O novo Eclipse não é exatamente um Eclipse, e talvez essa seja a parte mais interessante da história
Durante décadas, o nome Eclipse ocupou um lugar bastante específico na memória dos entusiastas da Mitsubishi. Era o carro que representava uma fase em que fabricantes japonesas produziam cupês acessíveis, visual marcante e personalidade própria. Agora, em 2026, o mesmo nome reaparece em um contexto completamente diferente.
A Mitsubishi confirmou oficialmente o Eclipse Sportback EV para a linha 2027 na América do Norte. O novo modelo é um SUV elétrico e nasce dentro de uma lógica que hoje domina a indústria automotiva mundial: compartilhar praticamente tudo o que for possível para reduzir custos e acelerar lançamentos.
Um Eclipse que nasceu elétrico e com DNA compartilhado

O Eclipse Sportback EV utiliza a plataforma CMF-EV, desenvolvida pela aliança formada por Renault, Nissan e Mitsubishi. Trata-se da mesma arquitetura empregada pelo Nissan Leaf de nova geração, revelou o Cimbaju.
Na prática, isso significa que o novo Mitsubishi compartilha elementos fundamentais do projeto.
- Plataforma CMF-EV
- Motores elétricos
- Sistemas eletrônicos
- Pacotes de baterias
- Estrutura principal da carroceria
A estratégia não é exclusiva da Mitsubishi. Em um cenário de investimentos bilionários em eletrificação, fabricantes têm recorrido cada vez mais ao desenvolvimento conjunto para manter competitividade.
Em vez de criar um veículo totalmente novo, a Mitsubishi optou por adaptar uma base já pronta e consolidada dentro da aliança.
O que mudou em relação ao Nissan Leaf
Embora a estrutura principal seja compartilhada, a Mitsubishi promoveu algumas alterações para diferenciar visualmente o produto.
Na dianteira, o Eclipse Sportback EV recebe para-choque exclusivo, novas entradas de ar horizontais e acabamento próprio na região frontal. Os faróis de LED também apresentam pequenas mudanças em relação ao Leaf.
Na traseira, a fabricante modificou o desenho do para-choque, alterou detalhes da tampa do porta-malas e criou uma assinatura luminosa específica para as lanternas.
Ainda assim, as semelhanças permanecem evidentes.

A lateral praticamente preserva a silhueta fastback utilizada pela Nissan, incluindo proporções gerais da carroceria, desenho do teto e formato das superfícies principais.
O interior ainda é um mistério
A Mitsubishi não divulgou imagens oficiais da cabine.
Mesmo assim, a expectativa é que a configuração interna acompanhe de perto o que já foi apresentado pela Nissan no Leaf.
Entre os equipamentos disponíveis no modelo da Nissan estão duas telas integradas de até 14,3 polegadas, teto panorâmico eletrocrômico e sistema de áudio Bose com alto-falantes incorporados aos encostos de cabeça.
A fabricante japonesa ainda não confirmou quais desses recursos estarão presentes no Eclipse Sportback EV.
Mecânica já conhecida
As informações divulgadas até o momento indicam que o conjunto mecânico será compartilhado integralmente.
| Bateria | 52 kWh ou 75 kWh |
| Potência | 174 cv ou 214 cv |
| Tração | Dianteira |
| Plataforma | CMF-EV |
A Mitsubishi ainda não revelou dados finais de autonomia, aceleração, velocidade máxima ou composição definitiva das versões.
Por que o nome Eclipse continua causando discussão
A controvérsia não está nas baterias, na potência ou na plataforma utilizada. Ela está no emblema colocado sobre a carroceria.
Quando a Mitsubishi lançou o Eclipse Cross em 2017, muitos admiradores do antigo cupê consideraram que a marca havia encerrado definitivamente a identidade original do modelo. O Eclipse Sportback EV aprofunda ainda mais essa mudança.
O novo veículo não tenta reproduzir o esportivo vendido entre 1989 e 2011. Tampouco procura resgatar suas características mecânicas ou sua proposta dinâmica. O nome foi reaproveitado para representar outra fase da empresa, agora focada em eletrificação, eficiência industrial e integração tecnológica dentro da aliança global.
Enquanto alguns consumidores enxergam isso como uma evolução natural da indústria, outros continuam perguntando a mesma coisa desde o Eclipse Cross: se quase nada do antigo Eclipse permanece, por que continuar usando esse nome?
A resposta definitiva provavelmente virá apenas quando o Eclipse Sportback EV chegar às ruas norte-americanas e mostrar se a força histórica do nome ainda é suficiente para conquistar uma nova geração de compradores.


































