Volkswagen enfrenta rombo bilionário e pode paralisar fábricas por falta de chips

A Volkswagen enfrenta um rombo de R$ 68 bilhões e risco de parar fábricas por escassez de chips, enquanto avalia vender marcas e cortar custos para sobreviver.
Publicado por em Mundo, Negócios e Volkswagen dia

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A Volkswagen vive um dos momentos mais delicados de sua história recente. Ao mesmo tempo em que tenta lidar com um rombo de 11 bilhões de euros — cerca de R$ 68 bilhões — previsto para 2026, a montadora também enfrenta o risco de paralisação de fábricas na Alemanha devido à escassez global de chips.

Pontos Principais:

  • A Volkswagen enfrenta déficit de 11 bilhões de euros e pode vender subsidiárias para equilibrar o caixa.
  • Marcas como Italdesign, Everllence e IAV estão entre as que podem ser negociadas para aliviar as finanças.
  • A escassez de chips ameaça paralisar linhas de produção de modelos como Golf e Tiguan na Alemanha.
  • A empresa busca sinergia entre Audi, Porsche e outras divisões para reduzir custos e evitar colapso.

Segundo reportagem da revista alemã Bild, o déficit ameaça o fluxo de caixa líquido do grupo, o que significa que a empresa teria dificuldades para manter suas operações e investimentos no próximo ano. As causas incluem a queda nas vendas na China, o impacto das tarifas impostas pelos Estados Unidos e a complexa estrutura interna do conglomerado, que reúne diversas marcas e subsidiárias.

A Volkswagen enfrenta simultaneamente uma crise de caixa e um problema de fornecimento global. O rombo de R$ 68 bilhões pressiona o grupo a adotar medidas emergenciais, incluindo a possível venda de subsidiárias e cortes em investimentos estratégicos.
A Volkswagen enfrenta simultaneamente uma crise de caixa e um problema de fornecimento global. O rombo de R$ 68 bilhões pressiona o grupo a adotar medidas emergenciais, incluindo a possível venda de subsidiárias e cortes em investimentos estratégicos.

Para tentar conter a crise, a Volkswagen estuda vender parte de seus ativos. Entre os nomes mais citados estão a Everllence (antiga MAN Energy), a Italdesign e o desenvolvedor IAV. Essas vendas, somadas a cortes em marketing e redução de investimentos, poderiam aliviar parte da pressão financeira, mas ainda não há definição oficial sobre as medidas.

Paralelamente, um segundo problema preocupa a alta direção: a falta de semicondutores. De acordo com o g1, a Volkswagen enviou um comunicado interno aos funcionários informando que não descarta interrupções na produção em razão das dificuldades na cadeia de suprimentos. O alerta ocorre após o governo holandês assumir o controle da fabricante de chips Nexperia, de capital chinês, e a China reagir restringindo exportações de componentes essenciais.

A situação já levou a empresa a suspender temporariamente a produção dos modelos Golf e Tiguan na fábrica de Wolfsburg. Embora a Volkswagen tenha informado que essa paralisação inicial não está diretamente ligada à falta de chips, o temor de uma interrupção prolongada cresce nos bastidores.

Executivos do grupo também admitem que a complexidade do conglomerado, com diversas marcas operando de forma independente — como Audi, Porsche, Lamborghini e Bentley —, eleva os custos e dificulta decisões rápidas. Há, inclusive, a possibilidade de reorganizar o desenvolvimento de plataformas para aumentar a sinergia entre as divisões.

Com o caixa pressionado e a cadeia de produção sob risco, a Volkswagen entra em 2026 diante de uma encruzilhada: reestruturar-se profundamente ou enfrentar uma crise que pode comprometer não apenas seu futuro financeiro, mas também sua posição de liderança na indústria automotiva global.

Fonte: QuatroRodas e G1.

Alan Corrêa
Alan Corrêa
Jornalista automotivo (MTB: 0075964/SP) e analista de mercado. Especialista em traduzir a engenharia de lançamentos e monitorar a desvalorização de usados. No Carro.Blog.br, assina testes técnicos e guias de compra com foco em durabilidade e custo-benefício.