A troca de comando no Santander Brasil foi anunciada em um momento de reorganização interna e reposicionamento estratégico do grupo espanhol, com a saída de Mario Leão e a chegada de Gilson Finkelsztain, atual presidente da B3, a Bolsa brasileira.
A mudança não ocorre de forma abrupta, ao menos oficialmente. O banco informou que o processo foi planejado com antecedência, com comunicação interna feita ainda no início do ano, permitindo uma transição considerada organizada até julho.
A movimentação coloca frente a frente dois executivos que comandaram estruturas centrais do mercado financeiro brasileiro nos últimos anos.
Leão seguirá no comando do banco até a conclusão do processo, participando diretamente da passagem de bastão. Já Finkelsztain permanecerá na B3 durante esse período, em um arranjo que tenta evitar rupturas operacionais.
O Santander classificou a gestão de Leão como parte de um ciclo estratégico relevante, com avanços na transformação operacional e foco crescente em rentabilidade.
No último trimestre de 2025, o banco registrou lucro líquido gerencial de R$ 4,08 bilhões, alta de 6% na comparação anual e o melhor resultado em quatro anos nesse indicador.
Mesmo assim, o movimento de troca indica que o grupo busca algo além de continuidade. Há um esforço claro de reposicionamento global, com maior centralização das decisões na matriz e foco em operações ligadas a moedas fortes.
O banco vem se reorganizando para atuar menos como um conjunto de operações locais e mais como um grupo integrado, com decisões concentradas fora do Brasil
A chegada de Finkelsztain traz um executivo com histórico ligado à infraestrutura do mercado financeiro e à diversificação de receitas.
Na B3, ele liderou mudanças relevantes no modelo de negócios, incluindo aquisições e expansão para áreas de tecnologia e dados, reduzindo a dependência direta do volume de negociações na Bolsa.
Esse perfil indica uma possível mudança de prioridade dentro do banco, com maior ênfase em eficiência operacional, novos produtos e monetização de dados.
A troca de CEO acontece em um contexto mais amplo de mudanças dentro do Santander, incluindo saídas recentes de executivos da alta cúpula, como responsáveis por risco, finanças e banco de investimentos.
Esse ambiente adiciona pressão à nova gestão, que assume com a tarefa de manter resultados e ao mesmo tempo reposicionar o banco em um cenário competitivo mais complexo.
No mercado, as ações da B3 fecharam o dia em queda de 1,17%, cotadas a R$ 16,92, enquanto os papéis do Santander subiram 1,15%, a R$ 29,99, ainda acumulando desvalorização no ano.
A definição do substituto de Finkelsztain na B3 ainda não foi anunciada, e o processo segue em curso, com a companhia informando que divulgará o nome apenas após a conclusão da transição.