Banco do Brasil sofre calote bilionário e inadimplência do agro; entenda o que está acontecendo com o BB

Lucro de R$ 20,7 bilhões não impediu alta da inadimplência no Banco do Brasil, pressionado por calote bilionário e crise no agronegócio.
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Banco do Brasil sofre calote bilionário e inadimplência do agro; entenda o que está acontecendo com o BB
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Banco do Brasil encerra 2025 com lucro de R$ 20,7 bilhões, mas inadimplência sobe e pressiona carteira do agro

Neste sábado os clientes do BB estão sofrendo com o app do Banco do Brasil fora do ar, mas os problemas do Banco do Brasil vão muito além disso, o banco fechou 2025 com lucro líquido de R$ 20,7 bilhões, mas o resultado positivo veio acompanhado de um aumento relevante na inadimplência, especialmente no agronegócio, principal área de exposição do banco. Os dados divulgados em 13 de fevereiro de 2026 mostram que o índice de atrasos acima de 90 dias alcançou 5,17% no quarto trimestre, ante 4,51% no trimestre anterior e 3,16% no mesmo período de 2024.

O movimento passou a ser observado com mais cautela pelo mercado após a revelação de um calote de R$ 3,6 bilhões registrado no balanço do quarto trimestre. Segundo o banco, a operação com um único cliente entrou em atraso no fim de 2025 durante um processo de negociação, foi regularizada em janeiro de 2026 e depois cedida a terceiros. Ainda assim, o episódio ampliou o debate sobre a qualidade da carteira de crédito em um ambiente de juros elevados.

Sem considerar esse evento específico, a inadimplência teria ficado em 4,88%, número ainda superior ao registrado um ano antes. Entre os grandes bancos tradicionais, o Banco do Brasil terminou 2025 com a maior taxa de atrasos no período analisado.

Banco do Brasil amplia exposição ao agro e sente impacto da crise no campo

A principal fonte de pressão é o agronegócio. No quarto trimestre, a inadimplência do segmento rural chegou a 6,1%, com alta expressiva em relação ao ano anterior. O banco é o maior financiador do setor no país e responde por quase metade do crédito concedido ao agro.

Em dezembro de 2025, a carteira rural somava R$ 406,1 bilhões, o equivalente a 31,3% da carteira total. Entre julho e dezembro do Plano Safra 2025/2026, foram desembolsados mais de R$ 116 bilhões. Essa concentração torna o banco mais sensível às oscilações do setor.

O fim de 2025 foi marcado por dificuldades financeiras no campo, impulsionadas por eventos climáticos adversos, como secas e enchentes, além de aumento do endividamento e restrição de crédito. A deterioração também atingiu a carteira de micro, pequenas e médias empresas, segundo o balanço.

Recuperações judiciais crescem e agronegócio lidera risco proporcional

Dados da consultoria RGF indicam que o número de empresas em recuperação judicial no Brasil atingiu 5.680 no quarto trimestre de 2025, recorde da série. Embora comércio e serviços concentrem mais casos em números absolutos, o agronegócio lidera proporcionalmente.

Segundo o Monitor RGF, o setor registra 13,53 empresas em recuperação judicial a cada mil ativas, acima da média nacional de 2,13. São 493 companhias do agro nessa situação, alta de 14,2% no trimestre. Dentro do setor, o cultivo de soja concentra 217 pedidos.

Rodrigo Gallegos, sócio da RGF e especialista em reestruturação, afirma que produtores rurais tendem a enfrentar dificuldades mais profundas quando a liquidez desaparece de forma abrupta. Ele avalia que o impacto é sistêmico dentro do segmento, ainda que não represente risco generalizado para o sistema financeiro.

Provisões sobem e banco adota programa de renegociação

O reflexo direto da piora foi o aumento das provisões, que são reservas destinadas a cobrir possíveis perdas com inadimplência. Apenas no agronegócio, essas provisões chegaram a R$ 10,5 bilhões no quarto trimestre.

Para tentar conter o avanço dos atrasos, o banco lançou o programa BB Regulariza Dívidas Agro, voltado à renegociação de débitos de custeio, investimento e Cédulas de Produto Rural, com prazos de até nove anos. Até dezembro, R$ 22,6 bilhões haviam sido renegociados com mais de 15 mil produtores.

Helder Jhones, especialista em investimentos e educador financeiro, afirma que o calote reportado no quarto trimestre afetou os resultados no curto prazo, mas já estava previsto nas contas e foi renegociado, o que reduz o risco de novas surpresas imediatas. Segundo ele, o ponto central agora é acompanhar a qualidade dos empréstimos concedidos daqui em diante.

Marcos Pelozato, advogado especializado em reestruturação empresarial, afirma que a elevação do índice de atrasos exige análise cuidadosa. Para ele, o aumento de 3,16% para 5,17% em um ano indica que o crédito permanece sob pressão, ainda que o episódio isolado não represente ameaça ao sistema financeiro como um todo.

Mercado reage com volatilidade e expectativa de ajuste gradual

Após a divulgação do resultado, as ações do Banco do Brasil chegaram a subir mais de 8% na bolsa. No dia 13 de fevereiro de 2026, os papéis operavam em queda de 3,38%, cotados a R$ 15,15, refletindo a leitura mais cautelosa dos investidores.

Analistas do BTG Pactual avaliam que a normalização da inadimplência no agronegócio deve ocorrer de forma gradual, acompanhando a trajetória da taxa Selic e a recuperação da liquidez no setor. O próprio banco projeta crescimento modesto da carteira agro em 2026, entre -2% e +2%.

Segundo o G1, o quadro sugere que, embora o lucro de 2025 seja expressivo, o ambiente de crédito ainda exige prudência. O aumento das provisões e a postura mais conservadora na concessão de empréstimos indicam que o banco busca preservar a solidez diante de um cenário econômico que ainda não retornou à normalidade.

Indicador 4º tri 2024 3º tri 2025 4º tri 2025
Inadimplência acima de 90 dias 3,16% 4,51% 5,17%
Inadimplência agro 6,1%
Provisões no agro R$ 10,5 bilhões
  • Lucro líquido em 2025: R$ 20,7 bilhões
  • Calote registrado no 4º trimestre: R$ 3,6 bilhões
  • Carteira agro em dezembro de 2025: R$ 406,1 bilhões
  • Renegociações pelo programa BB Regulariza: R$ 22,6 bilhões

A combinação de exposição elevada ao agronegócio, juros ainda altos e aumento dos pedidos de recuperação judicial explica por que a inadimplência do Banco do Brasil passou ao centro das atenções. O lucro robusto preserva a rentabilidade, mas o debate sobre a qualidade do crédito deve seguir como ponto de observação em 2026.

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil.

Alan Corrêa
Alan Correa
Jornalista multimídia e analista de tendências (MTB: 0075964/SP). Com olhar versátil que transita entre o setor automotivo, economia e cultura pop, é especialista em traduzir dinâmicas complexas do mercado e do comportamento do consumidor. No Carro Das Notícias e portais parceiros, assina de testes técnicos e guias de compra a análises de engajamento e entretenimento, sempre com foco em dados e interesse do público.