Laser da USP confirma em SP a maior abertura de caverna já medida no mundo
Pesquisadores da USP confirmaram, com escaneamento a laser de alta precisão, que a entrada da caverna Casa de Pedra, no interior de São Paulo, alcança 197 metros de altura, medida que a coloca como a maior abertura de caverna do Brasil e, muito provavelmente, do mundo.
A confirmação veio a partir de um mapeamento realizado por pesquisadores do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo, que utilizaram tecnologia Lidar aerotransportada operada por drones. O sistema emite milhões de pulsos de laser por segundo e permite medir a topografia real da rocha mesmo em áreas cobertas por vegetação densa, como a Mata Atlântica que envolve a caverna.
Localizada no município de Iporanga, no sul do Estado, a Casa de Pedra fica dentro do Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira, o Petar. A nova medição registra um pórtico com 197 metros de altura, número que supera qualquer outro já documentado em levantamentos espeleológicos com metodologia comparável, segundo os pesquisadores envolvidos no estudo.
O resultado consolida a caverna como o maior portal natural do país e reforça a possibilidade de ser a maior abertura de caverna já medida no mundo. A afirmação se apoia no fato de que medições anteriores, feitas com métodos tradicionais, não alcançavam o mesmo nível de precisão nem permitiam comparações diretas em escala global.
O pesquisador Nicolás Strikis, do Instituto de Geociências da USP, afirmou que o levantamento permitiu eliminar dúvidas históricas sobre as dimensões do local. Segundo ele, o uso do Lidar possibilitou medir do leito do rio ao teto da caverna com precisão milimétrica, algo inviável com fotografias aéreas ou medições em solo.
O escaneamento gerou uma nuvem de pontos tridimensional capaz de reproduzir fielmente toda a morfologia do interior da caverna. A partir desse modelo digital, os cientistas conseguem analisar não apenas a altura do pórtico, mas também inclinações, volumes, vazios e a relação entre a rocha e o curso d’água que atravessa o sistema subterrâneo.
Além da medição estrutural, a pesquisa inclui o monitoramento hidrológico do rio Maximiano, que percorre o interior da Casa de Pedra. Sensores instalados no local registram a resposta do nível da água a eventos de chuva, dado considerado crítico para a segurança e o manejo da área.
Os dados preliminares indicam que chuvas com duração de uma hora podem elevar o nível da água em mais de dois metros na saída da gruta. Em um dos episódios registrados, uma precipitação de 60 milímetros por hora resultou em uma elevação de 2,17 metros no nível do rio em aproximadamente 90 minutos.
O intervalo curto entre o pico da chuva e a subida da água, segundo os pesquisadores, não permite a retirada completa de pessoas do interior da caverna, que tem cerca de três quilômetros de extensão. Esse comportamento hidrológico ajuda a explicar o histórico de acidentes associados a trombas d’água na região.
A Casa de Pedra está fechada para visitação desde 2003, quando um acidente causado por uma súbita elevação do nível da água levou à interrupção das atividades turísticas no local. Desde então, a caverna permanece fora dos roteiros de visitação do Petar, apesar de seu destaque paisagístico.
Segundo a CNN, o monitoramento atual busca fornecer subsídios técnicos para o plano de manejo do parque e avaliar, com base em dados objetivos, os riscos envolvidos em uma eventual reabertura. A análise combina informações topográficas, hidrológicas e ambientais para embasar decisões futuras sobre segurança e conservação.
Para os pesquisadores da USP, o estudo também chama atenção para um patrimônio natural pouco conhecido fora do meio científico. A Casa de Pedra, além de seu valor estético, passa a ocupar posição central em discussões sobre conservação, uso público e risco ambiental em áreas cársticas do Estado.
Os sensores continuam ativos e novos ciclos de chuva seguem sendo analisados, ampliando a base de dados sobre o comportamento do rio no interior da caverna, enquanto os pesquisadores refinam o modelo digital e aprofundam a avaliação dos limites de segurança do local.
Foto de capa: Thomas Fuhrmann/Wikimedia.














