A primeira usina certificada de biometano a partir de dejetos suínos será inaugurada em Santa Catarina, com investimento de R$ 65 milhões e atuação no mercado regulado
O Brasil inaugura em 26 de março, em Campos Novos, no interior de Santa Catarina, a primeira usina de biometano certificada pela ANP a partir de dejetos suínos. O projeto, desenvolvido pela H2A Bioenergia em parceria com a Copercampos, recebeu investimento de R$ 65 milhões e marca a entrada de uma operação estruturada no mercado regulado de biocombustíveis.
A certificação permite a comercialização formal do biometano, com rastreabilidade da produção e possibilidade de contratos de longo prazo, condição que amplia a previsibilidade de receita em um setor ainda em consolidação no país.
Capacidade diária e tecnologia aplicada
A unidade foi projetada para operar com biodigestores do tipo CSTR e sistemas de purificação por membranas, atingindo pureza superior a 96%.
A produção diária prevista inclui:
- 16 mil m³ de biometano
- 23 mil m³ de biogás
- 12 toneladas de CO₂ alimentício
O modelo aproveita resíduos da suinocultura, transformando um passivo ambiental em insumo energético, com uso voltado principalmente ao transporte pesado e à indústria.
Certificação cria acesso ao mercado regulado
A validação pela ANP posiciona o projeto dentro das regras formais do setor, permitindo integração com políticas públicas e mecanismos de incentivo.
A certificação assegura rastreabilidade e viabiliza contratos de longo prazo
Além da venda direta de combustível, o projeto prevê receitas com créditos de descarbonização dentro do RenovaBio e créditos de carbono, ampliando as fontes de retorno financeiro.
Potencial do biometano no Brasil
Dados da ABiogas indicam que o país pode produzir mais de 80 bilhões de m³ de biometano por ano a partir de resíduos orgânicos, especialmente no setor agropecuário.
O biometano é apontado como alternativa para reduzir emissões, com potencial de queda de até 96% nos gases de efeito estufa quando comparado a combustíveis fósseis, segundo dados do mercado regulado.
Modelo aposta em replicação em áreas agroindustriais
A proposta da H2A Bioenergia envolve replicar o modelo em regiões com alta concentração de produção agropecuária, onde a disponibilidade de resíduos permite escala operacional.
O projeto se insere em um movimento mais amplo de valorização de resíduos como fonte energética, em um cenário de pressão por redução de emissões e diversificação da matriz.
A operação em Campos Novos deve servir como referência para novos empreendimentos do setor, enquanto o mercado de biometano ainda avança em regulamentação, infraestrutura e definição de demanda no país.









