Cientista brasileira ganha destaque após pesquisa que pode ajudar pessoas paralisadas a recuperar movimentos
A cientista Tatiana Sampaio, professora e pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), tornou-se uma das figuras mais comentadas da ciência brasileira após a divulgação de resultados preliminares de uma pesquisa sobre a chamada polilaminina.
O estudo investiga uma forma de reorganizar proteínas naturais do corpo para estimular a reconexão de neurônios em pessoas com lesões na medula espinhal. Os primeiros resultados levantaram expectativa na comunidade científica ao apontar possibilidade de recuperação parcial de movimentos em pacientes paralisados.
Descoberta surgiu a partir de estudo sobre proteína natural
A pesquisa começou com estudos sobre a laminina, uma proteína presente no organismo que desempenha papel importante na formação do sistema nervoso durante o desenvolvimento embrionário.
Essa proteína funciona como uma espécie de estrutura de apoio para o crescimento dos neurônios que conectam o cérebro ao restante do corpo.
Durante experimentos laboratoriais, Tatiana observou que fragmentos dessa proteína podiam reorganizar-se formando uma nova estrutura. A partir dessa descoberta surgiu a ideia de desenvolver uma versão artificial capaz de recriar esse ambiente de crescimento neural.
Testes avançaram de células para humanos
O desenvolvimento da pesquisa ocorreu em várias etapas ao longo de décadas.
- Experimentos iniciais com células isoladas
- Testes em modelos animais, incluindo ratos
- Estudos posteriores em cães
- Testes preliminares em humanos
Em um estudo inicial com pacientes paraplégicos e tetraplégicos, seis de oito participantes apresentaram algum grau de recuperação de movimentos após a aplicação da substância. Em um dos casos relatados, o paciente voltou a andar após meses de acompanhamento.
Pesquisa levou mais de duas décadas para avançar
O projeto teve início em 1998 e enfrentou dificuldades para conseguir apoio da indústria farmacêutica para a realização de estudos clínicos.
- Dra Tatiana Sampaio pode ganhar o Nobel? Cientista da UFRJ desafia sentença da paralisia e coloca o Brasil no centro da pesquisa sobre regeneração da medula
- Brasil perde patentes internacionais de substância promissora contra paralisia após 18 anos de espera no INPI
- Polilaminina: Após 27 anos de pesquisa, cientista da UFRJ perde patente internacional de medicamento promissor por falta de verba
Sem patrocínio inicial de grandes empresas, a equipe optou por conduzir o desenvolvimento dentro da própria universidade, em um estudo clínico acadêmico.
Posteriormente, a produção da molécula passou a contar com parceria do laboratório Cristália, que investiu recursos no desenvolvimento do projeto.
Estudo clínico ainda está em fase inicial
No início de 2026, a Anvisa autorizou o início de um estudo clínico formal para avaliar a segurança e eficácia do uso da polilaminina em humanos.
Esse tipo de pesquisa normalmente passa por três fases antes de qualquer aprovação regulatória.
Caso os resultados confirmem a eficácia do tratamento, o medicamento ainda deverá levar alguns anos para chegar ao mercado.
Reconhecimento público trouxe novas responsabilidades
Com a divulgação dos primeiros resultados, a pesquisadora passou a receber grande atenção do público e da mídia.
Segundo Tatiana, muitas pessoas a abordam nas ruas demonstrando esperança de que a descoberta possa trazer novas possibilidades para quem vive com lesões na medula.
Apesar da repercussão, ela afirma que prefere manter os pés no chão e reforça que a pesquisa ainda precisa passar por etapas importantes antes de se transformar em um tratamento disponível em larga escala.
Para a cientista, o objetivo continua sendo o mesmo que motivou décadas de trabalho no laboratório: transformar conhecimento científico em soluções que possam melhorar a vida das pessoas.














