EX2 Pro 2026: autonomia, desempenho e infraestrutura ainda pesam contra

Publicado por em Geely dia | Página 10/11
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Apesar da proposta coerente para uso urbano, o Geely EX2 Pro 2026 não é um carro isento de concessões. Algumas escolhas de projeto e limites técnicos ficam claros quando se analisa o uso fora do cenário ideal para o qual ele foi concebido.

O primeiro ponto crítico é a autonomia de 289 km. Para a cidade, o número é suficiente, mas em rodovias a margem de segurança diminui rapidamente. Em velocidades constantes acima de 100 km/h, com ar-condicionado ligado e carga completa, a autonomia tende a cair de forma perceptível. Isso impõe planejamento rígido de recarga e praticamente elimina a possibilidade de viagens longas frequentes sem paradas estratégicas.

A velocidade máxima de 130 km/h também revela o foco estritamente urbano do projeto. Em estradas, o carro mantém ritmo, mas sem folga para ultrapassagens mais rápidas ou condução em faixas de velocidade mais altas. Não é uma limitação de segurança, mas afeta a sensação de reserva de potência e pode gerar desconforto psicológico em rodovias movimentadas.

O desempenho, com 0 a 100 km/h em 10,2 s, é adequado, porém sem qualquer apelo esportivo. A entrega de torque imediato agrada no trânsito, mas em retomadas acima de 80 km/h o fôlego diminui. Para quem vem de carros turbo a combustão, a sensação pode ser de menor vigor em velocidades médias e altas.

Outro ponto sensível é a dependência de infraestrutura. A recarga rápida de até 70 kW ajuda, mas a rede pública no Brasil ainda é irregular e concentrada em grandes centros. Fora desses eixos, a experiência pode se tornar limitada, especialmente para quem não dispõe de wallbox em casa ou no trabalho. Sem recarga domiciliar, o uso do carro perde grande parte da conveniência que um elétrico deveria oferecer.

A calibração de suspensão, voltada ao conforto urbano, também cobra seu preço em pisos muito irregulares em velocidade mais alta. Embora seja independente nas quatro rodas, o acerto privilegia maciez e silêncio, não firmeza de controle em curvas rápidas. Em estrada, o comportamento é seguro, mas sem a sensação de estabilidade mais plantada de modelos com proposta rodoviária.

Em termos de acabamento, o interior é correto, porém sem materiais macios em grande parte das superfícies. O silêncio do conjunto elétrico acaba evidenciando ruídos de rodagem e eventuais sons de acabamento em pisos mais ásperos, algo que passa despercebido em carros a combustão pelo mascaramento do ruído do motor.

MOTOR ELÉTRICO
Potência 116 cv (traseiro) Torque 15,3 kgfm (traseiro)
Peso/potência 11,21 kg/cv Peso/torque 84,97 kg/kgfm
Autonomia 289 km Capacidade da bateria 39,4 kWh
Potência de recarga (AC) 6,6 kW Potência de recarga (DC) 70 kW
TRANSMISSÃO
Tração Traseira Câmbio Automático de 1 marcha
SUSPENSÃO
Dianteira Independente, McPherson Elemento elástico Mola helicoidal
Traseira Independente, multibraço Elemento elástico Mola helicoidal
FREIOS
Dianteiros Disco ventilado Traseiros Disco sólido
Frenagem 100-0 km/h 36,9 m
DIREÇÃO
Assistência Elétrica Diâmetro de giro 9,9 m
PNEUS
Dianteiros 205/65 R15 Altura do flanco 133 mm
Traseiros 205/65 R15 Altura do flanco 133 mm
Estepe Kit de reparo
DIMENSÕES
Comprimento 4135 mm Largura 1805 mm
Altura 1580 mm Entre-eixos 2650 mm
Altura do solo 160 mm Peso 1300 kg
Porta-malas 375 litros Carga útil 390 kg
DESEMPENHO
Velocidade máxima 130 km/h 0-100 km/h 10,2 s

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Alan Corrêa
Alan Corrêa
Jornalista automotivo (MTB: 0075964/SP) e analista de mercado. Especialista em traduzir a engenharia de lançamentos e monitorar a desvalorização de usados. No Carro.Blog.br, assina testes técnicos e guias de compra com foco em durabilidade e custo-benefício.