torque, combinado à transmissão automática de seis marchas. O preço esperado gira em torno de R$ 115 mil, também sem confirmação oficial da marca.
Hoje, o i20 começa em R$ 99.990 na versão Comfort 1.0 manual. Depois aparecem a Limited 1.0 manual, por R$ 104.990, a Limited 1.0 turbo automática, por R$ 125.990, a X-Line turbo, por R$ 128.990, a Platinum turbo, por R$ 134.990, e a Ultimate turbo, por R$ 139.990. Com Sense e Action, a linha passa a cobrir praticamente todo o intervalo entre R$ 95 mil e R$ 140 mil.
É justamente nesse pedaço do mercado que o HB20 sempre teve uma presença forte. O hatch continua à venda, parte de R$ 96.140 e não tem qualquer data oficial para sair de produção. A Hyundai também não confirmou que pretende encerrar sua fabricação, apesar da aproximação cada vez maior entre os dois modelos.
E o HB20 ainda tem números para defender seu lugar. Em agosto, foram 5.309 unidades emplacadas, contra 3.042 do i20. No acumulado de janeiro a agosto, o HB20 chegou a 47.275 carros, praticamente colado no Creta, que somou 49.158 no mesmo período.
Isso explica por que a troca de um pelo outro não parece simples. O i20 avança, ganha versões e ocupa novas faixas de preço, mas o HB20 continua vendendo bem. Tirar de cena um carro com esse volume de vendas antes da hora seria abrir mão de um produto ainda muito presente nas lojas e na cabeça do comprador brasileiro.
A chegada da Sense também muda a posição original do i20. Quando apareceu no Brasil, o hatch ficou acima do HB20 em preço e proposta. Agora, essa diferença começa a desaparecer. A versão mais barata do i20 poderá custar praticamente o mesmo que o HB20 de entrada, enquanto a Action leva motor turbo e câmbio automático para uma faixa que também interessa diretamente ao irmão mais antigo.
O i20 ainda terá um papel maior dentro da Hyundai. Sua base será aproveitada pelo Bayon, SUV compacto que deverá ficar abaixo do Creta e ampliar a presença da marca entre os modelos mais baratos. A estreia do SUV é esperada para 2027.
Por enquanto, o HB20 continua firme nas concessionárias e ainda vende mais que o i20. Mas uma coisa mudou: os dois carros deixaram de ocupar espaços tão diferentes. Com Sense e Action, o i20 passa a disputar exatamente a parte do mercado que ajudou a transformar o HB20 em um dos carros mais conhecidos da Hyundai no Brasil.
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